quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Abençoada seja a musculatura masculina


Agradecimento ao Anderson, ao Agenor e ao Charles

Míriam Santini de Abreu

Há uns quatro anos, toda vez que vou a Caxias do Sul visitar a família, imploro a meu pai e a meus irmãos ou a quem mais estiver por perto para que me leve a São Valentim da 2º Légua, no interior do município. Ali há duas centenárias casas que foram construídas pelos familiares vindos da região de Trento em 1878. Quero fotografar a casa, os parreirais, para um texto que desejo fazer sobre as mulheres. Mas não adianta. Todos têm uma desculpa para não me levar. Antes era a estrada não-asfaltada. Agora, tudo com asfalto, as desculpas são a distância ou a preguiça.

Mas eis que, no domingo passado, a Rosita, prima de minha mãe, se ofereceu para me levar. Nós a visitávamos porque, há pouco tempo, Rosita enfrentou a morte da mãe, minha tia-avó Cide. Eu, com o convite, fiquei mais feliz que cusco em dia de mudança.

Marcamos a hora do encontro, às 14h de domingo, e fomos para casa. Acontece, então, de minha mãe comentar com o namorado dela e de eu mesma comentar com meu pai que Rosita nos levaria a São Valentim. Para quê?!

Na hora, ambos – o namorado, por telefone – e o pai disseram que não precisava, que me levariam, que seria um prazer. Eu descartei os convites na hora e mantive o combinado com a Rosita.

Pois às 14 horas ela nos esperava no seu Fusca branco, e seguimos para o meu lugar encantado e tão aguardado. Quando entramos na estrada principal para lá – asfaltada há pouco – não vencemos nem cinco quilômetros. O pneu esquerdo traseiro furou.

- Rosita, sabes trocar?

- Nunca troquei...

E ficamos, as três mulheres, com cara de mulher olhando pneu furado e sem a menor idéia do que fazer com aquilo.

Passam-se nem cinco minutos e do nosso lado estacionam duas picapes sobre as quais havia motocicletas. Dos automóveis saem três homens. Atravessam a rua e perguntam:

- Problemas, meninas?

Eu dei um sorriso e um suspiro e, no fundo mais fundo do peito, agradeci: - Deus, obrigada pelos homens.

Pois os três trocaram o pneu com a maior facilidade, mas, ao tirar o “macaco”, aconselharam:

- Olha, esse estepe não está bom. Parem num posto para encher. Acho que está furado. Vocês não vão chegar a São Valentim com ele.

Não deu outra. O Fusca estava há tempos parado e não aguentou o tranco, tudo, provavelmente, porque eu dei uma dica errada para a Rosita e o pobre carro teve que enfrentar uma descida tenebrosa de estrada de chão, cheia de pedras, coisa que não precisava.

Voltamos para casa. Eu, só de raiva, comi tudo o que havia restado de uma torta de côco e de um musse de maracujá.

- Que horror! – comentou minha mãe. E completando: - Se o Luizinho (namorado dela) tivesse nos levado...

E meu pai, ao nos ver meia hora depois de ter saído, arrematou:

- Que pena... Devia ter deixado o pai ter te levado...

Conclusão 1: tem coisas que tem dias. E aquele não era dia para ir a São Valentim.

Conclusão 2: os homens, apesar de tudo, são maravilhosos. Especialmente quando, vindos de um rali de motos, param e colocam sua engenhosa e bela musculatura a nosso serviço.

6 comentários:

elaine tavares disse...

Só contigo acontece isso miriam.. hahahah
mas, tens razão, homens são maravilhosos...

Anônimo disse...

peraí....conheço muitas mulheres mais fortes do que eu...e que seriam capazes de trocar um pneu furado...e depois que inventaram o macaco hidráulico, a musculatura (que vcs tanto apreciam), não é um impecilho... mesmo sendo homem, sei apreciar uma rosa e fazer uma mamadeira para uma criança, passar uma camisa e chorar quando me emociono vendo uma cena de amor...acho que vc quer dizer: abençoadas as pessoas solidárias...beijos, cabrito.

Revista Pobres & Nojentas disse...

Cabrito, tens toda a razão! É só porque sempre me comovem as gentilezas, especialmente as masculinas, as gentilezas humanas em geral. E também porque, tenho que admitir, não gosto muito de "pegar no pesado", eh, eh, eh!
Beijos, Míriam

Agenor disse...

Só pasei p agradecer a parte que nos toca e dizer Ô lugar dificil p vc conhecer,,mais dificil que as trilhas que nós andamos. Um abraço a vc e as senhoras que estavam junto..Agenor ,,,Caxias do Sul

Revista Pobres & Nojentas disse...

Agenor, obrigada pela visita. Meu pedido ao papai noel vai ser finalmente chegar a São Valentim e fazer essas fotos da visita às casas!
Um abraço, Míriam

jussara disse...

Mi, foi só elogiar os homens,que "choveu" comentários...srsrsrsr. Que tal sair a versão masculina das PNs!!!??kkkkkk