Quem somos


A revista Pobres & Nojentas é formada por um grupo de jornalistas de Florianópolis [SC] e teve seu início em 2006, buscando responder a uma ausência: jornalismo interpretativo, reportagem, jornalismo crítico. Esse pequeno grupo se reunia na antiga Padaria Brasília, depois das lutas e passeatas, a discutir jornalismo. Por conta dessa reflexão nasceu a idéia de fazer a revista, buscando aliar o bom jornalismo a temas que ficam completamente fora da mídia comercial.

Desde aí funciona como uma cooperativa da palavra libertária, criadora, caminheira, que pretende - com ironia, mas também com seriedade - se contrapor à superficialidade do chamado “jornalismo de gente”, um tipo de publicação que só investe na divulgação de informações sobre a vida dos ricos e famosos. Na Pobres & Nojentas o foco está no povo que trabalha, luta e constrói mundos. A palavra "nojenta", agregada ao nome, tem um significado específico para as editoras e para todos os que ali dizem a sua palavra: significa "inquebrantável", gente que questiona velhos valores, que cria o novo e persegue vida boa e bonita para todos.

Ela existe para apresentar uma nova possibilidade de aprendizagem no campo do jornalismo. Nojenta mesmo, querendo falar desde a periferia da periferia... Afinal, quem pode inventar algo se não está no eixo Rio-São Paulo? Pois a gente faz isso aqui no sul do sul. Santa Catarina. Florianópolis.

Ocorre que a Pobres e Nojentas não é uma revista qualquer, feita para vender de maneira fácil, como por exemplo a Caras ou a Tititi. Estas são revistas óbvias. Caras é o retrato da superficialidade, já o diz seu nome, é a aparência, o fugaz. Tititi é o reino da fofoca, do boato, do maldizer, e assim por diante. O nome das revistas diz tudo. É óbvio, seguro, ululante. A Pobres e Nojentas, não. Ela é uma revista difícil. Ela provoca, de cara, um estranhamento. A pessoa pode até achar que entendeu a proposta pelo nome, mas se olhar a revista vai ver que é outra coisa. E aí é que ela se diferencia de todos esses títulos que aí estão.

A P&N é um convite ao pensar. É pedagógica desde o primeiro olhar. Ela requer do leitor um movimento de mergulho, de busca, de deciframentos. Ela não é óbvia. E ela precisa ser conhecida assim, devagar, tateando, como todas as coisas que realmente se conhece e, depois, se ama.

Um salto no abismo

É por isso que o nome Pobres e Nojentas não é "vendável", não é "comercial". Porque a própria idéia da revista nasceu de uma outra forma de se relacionar com o mundo. O pequeno feixe de papel que as pessoas compram não é só uma mercadoria e seu irrisório preço não expressa só seu valor de troca. A P&N está, para nós, dentro do reino da "necessidade", e não do consumo ritual. As vidas que se revelam nas páginas "nojentas" não são narradas para entreter. Elas se mostram ali pedagogicamente. Cada história mostra como as gentes ditas comuns – de uma América Latina e um Brasil reais – vão construindo este mundo com suas lutas, dores e alegria. É como uma grande roda ancestral em volta da fogueira onde contamos histórias para não esquecer de nossas belezas. Mulheres e homens que se reconhecem sujeitos, que enfrentam a vida com garra e seguem rompendo auroras.

Com essa pretensão, a Pobres e Nojentas segue seu caminho enfrentando as mesmas caras torcidas dos donos de banca, dos leitores preguiçosos, dos pseudo-intelectuais, sempre na construção de uma proposta que chamamos de "jornalismo libertador". Ou seja, um jornalismo absolutamente comprometido com o outro, mas não um outro qualquer – é o outro oprimido, a comunidade das vítimas do capital. Aqueles que, a despeito do massacre capitalista – que incentiva o egoísmo, a individualidade exacerbada, o hedonismo barato –, vivenciam coisas antigas e belas como a solidariedade, a partilha, a cooperação e o amor-compromisso.

Pobres e Nojentas convida a pensar, sem elucubrações teóricas ou notas de rodapé, mas no corpo-a-corpo com a vida, como diria o mestre João Antônio. Ela é sempre uma aventura, nunca óbvia, sempre um salto no abismo! E está agora aqui, virtual, além de ser vendida na única banca da cidade que topou o desafio: A Banca da Catedral. Ou então, de mão em mão, por aí, nos caminhos... Atreva-se para além do estranhamento e descubra...

A revista é uma guria sapeca, feliz no propósito de ser espaço onde a vida mesma, essa das gentes comuns, pode se expressar, se dizer, se ver bela. E assim segue, sem nenhum medo. Feita de textos belos. Feita de amor.

Coletivo executivo

Elaine Tavares
Miriam Santini de Abreu
Marcela Cornelli

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