domingo, 18 de maio de 2008

A arte de fazer sopa de agnolini













Míriam Santini de Abreu

Às vezes, o inverno na Serra Gaúcha é envolto em neblina. Só é possível ver o que está a cinco, dez metros. Depois, só brumas. E aí a grande alegria é poder estar em casa, a chapa do fogão repleta de pinhões, a boa leitura feita sob cobertas quentes. E, à noite, molhar o pão no caldo de uma sopa de agnolini. A sopa de agnolini é um pitéu da culinária da Serra. A minha mãe sabe fazer tudo, desde o recheio até a massa passada na máquina.
Uma das tradições de família, quando éramos crianças, era a seguinte: o César, meu irmão do meio, ficava com o encargo de fazer as bolinhas de recheio. Eu, que sempre fiz questão de ter encargos bem vagos, adorava verificar, de soslaio, se o Cé estava distraído e, então, juntar quatro ou cinco bolinhas e comer tudo de uma vez só. O Cé berrava:
- Mãe, olha essa guria, ela não pára de comer!
Eh, eh, eh, como era divertido!
E fazer sopa de agnolini é assim:

Recheio:
Cozinhar 1 peito de galinha na água, que também será o caldo da sopa
Moer o peito e misturar a carne a uma clara de ovo, noz moscada, um pouco de canela, sal e queijo ralado. Amassar bem

Massa:
3 ovos, 3 xícaras de farinha de trigo, 1 colher de óleo e 2 colheres de água. Amassar até que fique bem lisinha e, depois, passar na máquina para espichar

Caldo:
Usar a água na qual foi cozinhado a galinha. Colocar uma cebola, alho, tempero verde e 1 caldo de carne

Como fazer o agnolini:
É preciso cortar a massa já espichada em pequenos quadrados. Colocar o recheio e fechar, unindo as duas pontas. Deixar o agnolini secar por algumas horas e, depois, cozinhar no caldo. Servir com queijo ralado e pão. Fica ainda melhor com um pouco de cren, uma raiz forte de origem européia. Os imigrantes ralavam a raiz e deixavam curtir três ou quatro colheradas num copo com vinagre de vinho tinto. Hoje, o bom cren é triturado no liqüidificador. Num copo de raiz forte, vão duas ou três colheres de vinagre de vinho branco e uma colher de açúcar. A mistura deve ter a consistência de uma pasta, quase como uma mostarda.
Veja parte do processo na conta de P&N no You Tube:

4 comentários:

Anônimo disse...

Legal! É por isso tudo que eu tenho agnolini congelado, feito pela mãe. Terá sido tu quem fez as bolinhas???

Samuel Frison disse...

Uhhhhh! Que delícia de agnolini! O texto igualmente palatável. Me despertou desejo de ver Festa de Babete. Bjs e saudades. Ah, um texto da Pobres, feito pelo Fernando sobre a filosofia das louças da pia inspirou alguns trabalhos na pós-graduação em informática educativa aqui da FSG. As gurias amaram os textos do paneleiro, das rugosidades e do enxoval. É a pobres fazendo história e conquistando novos leitores.

Anônimo disse...

Delicia!Sei que tudo é feito com muito amor,que cheirinho bom dessa sopa!
BEIJOS LAU

Márcia Nicolau disse...

Isso é o que eu posso chamar de texto delicioso!!!
Deu uma sensação tão boa sentir o calor do fogão, o sabor das massas e a alegria desta confraternização! As 16h30, tomei essa sopa literária com vcs!

Abraços

Nos vemos em breve nos corredores dos PósJor