domingo, 2 de agosto de 2009

Lua cheia de agosto


Engravida a lua cheia de agosto. E há uma canção para ela:

AGECON chega os 20 mil acessos – um espectro ronda pela região do Contestado

Em meio a tantas divergências que presenciamos no mundo político contemporâneo, há quase um consenso em torno da afirmação de que vivemos o período da revolução de quarta geração. Esse alarde vem tanto dos setores manipuladores da mídia burguesa, como dos lúcidos militantes que lutam por um outro mundo possível.

As tecnologias evoluíram e foram sendo apropriadas pela luta política. Não há tecnologia que sirva somente para dominar, eis o lado bom da realidade ser dialética. Eis o lado bom do feitiço é poder se voltar contra o feiticeiro.

Assim é com a internet. Tudo bem que a internet, este apelido dado a rede mundial de computadores, foi criada durante a Guerra Fria, pelo império dos Estados Unidos para manter segredos de tecnologia e de guerra. Mas e daí? Hoje é uma ferramenta que agiliza a informação de maneira rápida, podendo ser mais um instrumento pra ajudar na organização das pessoas.

Claro, podemos estar nos perguntando: Internet vai ajudar a organizar pessoas? É obvio que não, mas é uma realidade que não dá pra fugir. Hoje o acesso tem sido cada vez mais popular.

E aí que chegamos com a AGECON. A Agencia Contestado de Noticias Populares é mais uma ferramenta, dentre tantas que as organizações populares tem, para denunciar as injustiças e proclamar boas novas. A página eletrônica já teve mais de 20 mil acessos. O mais preocupante, devem estar pensando nossos inimigos, é que não são simples acessos, são acessos subversivos, onde quem lê está na labuta cotidiana, na militância, e irradia a muitas e muitas pessoas.

Muito há para avançar. Mas o registro da alegria de estarmos chegando neste número deve ser feito. De onde brotam estes subversivos que querem mudar o mundo? Eis uma boa pergunta que só quem acompanha a AGECON pode entender. A velha frase continua sugestiva, afinal, um espetro ronda pela região do Contestado. O fantasma da partilha e de uma sociedade socialista assusta quem pensou que isso não fosse mais possível. E este que alguns pensam que seja fantasma, é a alma, que motiva tantos e tantos a não desanimarem por dias melhores para todos.

Coordenação da AGECON
Acesse:
www.agecon.org.br

sábado, 1 de agosto de 2009

"Minhas Memórias de África, uma viagem pelo caminho interior"

Você está convidado para a projeção de fotos e contação de histórias de viagem: "Minhas Memórias de África, uma viagem pelo caminho interior", de Thomas Bisinger.
-Sábado, 1 de agosto de 2009, às 20:00h , abrindo a jam session de contato improvisação na POUSADA PURA VIDA, no rio Vermelho, Florianopolis (www.puravidabrasil.ch - 48 99688949- Sandro)
-Domingo, 2 de agosto, às 21hrs no CIC- Centro integrado de Cultura - Florianopolis - SALA 46 de Dança.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Amigos e pizzas

Míriam Santini de Abreu

Há uma cena que amo no final de “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, a terceira parte da trilogia escrita por J.R.R. Tolkien. É quando Frodo, Sam, Merry e Pippin regressam ao Condado, cumprida a missão de dar paz à terra. Sentam-se os quatro na mesa rústica de uma estalagem, enchem as canecas e esboçam um leve sorriso, de si para si. E então se olham, e, com um sorriso ainda mais leve, brindam. E à volta deles a algazarra, o calor tépido, a rusticidade da taberna.
A cena essencializa o que é o amor da amizade. Porque só amigo compreende o nosso sorrir de leve, o sorrir de quem acaricia pensamentos agradáveis, o sorrir de quem atirou às lavas o anel do poder e voltou para contar. E brinda, porque provavelmente também esteve na mesma batalha.
Pois digo isso a propósito da Pizzaria do Cica, lá no Canto da Lagoa, em Florianópolis, canto descoberto pela Marcela e compartilhado com os amigos. Estivemos lá na fria noite de quinta-feira, e não sei se foi o vinho, o calor, que deixou o meu pensamento cheio de névoas. O fato é que me transportei para uma estalagem medieval, com poucas mesas e cadeiras de madeira, um forno a lenha de paredes rosadas, aqui e ali uns filtros de sonhos, e risadas e brindes. Tivesse o tempo congelado, naquele instante, e a eternidade me aprisionaria num estado numinoso, sagrado, perfeito. No fim é só o que interessa, bem lembrou a Elaine: partilhar com.

Cadernos Soberania Comunicacional 2

A revista P&N e o Portal Desacato lançam na próxima semana a segunda edição dos “Cadernos Soberania Comunicacional”, que apresenta propostas para a Conferência Nacional de Comunicação e a manchete “Latifúndios da comunicação só serão implodidos com participação popular”. Os textos são os seguintes:

Ou inventamos, ou estamos perdidos!...
Elaine Tavares

Considerações sobre Tecnologia concernentes à 1ª Conferência Nacional de Comunicação
Marco Arenhart

Ministros do STF não sabem o que é jornalismo
Míriam Santini de Abreu

A materialização dos invisíveis - acumular conhecimentos e lutas a caminho da Soberania Comunicacional
Raul Fitipaldi

Encomendas:
revistapobresenojentas@gmail.com

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uma janela para o amor


Ah, que o verão nos encontre

repletas de flores e frutos,

namorando sob as janelas!

Estação Sindical

A jornalista Sandra Werle, da Letra Editorial e da equipe de P&N, fez o projeto gráfico e a diagramação da primeira edição da revista Estação Sindical, produzida pelo Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal em Santa Catarina. A publicação, com 24 páginas, é trimestral, sempre no início de uma nova estação, com projeto gráfico único, mas cores e elementos gráficos de acordo com a estação do ano. O banner acima mostra a arte de cada estação, para provar que publicação de Sindicato pode e deve ter charme!
Os quatro tempos da luta
A mudança das estações é celebrada em muitas culturas. Sazão de semear, sazão de colher, sazão de conscientizar...
A revista Estação Sindical marca os quatro tempos do ano, ao circular no auge da primavera, do verão, do outono e do inverno.
Comunicação para estreitar os laços com os trabalhadores, jornalismo para narrar as suas lutas.

O pregador

Míriam Santini de Abreu

Todos os dias eu atravesso a Praça XV, no centro de Florianópolis, para trabalhar. E quase todos os dia ele está lá, o pregador. Às vezes uma meia dúzia de pessoas se junta em volta dele, no coreto, para ouvir as palavras do Evangelho; às vezes, ele só fala para alguém que dorme num banco qualquer; já vi também, parados ali, cães e pombos. Não importa. O pregador deve ser movido por profundo amor. Porque continuar a falar para quem não quer ou não sabe ouvir é um ato de amor.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Memórias da feira

Míriam Santini de Abreu

Sempre detestei levantar cedo. E adoro a madrugada, o silêncio que embala o nascimento de palavras e enriquece as leituras. Estar acordada enquanto metade do mundo dorme. Mas, quando tinha uns 13, 14 anos, era com prazer que eu pulava da cama para acompanhar a mãe à feira. Subíamos, com um carrinho de metal, a rua inclinada da cantina Antunes, em Caxias do Sul, para enchê-lo na movimentada feira do bairro Panazzolo.
Ah, aquilo era êxtase!
A mãe me xingava:
- Míriam, escolhe essas batatas de uma vez! – Míriam, não vê que essa rúcula tá feia!? – Meu Deus, guria, te mexe!!!
E eu, que sou de natureza indolente e contemplativa, jogava as frutas, verduras e legumes de qualquer jeito nos sacos. Queria mesmo era absorver aquela cornucópia de cores, cheiros, texturas. De gente. E olhava em volta para ver se havia conhecidos só para espalhar bons dias e ter cúmplices do meu secreto contentamento.
Que havia naquela feira? Ou era aquela idade?

Encalorar os poros


Nesses dias frios, é bom encontrar os amigos, especialmente os que têm o sol dentro do peito. Melhor ainda se pudéssemos esquentar os poros, sol no peito e no céu, sentados na sacada desta bela casa em Paraty.

Uma análise da situação hoje em Honduras

Veja o artigo de Robson Ceron em:
http://convencao2009.blogspot.com/2009/07/uma-pequena-analise-da-situacao-de-hoje.html

domingo, 26 de julho de 2009

Morreu o Catatau!


Elaine Tavares

Ele era o melhor de nós. Sempre estava ali, em todas as lutas. Nas passeatas, nas greves, nas campanhas eleitorais, nos shows de música, nos atos políticos, nas ocupações. Tinha o andar cadenciado, um jeito despojado, um certo ar de alheamento que era puro fingimento, pois estava sempre ligado nos fatos. Entrava nas formaturas, nas reuniões do Conselho Universitário, reuniões de CAs, do colegiado. Tomava sol em frente ao Básico e acompanhava os estudantes nas filas do RU. Acompanhava a galera do Passe Livre ou qualquer outra muvuca que rolasse dentro da UFSC. Era um revolucionário genuíno. Virou Che Catatau.

Eu o vi na quinta-feira, em frente ao Elefante Branco, deitado, enquanto o Encontro Nacional de Estudantes de Economia fazia pausa para o almoço. Sentei do seu lado, falei com ele e lhe afaguei a cabeça. Não imaginava que jamais o tornaria a fazer. Agora me chega a notícia de que foi encontrado morto num dos córregos que cortam a UFSC. O Catatau se foi. Nunca mais veremos sua presença rebelde, tão mais rebelde que todos nós.

Foi enterrado no lugar que mais lhe faz justiça. Ao pé da “Pira da Resistência”, monumento erguido pelos trabalhadores, numa greve da qual ele também participou. Agora viverá para sempre em frente ao Básico, passo de praticamente todas as almas que freqüentam a universidade. Da terra onde está plantado brotarão flores e no lugar onde repousa seu corpinho marrom tremula a bandeira dos Cães Piratas, em homenagem ao seu líder, o líder de todos os “perros”: Catatau!

Ninguém ainda sabe ao certo se morreu de morte morrida ou se foi morto por alguém. Mas saberemos. O Catatau era nossa alegria, nosso companheiro, nosso irmão. Sua presença querida se apagou, mas a lembrança do amado amigo seguirá viva em nós. Também é certo que nos dias de luta, os tantos que ainda estão por vir, se vislumbrará sua doce presença, passeando, curiosa, por entre nós. É duro ficar sem ele nesta universidade tão feia e triste. Mas, como todos os anjos, Catatau vive para sempre! Hasta la vitória, compañero!

O Catatau se foi

Míriam Santini de Abreu
Elaine acaba de me contar que Catatau morreu (ou mataram Catatau?). Era o mais famoso ufscão, sempre presente nas manifestações de trabalhadores e estudantes na Universidade Federal de Santa Catarina. Basta digitar "catatau ufsc" no You Tube para conferir. Enterraram o nosso cão na praça em frente à reitoria.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Honduras: um exemplo do passado para as novas gerações

Por Raúl Fitipaldi

São lembranças do passado. São alertas para o futuro. Honduras é um exemplo de que as democracias devem ser afirmadas, alimentadas com participação popular, com transparência comunicacional, com os povos se manifestando na rua, seu lugar de defesa das conquistas históricas e da transformação presente e futura. Nossas democracias, no mundo todo, e em particular na América Latina, ainda são frágeis. Funcionam ainda baseadas em um conjunto de instituições ultrapassadas, corrompidas, burguesas e antipopulares. A crise estrutural do capitalismo, só faz com que o sistema arrefeça seu ódio de classe para com os pobres e os excluídos.
É importante que as novas gerações que não tiveram que sobreviver as ditaduras dos 60/70/80 olhem para Honduras. Verifiquem através dos meios alternativos de comunicação, de TeleSUR (TeleSURtv.net) , de Rádio Globo de Honduras (http://www.radioglobohonduras.com), entre outras poucas, uma amostra grátis do que é uma ditadura da oligarquia gorila da região, do que é um ensaio inicial das novas táticas e estratégicas do Império (aliás, as mesmas de antes, empobrecidas como um veneno, pela crise). É altamente educativo que as novas gerações saibam aonde vão parar os direitos humanos, as constituições, os processos de transformação, quando as sociedades não reagem em tempo; não associam as estruturas de poder que elas mesmas acreditam escolher, com o omni-poder das multinacionais, dos bancos e de setores apátridas, títeres das velhas classes dominantes de ocidente.
Escrevo na sexta-feira 24 de julho, às 14:56 h de Brasília, quando se inicia a repressão armada contra o povo hondurenho, balas, gases lacrimogêneos, em El Paraíso, perto de Nicarágua. As pessoas gritam, estão sendo atropeladas, feridas, o povo grita, mas, não clama aos repressores não, os insulta: “GORILETTI FILHO DA PUTA”. Outra vez ficarei em vigília atrás do computador. O tempo de descansar sossegado fica para depois. A cada tantos minutos é interrompida uma coletiva de imprensa do Presidente Constitucional Manuel Zelaya, com um comunicado das forças repressivas. Se lembram seus pais? “Comunicado das Forças Armadas da Nação: ao povo d e Honduras, tantatám...” e uma marcha militar, ou um tema folclórico nacionalista. Arrepia esta cena que verei mais tarde em TeleSUR, e que agora, como nos 70 só posso escutar. Os jornalistas que não comem da mão dos oligarcas cumprem sua função. São agredidos, ficam do lado do povo, será agredidos de novo.
Como nos 70, há minutos que me sinto impotente atrás do computador, em outros, apavorado, mas, em todos os momentos, ORGULHOSO DE SER LATINO-AMERICANO! Lá vem uma nova rede dos milicos. É uma a cada meia hora. Intensifica-se o cerco contra os manifestantes que estão perto das fronteiras e nas cidades mais importantes de Honduras. Acredito que o caminho iniciado pelo povo hondurenho vai além do retorno de Zelaya. Honduras despertou a um pesadelo, merece agora sonhar com a transformação. Honduras, mais cedo que tarde, se integrará aos países que escolhem a liberdade e a soberania como horizonte. Fecho aqui, uma pessoa perdeu uma orelha e teve a boca ferida por uma bala.
Novas gerações, não precisam passar pelo que nós passamos. Fiquem alerta, o monstro está vivo. Esse fantasma respira entanto o Império existe. Utilizem o exemplo de Honduras, e comecem a marchar, o caminho nos leva a derrota do capitalismo, embora, nossa vida seja o preço. A INDEPENDENCIA PRECISA SER CONQUISTADA EM FORMA DEFINITIVA.
Sentir Ódio pelo Sistema Capitalista é a cada dia mais, Um Ato de Amor e Justiça!

Quando a palavra sustenta a farsa: o discurso jornalístico do desenvolvimento sustentável

Contatos para compra: misabreu@yahoo.com.br

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Estava demorando...

Elaine Tavares

Quem assiste TV deve se lembrar. Quando o então senador Barack Obama era candidato à presidência dos Estados Unidos havia uma espécie de “esperança” no sujeito. Era, afinal, um negro, coisa inédita naquele país, bonito, simpático, charmoso, um “democrata”. E, por conta disso, a mídia cortesã o pintava como uma novidade, aquele que iria mudar a cara dos EUA , dar uma certa leveza ao império. Bem, substituir George Bush já significava isso. Mas, entre os “arautos da desgraça” - que são os que tem olho crítico e conhecem a história – já se vaticinava. “Não haverá novidades. Os democratas não se diferenciam dos republicanos em quase nada, a não ser talvez numa certa simpatia tal como se pode encontrar em Carter, Clinton e agora em Obama”. Havia a certeza de que as coisas não mudariam.. Bem, aí está o cenário latino-americano se redesenhando na era Obama. E aquilo que Bush, na sua truculência não conseguiu, o jovem charmoso parece lograr.

George Bush saiu de cena com um grande osso na garganta: a Venezuela bolivariana. Durante todo seu mandato não havia conseguido dobrar o país de Bolívar, comandado agora por Hugo Chávez. Este, por sua vez, foi comendo o mingau pelas beiradas. Colocou água no plano da ALCA, desestabilizou alguns Tratados de Livre Comércio bilaterais, criou a PetroCaribe, amealhou aliados como a Nicarágua, a Bolívia, o Equador e conseguiu com que alguns dirigentes auto-denominados à esquerda se aliassem em algumas propostas pontuais dentro da lógica da ALBA, o contraponto da proposta estadunidense. Era um avanço e tanto no território de poder dos Estados Unidos que, por seu lado, andava atolado nas guerras do Afeganistão e do Iraque, que ainda não logrou concluir em face da resistência heróica do povo, que podia até não querer os talibãs ou Sadam, mas também não quer nenhum governo de dominação.

Pois agora com a chegada de Obama, os Estados Unidos tentam recuperar as rédeas da sua reserva estratégica de riquezas, a América Latina. E, para isso, nada melhor do que uma boa e velha receita, tantas vezes já utilizada em momentos de tentativas de rebelião da massa do “quintal”: o golpe militar. Assim, ao contrário do que fizera Bush, que tentara desalojar Chávez em seu próprio país, num golpe de estado articulado pela mídia e pela classe dominante, a jogada do governo Obama é muito mais inteligente. Organiza e leva a cabo um golpe militar numa pequena república da América Central, periférica ao território “rebelde”, mas com algumas ligações políticas capazes de levantar a fúria dos seus aliados. Escolhe Honduras, governada por um latifundiário bem intencionado que já se atrevera a realizar negócios com a Venezuela, buscando melhorar a vida do povo hondurenho.

Manuel Zelaya começou a orbitar o caminho da alternativa bolivariana quando acordou entrar para a PetroCaribe e realizou negócios de compra de petróleo em condições bastante justas e vantajosas para seu país. Foi o que bastou para ficar na mira do império. Assim, quando acenou com a possibilidade de consultar o povo sobre uma mudança constitucional, veio o golpe. Claro, querer ouvir o povo era um pouco demais.

Agora o império se rearticula na América Latina. Dá uma boa lição nos pequenos que tentam fugir de sua órbita, acusa o governo do Equador de ligações “obscuras” com as FARC e acena com a possibilidade de criar várias outras bases militares na Colômbia, uma vez que está para perder a que tem no Equador. Assim, vai cercando os seus potenciais inimigos – Venezuela e Equador – e recuperando o controle na região. É uma grande ofensiva estadunidense o que se vê desde o golpe de Honduras. Nas declarações de seus governantes, o que fica claro é que a única legalidade possível em Honduras é o não retorno de Zelaya. Pode até haver novas eleições, mas sem Zelaya. Ora, isso é apoio explícito ao golpe.

Por conta destes novos movimentos no xadrez político a América Latina está em estado de alerta. Os ataques contra os governos orientados ao socialismo vão recrudescer e isso fica claro nas notícias dos jornais e na histeria dos jornalistas a soldo. Basta ver como tratam a questão do Equador, os conflitos na Bolívia e as posições da Venezuela. A política imperialista dos Estados Unidos segue, portanto, tão dura quanto sempre foi. A diferença é que agora quem a comanda é um jovem negro, charmoso, bonito, sorridente e bom bailarino. Não é à toa que Luiz Inácio, o presidente brasileiro, o tenha convidado para uma pescaria no Pantanal. Tristemente, nosso país está mais para capacho do que para território soberano, e certamente ainda se prestará a sujos papéis neste jogo que recomeça.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O esporte mata!

Miriam Santini de Abreu

Cada vez que recebia a Caros Amigos, eu buscava, faminta, a coluna de José Róiz. O médico mineiro dizia coisas atrevidas nesse tempo de espetacularização do esporte, de culto aos músculos e às dietas de todo tipo. Mais ainda: ele falava de como bem viver. Morreu em 2003, para lá da curva dos 80, magrinho e sábio. E deixou tudo que ensinou em livro – um dentre outros escritos – republicado pela editora Casa Amarela, com o título Esporte mata! (São Paulo: Editora Casa Amarela, 2004. 178 pp.). Indiferente às críticas que recebia e avesso a sensacionalismos, Róiz afirmava: "O homem não foi feito para correr."
Róiz ensinava que nenhum adulto com mais de 25 anos deve fazer exercício violento, mas também não pode ter vida sedentária. O melhor é simplesmente caminhar, e muito, e dançar, hábito que preserva o vigor do corpo e da mente. Além disso, o médico só recomendava o vôlei, mas nunca o competitivo, aquele do atleta. Jogando vôlei, a pessoa caminha e faz as quatro ginásticas que Róiz considera necessárias – aquelas que contraem os músculos posteriores, situados ao longo da coluna vertebral.

"Grife globalizada"
Muitos escritos do médico mostram sua preocupação com o tipo de alimento consumido na vida moderna. Embora não fosse vegetariano, sugeria que as pessoas evitassem a carne, especialmente por causa de doenças como a da "vaca louca". Para ele, a melhor refeição possível é feijão comum com carne de soja moída, acompanhada de uma fonte de vitamina C, como as frutas cítricas, podendo se substituir metade da mistura por um pouco de arroz e verdura. E o ideal, adotando ou não essa refeição, é ingerir uma pequena quantidade de alimento, evitando o excesso de proteínas, em intervalos de duas horas e meia. Isso estimula a produção de insulina, que "limpa" o sangue, enviando para os tecidos a glicose, a gordura e os aminoácidos das proteínas. Bem nutridas, as células do corpo ficam mais capazes de produzir anticorpos contra as doenças.
Róiz sempre dizia que não teria escrito o livro se não fosse pelo seguinte: a humanidade se divide em dois grupos, os longevos e os não-longevos. Nos longevos, que vivem mais, a insulina predomina sobre o glicocorticóide, um dos hormônios do estresse. Nos não-longevos, acontece o contrário. O problema é que os longevos são feitos de um "barro especial", são minoria. A maioria tem dificuldade para nutrir todas as células do organismo. Assim, praticar esportes, se estressar e produzir mais e mais glicocorticóide vai piorar a situação, especialmente se a pessoa praticar musculação ou corrida e ainda tiver problemas de coluna ou de coração. Gilberto Felisberto Vasconcellos, que faz o prefácio do livro, resume bem o pensamento de Róiz: "Foi contra a grife globalizada do mundo: esporte não é vida. Nem saúde."

Universidade com estudantes

Elaine Tavares

Mês de julho é tempo de férias na UFSC, e tempo de solidão. Os lugares ficam vazios, não há risos de moços, falta alegria e poucos trabalhadores circulam pelo campus. Há os que gostam, acreditando que os estudantes são os que atrapalham a vida por aqui. Eu não. Gosto é do cheiro e do sabor da juventude vibrante, que ri por nada, que grita, que sonha em voz alta, que desaloja, que perturba a ordem. Eu me alimento é disso e é, talvez, o que me faz seguir vivendo neste lugar onde quase tudo mumificou.

Por isso que nesta segunda semana de julho o riso assomou outra vez na minha cara triste de férias escolares. De repente, pelas janelas do Centro Sócio-Econômico, saltaram as toalhas de coloridas formas e desenhos. Pelos corredores pulularam as barracas de camping e pelas escadas se ouviu o riso cristalino dos jovens em marcha. Aquele frescor de quem tudo ainda tem por conquistar. É que aconteceu o encontro nacional dos estudantes de economia e, pasmem, a universidade permitiu que eles ficassem acampados dentro dos prédios.

Disse pasmem porque até pouco tempo os centros de ensino da UFSC negavam sistematicamente que se permitisse a realização de encontros, com gente circulando e dormindo nos prédios. Era aquela visão mumificada, de medo do jovem, de medo da “desordem”, de medo do novo. Foi preciso muita conversa, muita luta para que a universidade fosse outra vez devolvida aos estudantes. Afinal, não são eles as criaturas mais importantes nesta casa de saber?Pois no cotidiano não é o que parece. Posso ver agora, nestes dias de agitação popular pelo CSE. Alguns trabalhadores torcem o nariz. “Eles sujam tudo”. Outros professores nem aparecem. “Está um caos”. Mas quem aqui está e ama esse turbilhão se compraz, sorvendo a vida que floresce entre Marx, Smith, Ricardo, Friedman e outros que tais...

Universidade devia ser isso. Muita gente, grandes debates, música, risos, festas e grupos de discussão. E as pessoas deveriam amar isso tudo, aprender, conhecer, partilhar, sem pressão nem opressão.