domingo, 5 de julho de 2009

A Novembrada em vídeo


Vale a pena conferir o trabalho de conclusão do curso de jornalismo da colega Ana Carla Pimenta. Trata-se de um documentário em vídeo sobre os 30 anos da Novembrada. A apresentação será nesta segunda, 6 de julho, às 20 horas, no Auditório do Palácio Cruz e Sousa.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Na greve, fique em casa!

Elaine Tavares

Quando o capitalismo começou era assim. Os ricos montavam fábricas e os trabalhadores se amontoavam em volta delas com suas choças, as quais só serviam para dormir,uma vez que eles ficavam mais de 18 horas no trabalho, inclusive suas mulheres e filhos. Depois, com o passar do tempo e o crescimento das cidades, os lugares onde o comércio vicejava passaram a ser reconhecidos como zonas nobres e uma nesga de terra nestas áreas encareceu demais.
É por isso que nas grandes cidades os trabalhadores, no mais das vezes, moram sempre longe de seus locais de trabalho. As regiões nobres se enchem de comércio e prédios de primeira classe e os pobres vão sendo afastados para o interior, os bairros, as encostas dos morros e, até, para municípios vizinhos. Em Florianópolis, por exemplo, um aluguel perto da universidade federal, zona nobre, não é coisa para trabalhador. No centro, nem pensar. Bairros como o Estreito, Coqueiros e Costeira, que ficam bem próximos do centro, também são caros.
Não é à toa que o transporte coletivo seja tão necessário. Ele serve para levar e trazer os trabalhadores que se deslocam de grandes distâncias para exercer seu ofício. Em Florianópolis, são mais de 200 mil pessoas nos ônibus todos os dias. Portanto, o transporte coletivo deveria ser responsabilidade dos patrões, dos que sugam a mais-valia daqueles que vendem sua força de trabalho. São os patrões que deveriam se estressar no caso de uma greve de ônibus, como a que vivemos agora na capital. Mas, em vez de vermos os magnatas se desesperando, o que a gente vê? Trabalhadores brigando uns com os outros pelo lugar numa van. Gente xingando os grevistas - trabalhadores como eles - porque estão lutando por vida digna.
O caos entre os usuários do transporte se instala, as ruas ficam cheias de gente que anda quilômetros para chegar no local de trabalho, que se desespera. Enquanto isso, nas mansões, nas casas chiques, ninguém sequer sabe o que acontece. Os patrões e seus agregados seguem com suas vidas mansas sem nem se importar. Os donos dos ônibus recusam aumentos pífios aos trabalhadores e ameaçam com aumentos na passagem. A prefeitura se dispõe a encher as burras dos empresários, sempre mais e mais, sem se decidir a encampar o transporte público como coisa pública de fato. E assim vamos nós até a próxima greve.
Penso que o melhor seria todo mundo ficar em casa. Descansando, lendo, fazendo tricô, comendo pinhão. Os trabalhadores deveriam dar seu apoio aos que estão lutando, fazendo os que lhes sugam o sangue diariamente ver que eles também são importantes no processo de produção. Ficar em casa, deixar a rua vazia, o comércio parado, as fábricas e as repartições vazias. Aí os jornalistas de aluguel fariam suas matérias alarmistas sobre como "a economia parou" e os patrões tremeriam diante da queda dos lucros e pressionariam os colegas donos de empresa de ônibus a ceder. Ninguém mais do que os empresários defendem o direito de ir e vir dos trabalhadores, não é mesmo? Nem que seja só para o eterno girar na mó da escravidão...
Estas greves, sempre a me ensinar...

Sobre o golpe de Estado em Honduras

O coletivo da Pobres e Nojentas repudia veementemente o golpe de Estado em Honduras e se solidariza com o povo hondurenho na luta por liberdade, dignidade e soberania.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Para entender o golpe em Honduras

Elaine Tavares
De repente, um pequeno país da América Central, cuja capital poucos conseguem pronunciar o nome, Tegucigalpa, virou notícia mundial. Uma velha e conhecida história ali se repetia, quando mais ninguém acreditava que isso pudesse ser possível. Um golpe de estado contra um presidente que não é nenhum revolucionário de esquerda, pelo contrário, é um bem comportado político do partido liberal. O motivo do golpe é pueril: a decisão do presidente de fazer uma consulta popular sobre a possibilidade de uma Constituinte. Em Honduras, ouvir o povo é considerado um ato de lesa pátria. Nada poderia ser mais anacrônico nestes tempos de particpação protagônica das gentes.
A história
Honduras é um pequeno país da América Central cuja história é muito peculiar. Primeiro, porque foi o berço de uma das mais incríveis civilizações desta parte do mundo: os maias. E segundo, porque durante as guerras de independência que tomaram conta da américa espanhola, foi ali que se criou a República Federal das Províncias Unidas da América Central, um ensaio da pátria grande, tão sonhada por Bolívar. Os maias foram dizimados e a proposta de federação não resistiu ao sonhos de grandeza de alguns e, em 1838, a região da América Central também balcanizou. Honduras virou um estado independente e acabou entrando no diapasão das demais repúblicas da região: dominada por caudilhos e fiel serviçal das grandes potências da época, tais como a Inglaterra, a Alemanha e a nascente nação dos Estados Unidos.
As ligações perigosas
Como era comum naqueles dias, a elite governante se digladiava entre liberais e conservadores. Com o fim da idéia de federação e a morte do liberal Francisco Morazón, considerado o mártir de Tegucigalpa, que morreu em 1842 ainda lutando pela unificação da América Central, os conservadores assumiram o comando e o país virou prisioneiros da dívida externa, conforme conta o historiador James Cockcroft, no livro América Latina e Estados Unidos. Os liberais só voltaram ao poder no final do século XIX, mas já totalmente catequisados para viverem de maneira dependente dos países centrais. No início dos século XX chegaram as bananeiras estadunidenses e com elas o processo de super-exploração. A United Fruit Company, a Standart Fruit e a Zemurray´s Cuyamel Fruit passaram a comandar os destinos das gentes. E quando estas tentaram se rebelar, foi a marinha estadunidense quem desembarcou no país para aplastar as mobilizações. Honduras virou, desde então, um país ocupado. Os camponeses trabalhavam nas piores condições e as bananeiras ditavam as leis, financiando os dois partidos políticos locais.Nos anos 30, quando uma grande depressão agitou o país, o governante de plantão, General Carías, submeteu o país, com a ajuda armada estadunidnese, a 16 anos de lei marcial. E, como é comum, quando ficou obsoleto, foi retirado do poder por um golpe.
Em 1950, depois da segunda guerra, as bananeiras exigiram mudanças e o Banco Mundial foi chamado para promover a “modernização” de Honduras. Gigantesgas greves de trabalhadores – como a dos plantadores de banana que parou o país por 69 dias - e de estudantes foram aplastadas em nome do desenvolvimento. E tudo o que eles queriam era o direito de ter um sindicato. Havia eleições mas, na verdade, com uma elite claudicante eram os militares quem davam as cartas e foram eles, apavorados com os avanços dos trabalhadores, que assinaram um acordo com os Estados Unidos para que este país pudesse ter bases militares no território hondurenho.
O medo de mais revoltas populares fez com que o governo realizasse uma espécie de reforma agrária nos anos 60 e 70 que acabou freando as mobilizações no campo, embora o benefício não tenha chegado a um décimo dos camponeses. Ao longo dos anos 70 os escândalos envolvendo generais no governo e as bananeiras se sucederam, causando mais mobilização nas cidades e nos campos, onde ostrabalhadores já se organizavam de modo mais sistemático. Mas, os anos 80 trarão um nova ocupação estadunidense que acabou subordinando a vida das gentes outra vez.

Os sandinistas e os EUA
Os anos 80 são tempos de guerra fria. Os Estados Unidos insistem na luta contra Cuba e também contra a Nicarágua que busca sua autonomia através da revolução sandinista. E, assim, com o mesmo velho discurso de combater o comunismo, Jimmy Carter manda para Honduras os seus “boinas verdes”, para ajudar na defesa das fronteiras, uma vez que o país faz limite com a Nicarágua. Além disso, os EUA abocanham mais de três milhões de dólares pela venda de armas e alugel de helicópteros. Na verdade, lucram e ainda usam o exército hondurenho para realizar numerosas matanças de refugiados salvadorenhos e nicaraguenses. É ali, em Honduras, que, com o apoio da CIA, se leva a cabo o treinamento dos contras que, por anos, assolaram a revolução sandinista e o próprio governo revolucionário. Era o tempo em que um batalhão especial liderado por um general hondurenho anti-comunista, promoveu massacres contra lideranças da esquerda de toda a região. E assim, durante toda a década, apesar dos escândalos políticos e mudanças de mando, a “ajuda” estadunidense aos generias de plantão sempre se manteve impávida com milhões de dólares sendo investidos nos acampamentos dos contras, que somavam mais de 15 mil soldados.
Nos anos 90, a situação em Honduras era tão crítica que até a conservadora igreja católica passou a apoiar os militantes dos direitos humanos que denunciavam estar o país a beira de uma guerra. A derrota dos sandinistas na Nicarágua refreou os ânimos, mas ainda assim, seguiram as denúncias de assassinatos e violações. No final da década, os governos neoliberais já haviam destruido as cooperativas de trabalhadores e devolvido terras às companhias estadunidenses. Nada mudava no país.

Zelaya
Manuel Zelaya foi eleito presidente em 2005, pelo Partido Liberal, mas esteve em cargos importantes durantes os últimos governos. Era, portanto, um homem do sistema. Seus problemas com os Estados Unidos começaram em 2006, quando decidiu reduzir o custo do petróleo, passando a discutir com Hugo Chávez, da Venezuela, a possibilidade de negócios conjuntos, o que acabou culminando, em janeiro de 2008, com a entrada de Honduras na órbita da Petrocaribe, um acordo de cooperação energética que busca resolver as assimetrias no acesso aos recursos energéticos. Este acordo incluiu Honduras na lógica da ALBA, a Alternativa Bolivariana para as Américas, projeto de Chávez em contraposição à ALCA, que tentava se impor a partir dos Estados Unidos. A proposta de Chávez foi a de vender o petróleo a Honduras, com pagamento de apenas 50%, sendo a outra metade paga em 25 anos, com um juro pífio, permitindo assim que Honduras investisse em áreas sociais. O plano, apesar de bom para o país, foi duramente criticado pela classe política. E os Estados Unidos perderam um parceiro de TLC (os mal fadados acordos de livre comércio), o que provocou tremendo mal estar em Washington. Assim, quando o presidente Zelaya decidiu fazer um plebiscito, consultando a população sobre a possibilidade de uma Assembléia Nacional Constituinte, e não apenas de uma mudança para um novo mandato como dizem alguns veículos de informação, o mundo veio abaixo. Entre os direitistas de plantão e amigos da política estadunidense, isso era influência de Chávez. O próprio partido Liberal reacinou contra a medida, considerada “progressita” demais. Afinal, uma nova Constituinte colocaria o país num rumo bastante diferente do que vinha sendo trilhado nas últimas décadas. Mesmo assim o presidente levou adiante a proposta de ouvir a população e acabou exonerando o chefe do Estado Maior, general Romeo Vásquez Velásquez, quando este se recusou a distribuir as cédulas para a votação. A Corte Suprema votou contra a consulta popular e exigiu que o presidente reconduzisse o general ao seu posto, o que foi negado. Por conta disso, no dia da votação, domingo, dia 28, os militares prenderam Zelaya, o sequestraram e o levaram para Costa Rica, coincidentemente seguindo os mesmos trâmites do golpe perpetrado contra Chávez em 2001. O Congresso hondurenho chegou a discutir até a sanidade mental do presidente e, no dia do golpe, se prestou a ler uma fictícia carta de renúncia, imediatamente desmentida pelo próprio presidente desterrado. Ainda assim, o Congresso decidiu instituir o presidente da casa, Roberto Micheletti, como presidente da nação. Este, nega que esteja assumindo num momento de golpe. “Foi perfeitamente legal a ação do Congresso”, dizia, e, enquanto isso, mandava suspender os sinais de televisão e os telefones.

Reação Popular
Agora estão jogados os dados. O presidente Zelaya disse que volta a Honduras nesta quinta-feira e vai acompanhado de presidentes de nações livres e amigas, tais como Equador e Argentina. O mundo inteiro repudiou o golpe e nenhum país reconheceu o governo golpista. A população deflagrou greve geral no país e, aos poucos, as grandes cidades estão parando. A proposta de Zelaya é reassumir e terminar o seu mandato. Não se sabe se ele vai insistir na consulta popular para uma nova Constituição, tudo vai depender da correlação de forças. Se a sua volta se der a partir da mobilização popular, haverá condições objetivas de apresentar esta proposta aos hondurenhos, além de purgar toda a camarilha que buscou reavivar um passado que as gentes de Honduras não querem mais. Há rumores de que políticos da direita estejam alinhavando um acordo, permitindo a volta do presidente, mas exigindo que ninguém seja punido. Se assim for, a volta será derrota.
O cenário mais provável é que, configurado o apoio popular e também o apoio da comunidade internacional, o presidente Zelaya coloque para correr os golpistas e inaugure um novo tempo em Honduras. Caso seja assim, enfraquece o domínio dos Estados Unidos na região e cresce o fortalecimento da Aliança Bolivariana dos Povos de Nuestra América.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sobre a situação em Honduras

AJUDEM A CORTAR O CERCO MEDIÁTICO.
VIVA HONDURAS
VIVA MORAZÁN
VIVA JACOBO ARBENZ

http://www.radioglobohonduras.com/
http://www.radiomundial.com.ve/yvke/
http://www.telesurtv.net

Casa de água, 25 anos de poesia de Fernando Karl

A editora Letradágua está lançando Casa de água, uma edição comemorativa dos 25 anos de produção poética do escritor catarinense Fernando José Karl, autor do blog Nautikkon e colaborador da revista Pobres & Nojentas.
Nessa antologia também foram incluídos 30 desenhos de sua autoria.
Eis os títulos que compõem o Casa de água:

1. Tema para romance
2. No verão amadurecem os chapéus
3. Desenhos mínimos de rios
4. Diário estrangeiro
5. Travesseiro de pedra
6. Brisa em Bizâncio
7. Se eu mesmo fosse o inverno sombrio.

Quem quiser adquirir o livro pode entrar em contato com o Antonio, dono do sofisticado Sebo Dom Quixote, na cidade de São Bento do Sul/SC, e solicitar um exemplar a ele através do contato@sebodomquixote.com.br ou do telefone: (47) 3633-5365.

Detalhe: Casa de água só pode ser encontrado no Sebo Dom Quixote. O preço do exemplar é de R$ 30,00 + o valor do impresso registrado (que custa mais ou menos R$ 4,00). Isso significa que, por apenas R$ 35,00, você pode levar para casa 25 anos de dedicação ininterrupta à arte de escrever.

Protesto de estudantes em Itajaí

Durante a passagem do presidente Lula por Itajaí, litoral norte catarinense, no dia 26 de junho, estudantes da Univali se juntaram à manifestação dos trabalhadores da Previdência Social. Mais um protesto contra a decisão do STF em relação ao fim da obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão de jornalista. Foto de Marcela Cornelli.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Queremos o nosso diploma de volta!

Faixa afixada na entrada do curso de Jornalismo da UFSC

A sociedade precisa entender o que os ministros do STF não entenderam: o diploma de Jornalista NÃO impede a livre manifestação do pensamento e a liberdade de expressão.

O QUE DIZ A LEI?

1 - A Constituição Federal garante a todos os brasileiros, sem quaisquer impedimentos, o direito à livre manifestação do pensamento e à liberdade de expressão, independentemente de censura ou licença. Isto está no artigo 5º da lei maior do país. São direitos que não podem ser impedidos por qualquer barreira de ordem social, econômica, religiosa, política, profissional ou cultural. É O DIREITO DE PENSAR E DE DIZER O QUE QUER QUE SEJA.
2 - Mas a questão que tem a ver com a profissão de jornalista trata da liberdade do exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, ou, simplesmente, liberdade de profissão. Não se pode confundir liberdade de manifestação do pensamento ou de expressão com liberdade de profissão. Quanto a esta, a Constituição assegurou o seu livre exercício, desde que atendidas as qualificações profissionais estabelecidas em lei. Isto também está no artigo 5º. A Constituição não deixa dúvidas, portanto, de que a lei ordinária pode estabelecer as qualificações profissionais necessárias para o livre exercício de determinada profissão.
3 - O Decreto-Lei n. 972/69, que trata da nossa profissão e prevê o diploma, NÃO impede a liberdade de trabalho, liberdade de expressão e manifestação de pensamento. A legislação até permite a figura do colaborador, que não é necessariamente jornalista, mas pode escrever no jornal e na revista e falar no rádio e na televisão para dar opiniões sobre qualquer assunto. Basta ligar a TV ou abrir os jornais e revistas para observar as colunas e os artigos de opinião escritos por médicos, professores, advogados, sindicalistas, lideranças comunitárias. ISSO SEMPRE ACONTECEU. MAS ISSO NÃO É JORNALISMO!

O QUE É O JORNALISMO?

O jornalista diplomado também pode dar opiniões no jornal, na revista, no rádio e na TV. As charges, por exemplo, em que aparecem temas e pessoas públicas, também são formas de opinião e fazem parte do jornalismo. Mas o jornalismo é muito mais do que isso!

1 – Para falar sobre os fatos que acontecem em todos os lugares, o jornalista não pode se limitar a dar uma opinião, como fazer os colaboradores que SEMPRE puderam escrever e falar no rádio e na televisão. O jornalista precisa ir até o local onde aconteceu o fato, ouvir as pessoas envolvidas nele, ler sobre o assunto para melhor compreendê-lo e, aí sim, escrever o texto para o jornal e mostrar as imagens na televisão, falando sobre o significado delas a partir do que viu, ouviu e pesquisou.

2 – É claro que um advogado também precisa ouvir as partes. É claro que um médico também precisa fazer pesquisa. Mas o resultado desse trabalho é comunicado a outros advogados e outros médicos. Isso quer dizer que a produção desse conhecimento NÃO ATINGE a população como um todo. Ela geralmente fica restrita ao meio onde é produzida. Já o trabalho do jornalista busca deixar informado o maior número possível de pessoas.

3 – A tecnologia, como a internet, os blogs, permite que qualquer pessoa, jornalista ou não, tendo acesso os meios necessários, produza fotos, colha informações e dê opiniões. Mas o jornalista tem o papel de fazer isso de forma interpretada e crítica. Isso quer dizer que ele busca, no fato individual, o que esse fato significa para quem o gerou e para quem se envolveu nele. Essas são as FONTES do jornalista, as pessoas. Mais do que isso, porém, ele busca saber o que aquele fato individual significa no processo histórico. O jornalista, depois de ir até o lugar onde o fato aconteceu, ouvir as pessoas e narrar o que viu, ouviu e leu, faz a ponte entre o lugar e o mundo, entre um fato isolado e o que ele representa na história. Com esse conhecimento, as pessoas podem compreender o mundo, tomar decisões, mudar o que é necessário.

4 – Tudo o que você vê, ouve e lê a respeito de outros lugares do mundo, na maior parte das vezes, é produzido por um jornalista, que foi até lá e trouxe a informação para você. Esse profissional é um trabalhador, e, como tal, está submetido aos interesses dos patrões. Está submetido à luta de classes. Sem o diploma, essa luta, que também travamos todos os dias, ficará ainda mais difícil, porque agora está sem regulamentação. Por isso, queremos nosso diploma de volta, e vamos lutar por ele.

CAI O DIPLOMA (POR ENQUANTO). MAS NÃO O JORNALISTA!

PRECISAMOS DE VOCÊ NESTA LUTA!

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SANTA CATARINA

domingo, 28 de junho de 2009

Defesa da profissão na capa

Vale a pena conferir a iniciativa dos jornalistas do Jornal da Manhã, de Criciúma, que marcaram posição na capa do jornal de 18 de junho contra a decisão do STF. Ver em

Jornalistas de SC vão lutar pelo diploma

Depois de Assembléia Geral no dia 24 de junho, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina definiu o rumo da luta a partir do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Considerou-se o seguinte contexto:

1 A votação do STF definiu sobre: o fim da exigência do diploma para o exercício da profissão. Com isso também cai a necessidade de registro e acaba com boa parte da regulamentação da profissão;

2 Os argumentos do STF alegando que a exigência do diploma barra a liberdade de expressão é um equívoco. A liberdade de expressão está relacionada ao direito que qualquer um tem de escrever um texto, fazer um blog, um comentário, etc... emitindo uma opinião. Já o jornalismo configura uma profissão que exige um conhecimento específico;

3 Entre os juristas, incluindo a assessoria jurídica do Sindicato, há uma dúvida sobre se o STF entende que acabou com toda a regulamentação, ou se seguem valendo os demais artigos da lei que atualmente regulamentam a profissão;

4 Por conta disso há um certo vazio de compreensão até que saia em definitivo o Acórdão do STF, com o voto definitivo e por escrito;

5 O Acórdão demora até 60 dias para sair e até lá muitas são as lutas que se podem travar para recuperar o que foi perdido;

6 Em visita à Secretaria Regional do Trabalho (SRTE) fomos informados de que, até que saia o Acórdão com a decisão oficial do STF, a secretaria não fará o registro de nenhum jornalista que não apresente o diploma.

Discutido este cenário a AG decidiu pelas seguintes ações:

. Iniciar uma luta tática pela retomada da exigência do diploma estabelecendo isso como prioridade no momento

. Realizar ação entre os deputados estaduais e federais para que se manifestem pela exigência do diploma e pela necessidade da construção de uma Emenda Constitucional que garanta isso;

. Realizar ação junto aos vereadores das cidades para que também se manifestem;

. Atuar junto aos movimentos sociais, sindicatos e instituições para que apóiem a luta pela exigência do diploma;

. Atuar junto aos CAs e UCE para que os estudantes possam ser informados de tudo o que acontece e possam se mobilizar;

. Fazer faixas para afixar nas universidades onde há cursos de jornalismo, em defesa da exigência do diploma;

. Definir em documentos o que é liberdade de expressão e o que é jornalismo, estabelecendo as diferenças.

Mobilização:

. O coordenador do curso de Jornalismo da Estácio de Sá, Paulo Scarduelli, assumiu o compromisso de afixar faixas e discutir a questão em todas as bancas de TCC que se realizam entre os dias 29 de junho e 6 de julho, sugerindo que o mesmo seja proposto aos demais cursos;

. Definiu-se que a aula inaugural do Curso da Estácio de Sá, no semestre que começa no dia 27 de julho, terá o tema diploma como discussão;

. Serão pensadas pela direção do Sindicato algumas ações de rua para expressar a luta dos jornalistas;

. Levar para a reunião do dia 17, em Brasília, a decisão de Santa Catarina que é a de priorizar a luta pela retomada da exigência do diploma ao exercício da profissão. Os trabalhadores entendem que, neste momento, outras divergências que possamos ter com relação a outros pontos da regulamentação devem ficar em suspenso. A necessidade agora é a de buscar uma união tática para reverter a decisão do STF;

. Também foi aprovado levar a proposta de que a FENAJ assuma o protagonismo nesta luta, impedindo assim que deputados ou senadores oportunistas se aproveitem do momento para inventar leis que não sejam as pretendidas pela categoria.

“Uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão ...”*

Li Travassos, de Florianópolis

Neste dia 25 de junho de 2009, morreu, como você já deve estar cansado/a de saber, o cantor, compositor, dançarino e ícone da música pop, Michael Jackson. Pretendendo retomar a carreira depois de uma longa pausa, gerada por uma série de escândalos e situações não esclarecidas, Michael havia informado que iniciaria a que seria sua última turnê . Contudo, os cinquenta shows que deveriam marcar os seus 50 anos de vida não aconteceram. Overdose de analgésicos a base de morfina? Suicídio? “Saio da vida para entrar na história”? Ainda não sabemos, mas podemos desconfiar.
Sem pieguices , creio que esta morte é um clássico exemplo do 'morreu, descansou'. Com uma vida que foi um filme de terror classe B, Michael teve tudo que o dinheiro pode comprar , mas jamais foi feliz de fato . Anos atrás , La Toya Jackson , irmã de Michael, provocou um imenso escândalo na mídia , ao escrever sobre sua infância e família , e dizer que o pai levava os 'Jackson Five' com mão de ferro , além de acusá-lo de pedofilia. Michael teria então negado a pedofilia do pai ( até Freud o fez, quem não haveria então de?). Mas as acusações de pedofilia sobre ele mesmo parecem desmenti-lo.
Mas aqui vamos dar uma parada , para diferenciar quem tem relações sexuais com crianças , o que constitui, quero crer que por toda a parte , crime de pedofilia, e quem é realmente pedófilo. A meu ver , a maioria esmagadora das pessoas que têm relações com crianças e adolescentes não é pedófilo, mas apenas um psicopata . Quer se dar bem , e vai aproveitar qualquer oportunidade de abusar sexualmente de quem quer que seja. Não precisa ser criança , serve uma mulher indefesa , um rapaz mais fraco , qualquer um que possa ser dominado, numa conduta de animal irracional , de seres sem lei ou moral , de quem gosta de ' levar vantagem em tudo '. Este me parece o caso daquele médico brasileiro , lembra? Um que só atendia adolescentes , os anestesiava, tinha relações com eles desacordados , e ainda por cima filmava tudo e vendia as fitas ... Já o pedófilo, muito mais raro , é alguém seriamente doente , que não cresceu psicologicamente e não desenvolveu sua sexualidade de forma normal .
Em algum dos exaustivos momentos de discussão sobre Michael na mídia nestes dias 25 e 26, aparece uma entrevista onde ele é questionado sobre ser virgem . Bueno, eu não duvido nada de que tenha morrido virgem . E os filhos ? Inseminação artificial , todos os três . E o casamento com Lisa Marie Presley? Por isso mesmo não deve ter dado certo . O homem pedófilo dificilmente consegue ter uma relação sexual completa , seja com alguém do sexo oposto , seja com alguém do mesmo sexo . O que quer é carinho , aconchego , talvez um pouco de contato mais sensual , mas de forma absolutamente infantil . Ao que se sabe, não raro o pedófilo foi vítima de abuso sexual . E parece que ficou preso lá , naquela idade , numa espécie de Terra do Nunca . Talvez porque o abuso sexual , por incrível que pareça, tenha sido o único tipo de atenção que recebeu (no caso , do pai ), a única maneira com que conseguia se sentir importante para aquela pessoa que dele abusou. Se nem todo pedófilo foi vítima de abuso , então deve haver algum outro motivo para a pessoa ficar presa lá atrás . Verdade que , mesmo sendo vítimas , os pedófilos podem acabar vitimando uma série de crianças . E que , talvez , a única solução seria afastá-los do convívio social . Mas não se pode imaginar que um pedófilo é realmente uma pessoa má. É apenas uma pessoa doente , que pode vir a fazer mal para os outros por conta disso.
Tendo começado a trabalhar com apenas cinco anos , Michael foi a prova mais absoluta de que o trabalho infantil , mesmo na arte , mesmo na mídia , mesmo que leve a sucesso e fortuna , é, na maioria esmagadora dos casos , um gerador de problemas pessoais , por vezes insolúveis . ' Lá vem ela de novo ', dirão os que já leram, neste mesmo espaço , meus dois outros textos sobre trabalho infantil , um deles, inclusive , sobre o trabalho infantil na mídia . Sim , lá vou eu de novo , quem manda a vida me dar munição ?
Ás vezes penso que deve ter alguém por aí louco para me perguntar : 'E se o pai do Mozart tivesse dito para ele ir brincar no sol , e parar de perder sua infância compondo aquelas musiquinhas, hein , hein ?'. Então , respondo eu , seria muitíssimo bom para ele , e uma pena para mim , que amo a música de Mozart de paixão , especialmente o Réquiem , que ele compôs para seu pai extremamente tirano , e este pai aí da sua suposição , preocupado com o sol , e tal , não me parece motivador de tal expurgo artístico . O que consola é que , posto que o pobre Wolfgang Amadeus morreu na miséria , deduz-se que o Mozart pai , que morreu antes ainda , não tenha ganhado uma fortuna às suas custas , o que não se pode dizer do pai de Michael Jackson. Mas , em resumo , é esta a questão : trabalho infantil , mesmo que seja com arte , é bom para quem dele usufrui, é ruim para quem nele atua.
E sabe o que lavou minha alma ? Um destes programas que hoje ( dia 26) não parou de falar da morte de Michael Jackson foi o ' Estúdio i', da Globo News, apresentado por Maria Beltrão. Que tinha como um dos convidados o maravilhoso ator Selton Mello. Que começou, também , a trabalhar quando criança . E Maria Beltrão me solta uma pérola mais ou menos assim ( depois de cenas de Michael dizendo o quanto trabalhar na infância era terrível ): Ficam dizendo que não é bom começar a trabalhar desde pequeno , mas eu não acho, e temos aqui um bom exemplo de que começar a trabalhar cedo não faz mal nenhum , não é Selton? Ao que esta criatura iluminada responde, daquele seu jeito característico , falando molinho, mais ou menos assim : Olha , eu comecei a trabalhar cedo porque eu quis, meus pais não me obrigaram a nada , só me apoiaram, mas eu não acho legal e não recomendo. Há! Mais para a frente , quando se discutia o vício de Michael por analgésicos , Selton falou de ter sido viciado em remédios para emagrecer . Vício que acabou sendo conseqüência do fato de Selton Mello não seguir , fisicamente falando, o padrão de beleza imposto pela mídia (a meu ver ele se parece, em vários sentidos , com outro ator maravilhoso e também fora deste padrão , que é Cássio Gabus Mendes...). Mas enfim , será que se Selton tivesse começado mais tarde teria passado por isso ? Fora que não acredito que seja apenas esta sua questão com o trabalho precoce ...
Ainda no programa ' Estúdio i', contudo , tive o imenso desprazer de ouvir um médico psiquiatra , que se diz psicanalista , o senhor (de 68 anos ) Luiz Alberto Py, começar a dizer que , hoje , procura ver o melhor lado das pessoas , e investe por ali , e tal , então afirma ( depois de uma cena tristíssima de entrevista em que Michael fala da tirania do pai , que o chamava de macaco , que dizia que ele era muito feio , e que , quando tinha espinhas , lavava o rosto no escuro para não se ver no espelho , etc.), que o pai de Michael era o responsável pelo seu sucesso , e que ele tinha que ver o lado bom do pai , ao invés de acusá-lo ' por todas as suas maluquices '. Devo confessar que meu queixo caiu. Já estranhei quando este senhor , dizendo-se psicanalista , veio com esta conversa de ' ver o lado melhor das pessoas ' ( depois descobri também que ele responde perguntas de pessoas com problemas pela internet – mais uma voltinha de Freud no túmulo , mais duas de Lacan...). Bueno, como eu ia dizendo, ao afirmar que é importante vermos o melhor lado das pessoas , ele não estava se referindo a Michael ( que seria, em última instância , o ' paciente ' em questão , já que foi chamado a este programa para falar dele), mas sim , do seu pobre /pai-super/ bem /intencionado-abusador/sexual-espancador-tirano-destruidor/de/ auto /estima-aproveitador/do/ trabalho /dos/filhos-etc./etc. Michael, 'o cheio de maluquices ', deveria ser grato ao papaizinho por ter sido a alavanca de seu sucesso . Mas que sucesso , pelo amor de Deus ?
Como alguém (Maria Beltrão, Luiz Alberto Py, e tantos outros ), pode desassociar tão seriamente sucesso profissional de sucesso pessoal ? Como chamar de sucesso uma carreira que termina com um zilhão de dívidas , um rosto absolutamente deformado, difamação pública por pedofilia, vício em drogas , solidão absoluta ??? Eu adoro as músicas de Michael, a dança de Michael, os clipes de Michael, mas quando ele começou a ficar branco eu comecei a me preocupar seriamente, quando ele foi acusado de pedofilia pela primeira vez eu quase chorei, e quando ele apareceu com o rosto totalmente deformado, sem nariz , quase uma caveira , eu reagi como a mocinha do clip
Thriller, e quase gritei de terror . Daí para frente , mal suportava ver seu rosto , assim como as pessoas reagiam ao ' Homem elefante ', lembra do filme ? Pois então , hoje descobri que uma das excentricidades de Michael foi ter comprado os restos mortais deste homem , que realmente existiu, e cuja história deu origem ao filme ...
Michael ouviu seu pai muito obedientemente e passou a sentir-se um monstro . Com toda a fortuna que amealhou, foi se submetendo a uma cirurgia e tratamento depois do outro , até conseguir uma aparência que deixaria qualquer mãe de miss – loira e racista – feliz . Mas não conseguiu ser amado como queria. E continuou. Continuou até ficar deformado. Mais um sintoma do sério comprometimento psicológico desta criatura . Há pessoas (acredite) que sofrem de uma doença que as leva a procurar a deformação . Com o objetivo de conquistar a deformação física , procuram um médico e pedem que lhes corte uma perna sadia , ou qualquer coisa absurda do tipo . Claro que , nestes casos , os médicos se negam a fazê-lo e encaminham peremptoriamente o sujeito para tratamento psicológico . Por que isto não acontece com os cirurgiões plásticos ? Desculpem, melhor perguntar por que o cirurgião plástico de Michael não deu um basta antes de seu nariz ficar tão arrebitado que ele poderia morrer afogado na chuva ? Que sandice é esta que leva alguém a fazer qualquer coisa , até mesmo deformar outro ser humano , apenas para ganhar mais e mais dinheiro ?
Eu não conheço suficientemente esta doença psíquica que leva a pessoa a buscar a deformação , não sei sequer seu nome . Descobri que ela existia assistindo a um destes mil seriados americanos sobre hospitais e médicos . Não sei o que motiva a pessoa a buscar a deformação , mas parece que é uma percepção distorcida de si mesmo , pior ainda do que na anorexia , que faz com que pense que , se extirpar aquela parte do corpo , vai ficar melhor ( mais saudável , mais bonita ???). No caso de Michael, posso arriscar dizer que o que o motivou foi o desejo de se manter na situação em que o pai 'o amava'. Ou seja, se o pai o xingava de feio , macaco , etc., mas fazia sexo com ele assim mesmo , então ele , após tentar obter o amor do pai ( através de outras pessoas , claro ) ficando bonito para os padrões impostos socialmente , e não conseguir nada com isso , passou a destruir sua imagem . Quem sabe 'voltando a ser monstro ' o amor viria?
Arthur Janov, psicoterapeuta americano criador da terapia do ' Grito primal', afirma que 'A esperança é o cerne da neurose '. Explico: quando crianças , não nos sentimos suficientemente amados , então fazemos tudo que nos é possível para ver se conquistamos o amor do papai ou da mamãe , o que não acontece, claro , pois a impossibilidade de amar está neles, não em nós . Crescemos buscando o amor de outras pessoas para substituir o amor de papai e/ ou mamãe , e para isso fazendo o que for possível , mudando o que for necessário . Ou seja: enquanto não perdermos a esperança de sermos amados por nosso pais , não poderemos ser quem realmente somos nem vivermos nossa vida com um objetivo maior .
A economista Flávia Oliveira , que é linda , inteligente , e negra como Michael, diz que , na infância , sofria muito na escola porque quando alguma menina branca queria ofendê-la, chamava-a logo de ' macaca '. Iniciou-se então , neste longo ' Estúdio i', uma discussão sobre os efeitos do racismo sobre a auto-estima, com um pouco de ajuda de Sandra de Sá ( loura , como sempre ), e a discussão de que , quando os comentários racistas vem da própria família , como no caso de Michael, é muito pior . Nem assim o senhor Luiz Alberto Py se deu por vencido e continuou afirmando que o pai de Michael era responsável por tudo de bom que havia acontecido a Michael. Concordo, com o detalhe de que acho que nada de bom aconteceu a Michael. E considerando que este médico deve ter mais ou menos a idade do pai de Michael, quero lembrar que o psicoterapeuta precisa oferecer apoio a quem é seu paciente , independentemente de se identificar mais com algum membro da família do sujeito do que com ele mesmo (seja pela idade , seja pelo que for).
Uma fã descreveu Michael, em um dos muitos programas sobre ele , como alguém muito delicado , muito feminino , mas que quando começava a cantar se transformava em uma outra coisa . É isso que percebo, comparando seus clipes a suas entrevistas . O que faz pensar que Michael criou um personagem de si mesmo . O ser verdadeiro poucos conheceram. Se Michael tinha vitiligo , lúpus (e conseqüentes problemas de imunidade ), desvio de septo , e outras mazelas mais , não se pode ter certeza . Mas que tinha sérios problemas psíquicos , que precisava de ajuda , e que esta ajuda não veio , parece óbvio . Nem mesmo seu médico pessoal foi capaz de dizer não para seus pedidos excessivos de drogas para a dor .
Quanto a mim , não chorei nestes dois dias , apesar de ser uma ' manteiga derretida'. Porque , para mim , Michael Jackson já tinha morrido faz tempo . Se fosse chorar , seria por sua vida , não por sua morte . E se pudesse escolher entre a existência deste ser extremamente criativo , que nos deixou um legado indiscutível , e a possibilidade de um certo 'Michael qualquer coisa ' ter sido apenas um menino feliz lá nos EUA, eu juro que escolheria a segunda opção . E me arriscaria a ficar sem a música de Mozart, e sem o fantástico trabalho de Selton Mello, para tentar descobrir se eles não seriam assim geniais , mesmo que tivessem começado muito mais tarde . Porque aproveitar do trabalho do outro , sem levar em conta sua felicidade , é o que já faziam os feitores de escravos , os ' donos ' de minas , os senhores feudais. Não estou propondo deixar de consumir Michael Jackson e Mozart, até porque as criaturas estão mortas, e nada mais lhes afeta . Selton Mello vai continuar fazendo filmes , peças , séries ... e vou continuar assistindo. Mas estou tentando seriamente deixar de consumir trabalho infantil na arte e na mídia . Não é fácil , mas ninguém nunca disse que era ...

* Do poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar

terça-feira, 23 de junho de 2009

Pássaros-panos ao sol


Míriam Santini de Abreu
Minhas roupas estão na bacia, tristes, esperando o sol para serem lavadas e deixadas ao tépido calor de inverno. Mas nada! Só chuva. Para dar alegria a elas, posto esta foto do jardim de minha tia-avó. Bençãos, conchas, uvas e viva claridade.

Novidades em relação ao acervo do jornal O Estado

Colega Celso Martins informa que o acervo do jornal O Estado está salvo e em local seguro. Veja em http://sambaquinarede2.blogspot.com/

2º Círculo da Palavra discute o papel da fotografia e do repórter fotográfico

O 2º Círculo da Palavra, realizado nesta terça-feira, 23, às 19 horas, no mini-auditório da FECESC em Florianópolis, reuniu cerca de 20 trabalhadores que se propuseram a discutir a atuação do repórter fotográfico e o discurso jornalístico na fotografia.
O debate se deu em torno de temas como as relações de trabalho nas redações, o impacto das novas tecnologias no dia-a-dia da cobertura noticiosa, a ética em relação ao fato e aos entrevistados e a prática da multifunção, em que um mesmo trabalhador ganha apenas um salário e desempenha várias funções dentro do veículo de comunicação.
Esta segunda edição do Círculo da Palavra foi aberta por Ricardo Duarte, repórter fotográfico do jornal Diário Catarinense, Marcelo Bittencourt, repórter fotográfico do jornal Notícias do Dia, e Cláudio Silva da Silva, o Sarará, repórter fotográfico freelancer. Em seguida, o debate com os participantes se estendeu até às 21 horas.
A avaliação da atividade foi bastante positiva até porque, no corre-corre das redações, é cada vez mais difícil refletir sobre o nosso fazer e, neste caso, sobre a importância da fotografia no jornalismo. No final da conversa, cada profissional buscou dar resposta ao seguinte questionamento: o que será da fotografia daqui para diante?
Ficou curioso? Pois o Sindicato fará a publicação, em formato de livreto, do conteúdo do 2◦ Círculo da Palavra. Será o primeiro volume dos “Cadernos de Jornalismo” do SJSC. O livreto também irá incluir o resultado do debate feito em Joinville, com o mesmo tema, no dia 17, na Associação Educacional Luterana Bom Jesus/Ielusc, que também contou com a presença de vários profissionais. Nada melhor do que ver, no mês em que o STF golpeou a nossa profissão, os trabalhadores reunidos para discutir o seu trabalho e se organizar para as lutas que virão.
Ao final do debate, os repórteres fotográficos aprovaram uma Moção de Repúdio contra o estado de abandono do acervo fotográfico do jornal O Estado (confira abaixo).


MOÇÃO DE REPÚDIO

Os repórteres fotográficos reunidos no 2º Círculo da Palavra, realizado no dia 23 de junho de 2009 na FECESC, em Florianópolis, repudiam a falta de responsabilidade em relação em acervo fotográfico do jornal O Estado, que se encontra em estado de abandono. O descaso, tornado público em julho, avilta a preservação da memória dos fatos e da gente catarinenses. A depredação do acervo também expõe o descaso com que é tratado o trabalho de repórteres fotográficos concretizado nas milhares de fotografias que estão agora sob o risco de virar lixo. A recomendação é que o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina busque providências para evitar que se perca esse valioso material fotográfico, incluindo a possibilidade de, se necessário, tornar-se fiel depositário daquele acervo.

Florianópolis, 23 de junho de 2009

O jornalismo e o fogo


Míriam Santini de Abreu

Comemoramos o aniversário de 65 anos de minha mãe (ela, acima, com os três filhos) em uma chácara em Caxias do Sul no domingo passado. No sábado, noite fria, típica da Serra Gaúcha, eu, ela e meu irmão mais novo, o Marcos, mais os amigos dele, estávamos abrigados em um galpão, o fogo crepitando na lareira.
Eu e a mãe espichadas em uma cadeira; os amigos do Marcos jogando canastra, e o Marcos assanhando pinhões direto no fogo. Ele jogava as sementes sobre uma chapa, depois as tirava com uma pá, depositava numa tábua de madeira e abria com um pedaço de lenha.
A certa altura aquilo me hipnotizou. O fogo imemorial, o gesto imemorial de nele preparar o alimento, as vozes dos guris, o calor entorpecente e, lá fora, a Via Láctea riscando o céu na noite estrelada mais linda que já vi. Pensei que poderíamos estar a girar na galáxia, dentro daquele galpão, como se fôssemos filhos errantes de um planetinha de madeira.
Falava ontem, com a jornalista Elaine Tavares, sobre a dificuldade das pessoas para entender a diferença entre liberdade de expressão e jornalismo. Pensei naquele galpão, naqueles gestos singulares: a lareira acesa remetia à descoberta, em tempos primitivos, do poder de vida e de morte do fogo. Os pinhões são frutos de uma árvore, a araucária, cuja utilização ajuda a contar uma história de destruição, de poder e resistência popular, como foi a Guerra do Contestado em Santa Catarina; os objetos para cozinhar o pinhão, todos resultado de trabalho social na maioria das vezes mal-remunerado; e o meu encanto, o encanto da raça diante do fogo, das entrelas, encanto tão entorpecente que eu só movia os músculos para levantar da cadeira e apanhar uns pinhões.
Liberdade de expressão é poder contar isso. Jornalismo é interpretar o que aqueles gestos imemoriais e singulares, num galpão-galáxia, significam na vida de quem estava lá e o que neles há de universal, de porção simbólica e concreta da experiência humana, de repetição e possibilidade de transformação. Interpretação de um fato pelo que nele há de ligação com todos os outros fatos e com a realidade. Este é o nosso fazer, fazer dos jornalistas, a nossa contribuição para o trabalho social.

Acervo de O Estado: perda irreparável

O colega Celso Martins esteve no local onde era a redação do jornal O Estado. É de cortar o coração de todo e qualquer trabalhador, jornalista ou não, que atuou lá. E de que não trabalhou. Veja em:

Cai o diploma, não o jornalista!

Os jornalistas gaúchos ocuparam as ruas em defesa da profissão. Estudantes e profissionais formados. A decisão do STF de extinguir a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, como disse a jornalista Elaine Tavares, está "criando cuervos"! Veja em:

U-hu!!!

Acervo do jornal O Estado está virando lixo

Vale a pena conferir o vídeo feito por Ozias Alves Jr. sobre a situação do arquivo do jornal O Estado, intitulado Memória de SC perdida na falência do jornal O Estado. Há muito discurso bonito em prol da preservação da memória de e em Santa Catarina, o que torna ainda mais absurdo o que acontece com o acervo de um jornal que tinha tradição por aqui. Veja em:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sindicato dos Jornalistas de SC discute papel da fotografia e do repórter fotográfico

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina promove o 2º Círculo da Palavra com o tema “O repórter fotográfico e o discurso jornalístico na fotografia”. O encontro ocorre terça-feira, 23 de junho de 2009, às 19 horas, no mini-auditório da FECESC (Av. Mauro Ramos, 1624).
Serão abordados o papel deste profissional na atualidade, a relação entre o repórter e o repórter-fotográfico na produção da notícia e as condições de trabalho nas empresas jornalísticas. A mesa será formada por:
-Cláudio Silva da Silva - Sarará, repórter fotográfico freelancer
-Marcelo Bittencourt, repórter fotográfico do jornal Notícias do Dia
-Ricardo Duarte, repórter fotográfico do jornal Diário Catarinense
O propósito do Sindicato é recuperar a importância da fotografia no jornalismo, visto que atualmente tanto as condições de trabalho como a incompreensão do que seja o foto jornalismo inviabilizam que este fazer aconteça em toda a sua potencialidade. Discutir teoricamente o tema e compreender esta prática são fundamentais para o futuro da profissão. A partir do debate, o Sindicato fará a publicação, em formato de livreto, do conteúdo do 2◦ Círculo da Palavra. Será o primeiro volume dos “Cadernos de Jornalismo” do SJSC. O I Círculo da Palavra teve como tema a atuação do Grupo RBS em Santa Catarina.
Confira os currículos resumidos dos integrantes da mesa no www.sjsc.org.br

Pinus de Cima da Serra?


Dizem que a região conhecida como Campos de Cima da Serra, no Nordeste gaúcho, logo irá virar Pinus de Cima da Serra, porque campos e araucárias estão desaparecendo e sendo substituídos por vastos plantios de pinus. Mas lá há quem esteja a plantar araucárias e semear berços para as curucacas.