terça-feira, 9 de junho de 2009

Presidente da União dos Jornalistas de Cuba é o convidado de mais um "Diálogos com o Conhecimento"

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e a Associação José Martí promovem no dia 10 de junho, quarta-feira, às 16 horas, na Sala de Imprensa da Assembléia Legislativa, a segunda edição de “Diálogos com o Conhecimento”. O jornalista Tubal Paéz, presidente da União de Jornalistas de Cuba, irá falar sobre a comunicação em Cuba e os desafios do jornalismo num outro sistema de organização da vida. Ele estará em Florianópolis para a XVII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba.
“Diálogos com o Conhecimento” é um projeto que tem a seguinte dinâmica: realização de ações para aproximar o Sindicato dos Jornalistas dos filiados com a discussão de temáticas relevantes para ampliar o conhecimento para a vida e para o trabalho.
A proposta do “Diálogos” é organizar uma conversa em pequeno grupo – prioritariamente formado de jornalistas – com pessoas especializadas em determinadas áreas do conhecimento, seja ele formal ou popular. O objetivo é que a pessoa possa apresentar um panorama sobre o assunto em foco e ser sabatinada pelos jornalistas, promovendo assim uma melhor compreensão acerca dos temas complexos da conjuntura e propiciando a melhoria da qualidade dos textos.
Com este projeto pretendemos fazer com que os jornalistas possam ficar sempre em dia com os temas mais quentes da atualidade, priorizando um olhar independente e alternativo sobre os fatos.
Não perca! Marque na sua agenda e participe. Vamos aproveitar que é um dia de vigília dos jornalistas e ampliar nosso conhecimento sobre a ilha de Cuba.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ato contra a privatização é nesta terça, 9

Nesta terça-feira, dia 09 de junho, acontece um ato em todos os estados brasileiros em defesa do serviço público e contra o projeto de fundação estatal de direito privado – PLP92. Em Florianópolis, o ato acontece a partir das 9 horas, na assembléia legislativa do estado - Alesc.
O movimento unificado contra a privatização - Mucap, que congrega as entidades sindicais, estudantis e populares, apela aos companheiros para se organizarem nas próprias bases, como acontecerá em todo o brasil.
Vai ser entregue um documento aos parlamentares, exigindo que se manifestem e votem contra o projeto, que representa um desastre para o serviço público e, de imediato, para os hospitais universitários de todo o país.
Privatizar os serviços públicos é um crime!
Levante-se e lute pelo que é seu.
Mucap

A cara do latifúndio no Mato Grosso




Governo legaliza grilagem na Amazônia

Fonte: Greenpeace Brasil
Após uma longa e acirrada disputa de mais de cinco horas, a bancada ruralista do Senado conseguiu impor ao país, por uma apertada maioria de 23 votos a favor a 21 contra e uma abstenção, a Medida Provisória 458, a MP da Grilagem. A MP apresentada pela presidência da República com a justificativa de legalizar terras ocupadas na Amazônia Legal havia sido aprovada na Câmara dos Deputados com a inclusão de emendas que beneficiam grileiros de terras públicas e empresas. A medida possibilita que 80% das terras públicas apropriadas irregularmente, o equivalente a 67 milhões de hectares, sejam privatizadas.
Agora, a MP 458 segue para aprovação do presidente Lula. “O congresso privatizou escandalosamente a Amazônia, o que vai aumentar o desmatamento e acelerar as mudanças climáticas. Os ruralistas insultaram a memória de tantos brasileiros que, como Chico Mendes, morreram na defesa do maior patrimônio ambiental do país”, disse Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Agora a responsabilidade para evitar esse desastre está nas mãos daquele que o criou, o presidente Lula, que precisa seguir o conselho de Marina e vetar os parágrafos da medida que ameaçam o meio ambiente.”
Em um discurso emocionante que, certamente, entrará para a história, a senadora Marina Silva (PT/AC) falou da violência causada pela grilagem na Amazônia. Entre 1999 e 2008 5.380 conflitos envolveram 2,7 milhões de pessoas, provocando 253 mortes por assassinado. “Os defensores dessa medida dizem que ela não vai legalizar a grilagem, mas não é o que pensam os especialistas. A MP 458 vai jogar por terra 15 anos de trabalho de promotores sérios contra a grilagem. Aqueles que grilaram vão ganhar o título de cidadão de bem”, disse Marina.Juntamente com o senador Aloizio Mercadante (PT/SP), Marina até tentou uma negociação. A proposta foi manter o texto dois aspectos do texto proposto inicialmente pelo governo: prazo de 10 anos para que as terras regularizadas sejam vendidas (na Câmara dos Deputados, esse período foi reduzido para três anos) e possibilidade de empresas sejam donas de terras amazônicas. Ironicamente, esse último item possibilita a internacionalização da Amazônia por empresas transnacionais, exatamente o que o falso argumento usado pelos ruralistas para tentar desqualificar o trabalho do Greenpeace.
Outro aspecto negativo é que os imóveis de até 400 hectares não precisam passar por vistorias para serem regularizados. Pela MP 458, o governo aceitará uma declaração do próprio beneficiado descrevendo a situação em que suas terras se encontra para regularizar a aterra, o que abre brecha para fraudes.
Agora, cabe ao presidente Lula não deixar que a bancada ruralista, liderada pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO) empurre goela abaixo da sociedade brasileira a regularização da grilagem. Leia mais em http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/noticias/as-ongs-reagem
Nós só temos até esta quarta-feira para pedir para o Presidente Lula vetar estes pontos da MP. Proteste!
Gabinete do Presidente: (61) 3411.1200 (61) 3411.1201

Videiras da pecuária



O Rio Paraná e, na terceira foto, em destaque, a ponte rodoferroviária que liga São Paulo ao Mato Grosso do Sul. O município é Rubinéia, localizada na bacia de alimentação da Usina Hidroelétrica de Ilha Solteira. As imagens parecem uma coleção de gigantescas folhas de parreira. Folhas que escondem a nudez da terra sem floresta, onde hoje domina a pecuária.


sábado, 6 de junho de 2009

Caminhando na beleza

Elaine Tavares
Outono no Campeche. O pôr-do-sol é um acontecimento. O dia vai enfraquecendo devagar e a barra do céu se põe dourada. Aos poucos o dourado vai cedendo ao laranja e depois ao cor-de-rosa. Algo hipnotizante. O vento gelado que sopra do mar espanta as corujas que se aninham quietas sobre as cumeeiras. Os gatos ronronam e os cachorros descansam nas casinhas. Fica uma quietude quase sagrada. Nestas horas a noção de deus se impõe. Não é possível tanta beleza. Na praia os pescadores arrancham, olhando o mar encapelado. E quem arrisca um mate na beira-mar fica ali, mudo, reverente.
E é para defender essa beleza que a comunidade está em polvorosa diante das idéias de colocarem ali um emissário submarino para jogar no alto-mar o esgoto de quase toda a ilha. Ninguém acredita que isso pode ser bom. Dia desses escrevi sobre isso e recebi um chamado do presidente da Casan, Valmor de Luca. Disse ele que era uma irresponsabilidade eu falar mal do emissário, que isso existia em São Paulo, em Copacabana, e que não havia melhor lugar para jogar o esgoto que no alto mar. “Não vai vir para a praia”, insistiu. “Cem por cento de certeza que não vai aparecer na praia de ninguém?”, perguntei. “Sim”, disse ele, alegando que os que falam mal do projeto são “palpiteiros. Não entendem nada de correntes marítimas”.
Mais tarde ligou um engenheiro da Casan disposto a mostrar o projeto para que eu entendesse bem o que seria. Marcou hora. Eu fui, ele não. Tinha surgido um compromisso de última hora. Ligou de novo. Insisti. “Olha, o projeto tem que ser mostrado pra comunidade toda, tem que ser discutido”. Mas, ao que parece, discutir com o povo do Campeche não é prioridade. E as coisas vão sendo feitas. Os “palpiteiros” tem argumentos sólidos. O volume de dejetos, mesmo jogado em alto mar, uma hora volta e vai dar na praia de alguém. Pode até nem ser a do Campeche. Mas será a de outra comunidade, tão linda quanto a nossa. Pode ser até na África, mas a nossa sujeira não tem que macular a vida de ninguém.
Os “palpiteiros” vão ainda mais longe. Têm planos, propostas alternativas. Uso da água do tratamento do esgoto para projetos comunitários, produção de gás, de fertilizante. Coisas mais complexas, talvez mais caras, mas infinitamente mais saudáveis. Enfim. Gente há que busca encontrar caminhos melhores, sem pressa de gastar dinheiro do PAC, sem se importar com eleições e desejos de poder de uns poucos. Gente há que ama onde vive e quer preservar a beleza. Assim, no Campeche, neste outono divinal, vamos nos reunindo, conversando, discutindo e defendendo nossas próprias pautas. Ô lugarzinho bom de viver!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Juventude Fast Food

Madalena Giostri

O que você quer ser? Quem já não foi surpreendido com essa pergunta? Afinal qual pessoa não fica profundamente irritada com essa dúvida? O jovem quem diga. Aos 17 anos somos profundamente atormentados com a obrigação de imaginar como será nosso futuro pro resto das nossas vidas. Poucos sabem a reposta na ponta da língua, ou então, acham que sabem, pois o que sabemos realmente é que nada dura para sempre. Clichê? Essa é controvérsia do chamado mundo moderno.

Vivemos em uma sociedade capitalista. A Revolução Industrial que vem ocorrendo há 249 anos, nos encaminhou para um mundo totalmente tecnológico e a cada dia menos humanitário. Podemos dividir a sociedade de acordo com seus descobrimentos. A pedra, os metais, as especiarias, a tecnologia, são tantas as decobertas, mas ate hoje não tivemos a idade do homem, uma época em que o amor, a amizade, a paz vem à frente do dinheiro, da ganância. Seria estúpido afirmar que após tantas descobertas estamos vivendo em um mundo onde você pode ser tudo que quiser.

Já nascemos predestinados a ser algo projetado pelos nossos pais e principalmente pela condição social em que eles vivem. O acesso à cultura, a informação e principalmente aos estudos exige uma grana alta, que só será adquirida com muitas horas de trabalho e é claro, em cima de muito estresse.

A cultura surgiu com a Revolução Industrial. A necessidade de crescimento tecnológico fez surgir à indústria cultural e com ela uma sociedade de massa. Uma sociedade caracterizada pelo dinheiro. Dividida em classes sociais que são julgadas pelo seu status social, que definem quais são seus direitos e seus deveres. O valor das pessoas está na conta bancária?

Como criar filhos em meio ao caos dessa desumanidade? Começo meu dia já angustiada de ter pouco tempo para fazer tudo o que devo, porque minha vontade mesmo é de não fazer nada. Passo o dia correndo, sempre com a sensação de estar atrasada. Na hora de comer, não tenho tempo para fazer uma comida gostosa e saudável. Acabo abrindo o congelador e pegando aquela lasanha da Sadia. Rápido e fácil, assim defino a vida moderna. Uma geração que aprendeu a viver com pressa.

Não existem mais encontros de jovens que abraçam ideologias, agora a única coisa que eles abraçam são produtos industriais fabricados de acordo com o mercado, como aquela música que estraga nossos ouvidos, ou mesmo aquele pedaço de pano caríssimo só porque tem uma marca enorme que está na “moda”.

Com os meios de comunicações mais desenvolvidos nos deparamos com muitas facilidades que eles nos proporcionam. Mas o que custa a ver é que não damos conta da velocidade da informação. A impressão é que a Terra gira a cada dia mais rápido e eu, uma jovem, acredito não estar conseguindo acompanhá-la.

A tatuagem que há 5 anos atrás era sinal de rebeldia, hoje é apenas uma decoração. As drogas que quase não se via, hoje esta explícita em todos os lugares que vou. O protetor solar que não servia para nada, hoje não posso viver sem. As doenças antes eram sinônimos de velhos: hoje, com 20 anos tenho ansiedade, gastrite, colesterol alto e estresse. O tempo virou algo precioso, quase nunca o tenho.

Não sei mais namorar, usar salto alto e nem ao menos uso batom. No namoro sempre encontro homens folgados que apenas querem curtir a vida com cerveja, drogas e sexo ou então aqueles que só pensam na imagem e no dinheiro. A cada dia que passa me sinto mais fora deste mundo, sem identidade, sem tribo.

Tenho muitos medos. Medo do amor e de não saber amar. Tenho medo da sombra e medo da luz. Tenho medo de pedir, tenho medo de calar. Medo, que dá medo do medo que dá.

Sou a conseqüência de uma juventude Fast Food.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Documentário "Audácia" está no CIC

O lançamento do documentário "Audácia" será nesta quinta-feira, dia 4 de junho, às 19:30 horas, no cinema do CIC. Para ver o trailer, teasers e obter maiores informações sobre o documentário, acesse o blog http://conceitoeideias.wordpress.com
Este documentário trata do cotidiano dos presos políticos na colônia penal em Canasvieiras durante a Operação Barriga-Verde em Santa Catarina. Ele trará relatos de várias pessoas que fizeram parte da resistência a ditadura militar no país.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Oficinas do Sinergia - Ciclo 2009

Depois de alguns anos o Sinergia retoma um projeto que marcou a trajetória da ação cultural da entidade. No mês de julho inicia o ciclo 2009 das oficinas. Serão 5 oficinas abertas à participação dos associados e familiares, bem como aos demais eletricitários e comunidade.
Nos últimos 19 anos o Sinergia mantém a ação cultural incorporada à sua luta em defesa da classe trabalhadora e pela transformação da sociedade. A partir da ação cultural o sindicato busca estabelecer um diálogo mais envolvente, dentro e fora dos locais de trabalho.
Nesse sentido, temos o imenso prazer de abrir as inscrições para mais um ciclo das oficinas do Sinergia. A oficina é um espaço de criação e convivência, de exercício da imaginação. Todos são capazes de criar, de lidar com arte, com a criatividade – a arte não é um dom de iluminados!
Este ano serão realizadas as oficinas de Fotografia, Redação, Vídeo, Teatro e HQ (história em quadrinhos). As inscrições são realizadas pelo telefone 48 3879-3011, com Julia ou Detinha, a partir do dia 1º de junho até dia 26. Os associados/as e dependentes são isentos da taxa de inscrição (R$ 50,00).
O resultado das oficinas será divulgado em exposições nos locais de trabalho, no jornal Linha Viva, no Site do Sinergia e na programação da TV Floripa.

Confira as informações sobre cada uma das oficinas:
FOTOGRAFIA
Oficineiro: Júlio Pavese. Material: câmera fotográfica, de preferência digital. Tempo: 12 horas. Local: auditório do Sinergia. Início: 07/07 (terça-feira). Hora: 18h30 – 20h30.
Objetivo: estimular o interesse pela fotografia ensinando técnicas básicas para sua prática. Abordar a história da fotografia, princípios óticos, mecânicos, químicos e eletrônicos da fotografia analógica e digital. As máquinas e suas objetivas; laboratório, revelação e cópia; tratamento da foto digital; técnicas e operação de câmera analógica ou digital.
Metodologia:Aulas teóricas: 1-Uma breve história da fotografia. Da sua invenção aos tempos atuais. 2- Princípios óticos, mecânicos, químicos e eletrônicos da fotografia “analógica” e digital. As máquinas e suas objetivas; o laboratório e seus processos de revelação do negativo e cópia em papel; o tratamento da foto digital; os filmes e os cartões digitais. 3- As técnicas de exposição, composição e enquadramento.Aulas práticas: 1-Como operar uma câmera analógica ou digital. 2-Como produzir uma foto analógica ou digital. A exposição, o enquadramento, composição e edição. 3-Exercícios de “campo”. 4-Discussão em grupo sobre os trabalhos (fotos) realizados. 5- Eleição das cinco melhores fotos pelos participantes do curso. 5- Exposição das melhores fotos de todos os alunos em cópias em papel tamanho 24×36cms no Sinergia e hall das empresas representadas pelo sindicato.

REDAÇÃO
Oficineira: Elaine Tavares. Material: a imaginação e o pensamento. Tempo: 12 horas. Local: auditório do Sinergia. Início: 08/07 (quarta-feira). Hora: 19h – 21h.
Objetivo: oferecer instrumentos para a aventura do pensar, exercícios e técnicas de assombramento, técnicas e regras de redação. Tudo isso visando à produção de textos para a vida.
Estrutura da oficina: 1º encontro: Assombramento – o pensar (o que é pensar, como pensamos, o que é o exercício do pensar). Enumerar o pensamento – sobre o que estamos pensando, que situações ou coisas estão ligadas ao assunto. 2º e 3º encontros: Técnicas e regras de redação. Produção de textos e correções. 4º encontro: Dicas finais.

VÍDEO
Oficineiros: Silvio Smaniotto, Monique Souza e Pepe Pereira. Material: imaginação, filmadora ou câmera fotográfica digital. Tempo: 33 horas. Local: TV Floripa. Início: 08/07 (quarta-feira). Hora: 18h30 – 21h30
Objetivo: capacitação em vídeo produção através de exercícios teóricos e práticos abordando: planos, roteiro, pré-produção, decupagem, gravação, pós-produção, edição, manuseio da câmera, gravação, saída a campo para gravação.
Metodologia:Estudo teórico: planos, roteiro, pré-produção, decupagem, gravação, pós-produção, edição.Exercícios práticos: manuseio da câmera, gravação, saída a campo para gravação, captura e edição básica, produção de programetes de um minuto cada, para veiculação na TV Floripa.
A TV Floripa colocará à disposição estúdio para os encontros, quatro filmadoras miniDV, 01 estação de edição não linear para a finalização dos programetes. A TV Floripa fica na rua Visconde de Ouro Preto, número 308, no centro de Florianópolis. Os participantes que usarem filmadora MiniDV devem trazer 1 fita.
Silvio Smaniotto – sócio-fundador e primeiro operador da TV Floripa. Radialista e Jornalista. Atualmente é coordenador operacional da TV e também editor, cinegrafista, suíter.Pepe Pereira – diretor cinematográfico e videomaker. Atuou como jornalista, repórter cinematográfico, diretor de documentários. Realiza trabalhos de audiovisual com diversos movimentos sociais e atualmente é produtor independente e na TV Floripa trabalha como repórter cinematográfico.Monique de Souza – cursa História pela UFSC, realizou alguns trabalhos filmagem e fotografia através da Cia de Cultura e atualmente colabora como voluntária na TV Floripa.

TEATRO
Oficineiro: Révero Ribeiro. Material: a imaginação. Tempo: 20 horas. Local: auditório do Sinergia. Início: 09/07 (quinta-feira). Hora: 18h30 – 21h30.
Objetivos: reforçar a percepção, levando a um comportamento de ação e reação diante dos sentidos para um reconhecimento de si, do outro e do mundo. Criar dinâmicas individuais e de grupo que resgatem a memória sensível e afetiva. Perceber e sentir o corpo e suas partes, identificar limites e possibilidades, visando à expressão corporal como elemento teatral. Pesquisar, conhecer e utilizar os elementos essenciais ao teatro. Carga horária: 20 horasMetodologiaA oficina será conduzida através de atividades práticas individuais e de grupo, em distintos momentos: 1. Organização do espaço para a atividade e conversa sobre o que será realizado; 2. Aquecimentos; 3. Atividade central do dia, principal momento para o desenvolvimento da temática e/ou técnica; 4. Fechamento e avaliação sobre a atividade.
Conteúdo1. Estrutura da representação cênica: a.Elementos básicos do teatro: tempo-espaço-ação; b.Relação ator-público; c.Elementos complementares da linguagem cênica: música e dança popular.2. Treinamento do ator: a. Aquecimento corporal; b. Jogos teatrais e jogos dramáticos; c. Gestualidade e oralidade.
Révero Ribeiro, ator, encenador, fundador do Teatro Jabuti onde desenvolve uma pesquisa de teatro popular, bonecos e comicidade. Integrado ao trabalho de encenação, participa de projetos de teatro educação junto a grupos de educadores e educadoras; crianças e adolescentes e também em cursos de Educação de Jovens e Adultos. Comunicador da Rádio Campeche, participa dos programas “Coisarada” e “Vozes em Movimento”.

HQ – História em Quadrinhos
Oficineiro: Diego de los Campos. Material: imaginação, bloco de folhas A4, lápis HB, 2B e 6B, caneta nanquim descartável 0.8 e 0.5, borracha macia. Tempo: 36 horas. Local: auditório do Sinergia. Início: 10/07 (sexta-feira). Hora: 18h30 – 21h30.
Objetivos: introduzir o aluno no processo criativo da história em quadrinhos, dar as noções básicas das ferramentas utilizadas e das técnicas tradicionais de desenho para a elaboração de uma história original, com estilo e conteúdo próprios.
ConteúdoAbordagem dos conteúdos: criação de roteiro, formatação, mito de Herói, a jornada mítica; Personagem: corpo humano, proporções naturais, proporções distorcidas, expressões faciais, movimento; Background: perspectiva 1, 2, 3 e 4, pontos de fuga, composição de cenário, tipos de plano ou enquadramentos; Roteiro: criação, adaptação; Técnicas: lápis, arte finalização, caneta nanquim, bico de pena, pincel, diferentes tipos de traços. Coloração: aquarela, guache, acrílica; Inicialização na digitalização: uso do scanner e coloração digital. Criação de revista com os HQs produzidos na oficina.
Os participantes devem ter mais de 12 anos de idade.
Diego de los Campos é formado em artes plásticas pela Universidade da República do Uruguai. Desde 1993 participa de exposições de pintura, escultura e desenho. Nas suas criações e principalmente nas suas historias em quadrinhos tenta imprimir um humor inteligente produto de uma reflexão crítica do absurdo mundo em que vivemos.

Cadernos Soberania Comunicacional, mais uma iniciativa da P&N e do Portal Desacato


Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu, da equipe da P&N, e Raul Fitipaldi, do Portal Desacato, assinam os três artigos da primeira edição do "Cadernos Soberania Comunicacional", tendo como tema a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O livreto será distribuído nas atividades voltadas à discussão e preparação da Conferência.

domingo, 31 de maio de 2009

A Serra em mim X – Paraty produto?







Cantos de Paraty

Míriam Santini de Abreu

Um mal-estar, quase uma irritação, cresceu em mim feito uma onda no primeiro dia em Paraty, no sul do Rio de Janeiro. O motivo foi a forma como tudo ali, especialmente no Centro Histórico, é organizado de forma a provocar uma certa impressão em quem chega. A impressão de se estar em um cenário, e não na vida real. A isso se somava o fato de, naquele dias de fevereiro, a cidade abrigar o Bourbon Festival Paraty, com jazz, blues e soul, com bandas do Brasil e dos Estados Unidos. Havia muito turista na cidade, boa parte desembarcada de navios vindos do exterior. Foi no segundo dia que consegui me desvencilhar daquela primeria impressão, até porque, no segundo dia, a gente já se sente um pouco da cidade, e cumprimenta até o atendente do supermercado.


Ouvi muito em Paraty observações sobre o tipo de turista que a cidade deseja. Nada diferente do que se houve em Florianópolis, que, na ótica do governador Luiz Henrique da Silveira, só deveria ser destino de quem têm muito dinheiro para gastar. Também em Paraty o “trade turístico” quer atrair europeus, asiáticos e norte-americanos. A justificativa é que a cidade histórica, que foi descoberta nos anos 1980, recebeu gente demais, o que afetou a infra-estrutura e a manutenção do patrimônio histórico. Então, a idéia agora é “selecionar” o turista.


Isso faz emergir uma série de questões, porque dá somente a quem tem muito dinheiro a possibilidade de desejar ver, estar, sentir, caminhar “al di là”, o que está depois dos lugares visíveis, o que está além do além.


O fato é que esse desejo, que é da raça, é do humano, quando apropriado pelos tentáculos do sistema capitalista, vira, como tudo o mais, mercadoria.

***

Por isso hoje se diferencia o turista – que “conhece” toda a Europa em 10 dias - do viajante, que imerge no lugar outro onde está. Mas pesquisei e descobri que mesmo essa diferenciação já foi apropriada pelo mercado. O artigo de Ana Selva Castelo Branco Albinati, “NO SERTÃO E VEREDAS DE GUIMARÃES ROSA: O ESTÉTICO NA LITERATURA E O ESTÉTICO NO TURISMO”, disponível em
http://www.turismo.pucminas.br/r1n1/artigo_12.pdf , revela como isso se dá. Ela cita Ana Fani Carlos ao dizer que “o turismo não proporciona o conhecimento do lugar, mas sim o seu reconhecimento através de imagens selecionadas que se tornam ícones, que representam o lugar, o que significa um empobrecimento violento da própria experimentação estética à qual o turista se propõe. Como fenômeno de massa, a viagem de turismo só pode se organizar de forma `industrial`, em série, transportando para o lazer os mesmos princípios de racionalização da qual pretensamente se quer fugir. Vende-se, na verdade, um certo modo de ver [...] Esse empobrecimento da experiência estética proporcionada pela atividade turística é objeto de reação por parte daqueles que querem, porque podem, se distinguir da massa de turistas, reclamando para si o título de viajantes, cuja métrica é a experimentação diferenciada do lugar”.

A autora observa que tal diferenciação foi retratada por Cecília Meireles em Crônica de viagens, da qual destaca o ensaio Roma, turistas e viajantes: “Grande é a diferença entre o turista e o viajante. O primeiro é uma criatura feliz, que parte por esse mundo com a sua máquina fotográfica a tiracolo, o guia no bolso, um sucinto vocabulário entre os dentes: seu destino é caminhar pela superfície das coisas, como do mundo, com a curiosidade suficiente para passar de um ponto a outro, olhando o que lhe apontam, comprando o que lhe agrada, expedindo muitos postais, tudo com uma agradável fluidez, sem apego nem compromisso, uma vez que já sabe, por experiência, que há sempre uma paisagem por detrás da outra, e o dia seguinte lhe dará tantas surpresas quanto a véspera. O viajante é criatura menos feliz, de movimentos mais vagarosos, todo enredado em afetos, querendo morar em cada coisa, descer à origem de tudo, amar loucamente cada aspecto do caminho, desde as pedras mais toscas às mais sublimadas almas do passado, do presente e até do futuro – um futuro que ele nem conhecerá”.


Outro autor citado por Ana Selva Castelo Branco Albinati é Hans Enzensberger, que chama a atenção para as raízes espirituais do turismo moderno no romantismo do século XIX: “a busca da liberdade em uma sociedade progressivamente racionalizada identificada pelos românticos na vida fora das regras, na natureza idealizada e na nostalgia da história foi apropriada pela atividade turística. No entanto, estas imagens que traduzem o anseio de liberdade, ao serem apropriadas são pervertidas pela lógica comercial da atividade turística, gerando assim a sua contradição mais própria que é a necessária falseação do produto oferecido: o não-lugar, a não-liberdade, a não-fruição, a não-autenticidade, etc”.


O mercado passou a oferecer, então, o chamado turismo alternativo, buscando capturar pessoas que desejam viajar, mas não querem fazê-lo na perspectiva do turista comum. Albinati faz a crítica a isso: “Dito assim, de forma provocativa, o que se quer ressaltar é a impropriedade de se pensar um turismo alternativo a não ser como mais um segmento no interior do mercado de turismo. O turismo alternativo não tem condições de se apresentar como alternativa ao turismo convencional no sentido de substituí-lo ou negá-lo, mas tão somente de ser incorporado como um segmento que atende a um público específico, provavelmente mais sofisticado, mais sensível, mais intelectualizado, e evidentemente, que possa pagar. Dessa forma, uma opção de turismo que se apresente como uma recuperação do sentido da viagem contém dois aspectos a serem repensados: primeiro, o fato de que não tem condições de ser alternativo no sentido de eliminar ou superar o turismo convencional, e em segundo lugar, a legitimidade dessa alteridade turista-viajante que não é absoluta e que recai no preconceito de que apenas alguns são suficientemente capazes, sensíveis e cultos para vivenciar a viagem. Reescrevendo Sartre: os turistas são os outros”.

***

O fato é que aparece um estranhamento quando calha de a gente poder ir além do além, especialmente para lugares que viraram produto. Talvez a palavra que melhor possa definir esse desejo de também ir além do que se espera do turista e do viajante seja a que designa o viandante, diz a jornalista Elaine Tavares. Seguir a pé pelos caminhos, sabedor de que viajar e viver não são gestos precisos. Ou então a gente pode ser apenas andarilho. Mas, para isso, haveríamos de partir apenas com um embornal e um cajado, sem reservas em hotéis nem passagens garantidas, e, à noite, parar num lugar qualquer, acomodar o corpo cansado e bradar, como fazia o jornalista Marcos Faerman: - Estalajadeiro!!!

A Serra em mim IX – FlânerieParaty

Em Paraty, flâneur, apenas.

sábado, 30 de maio de 2009

Nós em duas línguas

Míriam Santini de Abreu
Chove em Florianópolis nesta noite de sábado, e sei que muitos amigos queridos estão na faina diária de produção de textos. O Raul Fitipaldi tem faina dupla, porque traduz textos nossos para o espanhol, como dá para conferir na página do Portal Desacato (clique no logotipo na coluna da direita). Assim vamos ao mundo virtual em duas línguas. Muito nojento!

A Serra em mim VIII – Paraty

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito

Sala da pousada no Largo do Rosário

Míriam Santini de Abreu

Uma parte fugidia da minha alma, eu a encontrei em Paraty [RJ] no quente fevereiro. Desde então não se passa dia sem que eu me deseje lá, toda líquida na baía que a banha, toda sólida na maciça Serra da Bocaina, sob a qual Paraty adormece e amanhece.

***
A pousada em que eu e Pepe pousamos era mui cheia de anos, localizada no Largo do Rosário, parte do Centro Histórico. A dona era uma professora aposentada que – contou-nos ela – ia para a escola a cavalo, e tinha a fama – contaram-nos outros – de a mais severa mestra de Paraty. Deu-nos a chave do quarto e da pousada e disse: - Fiquem à vontade.
Chovia quando, já noite, a cidade ficou totalmente às escuras. Pousada vazia, apenas nós de hóspedes, e a nossa professora não havia ainda chegado em casa. Saímos às ruas com um velho guarda-chuva e, numa esquina, paramos. Será que havíamos flagrado Paraty numa curva do tempo, séculos atrás, ainda iluminada por lampiões? Quase nada se via, a não ser as velas nos bares e restaurantes, e as vozes animadas e expectantes.
- E a luz?!
E então ela veio. Animamo-nos, e nossos pés molhados nos levaram para as ruelas estreitas e pararam na frente da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, onde havia missa. Construção de 1725 inicialmente feita para os escravos. Eu estava em um estado numinoso, também porque, num dos bancos atrás de mim, sentara-se uma velha mulher, pequena, de cabelo branco e espesso, o rosto sulcado, vestida com uma saia longa e uma blusinha branca. Eu a olhava e ela retribuía o olhar, com um sorrisinho cúmplice. Na noite seguinte eu e Pepe voltamos à igreja para a missa e ela novamente estava lá, desta vez perdida em si mesma.

***
Com aquela mulher fiquei eu, mansa e ardentemente presa em Paraty.

A Serra em mim VII – Paraty


Míriam Santini de Abreu

Espelhos me assustam e me fascinam. Mirando-se neste velho espelho numa antiga fazenda de Paraty, quantas mulheres terão se penteado, sorrido, chorado, envelhecido?

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Para que uma conferência não seja apenas uma cenoura

Leia artigo de Raul Fitipaldi em http://revistapobresenojentas.wordpress.com/

Meus homens do Passo Fundo

Elaine Tavares
Eles eram quatro, como os cavaleiros do apocalipse: Conquista, guerra, fome e morte. Cada um deles com seu furacão interior. Um era tormenta, outro fúria, um era riso e outro doçura. Nos dias e noites de Passo Fundo, no interior do Rio Grande, eram meu esteio, minha casa, meu amor. Ora me protegiam, ora me colocavam a perder. Cerveja, música, aventuras, vinho, trabalho, futebol, rancheiras. Éramos siameses de cinco cabeças. Aonde um ia, os outros iam atrás. Kapa, Gilmar, Bozó e Gildo. Irmãos, pais, amigos, amores. Sem eles, a vida era gris.
Pois então eu fui embora fazer faculdade. Outro estado, outro lugar. Eles ficaram no Passo Fundo, torcendo para que tudo me sorrisse. Porque eram assim. Só queriam que eu fosse feliz. Por isso ninguém ficou triste. A vida passou, os anos escoaram pelo ralo do tempo e a gente não mais se viu. Mas, no fundo do peito aquele amor imenso sempre ficou igual. Eles eram meus príncipes, meus furiosos cavaleiros, e viviam em mim.
Dia destes, passados 22 anos, eu voltei a Passo Fundo. Levava um frio na espinha, um medo gigante, de que não mais fôssemos os mesmos. De que algo se tivesse quebrado. E foi assim, suando frio que esperei o Gilmar em frente à biblioteca da UPF. Até que o vi, caminhando seu passo cadenciado, magrinho, do jeito como sempre fora. Lá no meio da rua ele abriu os braços e eu soube que tudo era como antes. A dobra do tempo não acontecera. Aninhada em seu peito eu encontrava o velho irmão, o companheiro. A mesma ternura, a mesma cumplicidade, a mesma intimidade.
Quando veio a noite, trouxe com ela o Kapa, meu príncipe, e o Bozó, amado. Tudo igual. Nada mudara. O mesmo abraço, o mesmo beijo, a mesma sensação de completo aconchego. Não havia espaço para o medo. Os anos não haviam apagado aquilo que nós éramos. Só o Gildo não apareceu, perdido que anda por outras plagas deste grande país. Mas os meus amigos ali estavam, mais velhos é certo, com o mesmo profundo e “imorrível” amor. E na noite fresca , aninhados na casa do Gilmar, entre suas delicadas lembranças, nós quatro festejamos – com o macarrão da Rosângela e o bom vinho gaúcho - aquilo que segurou o tempo devorador de gente: o amor verdadeiro que sempre sentimos um pelo outro. Hoje, frente ao mar do Campeche eu agradeço aos deuses, porque um dia me levaram a Passo Fundo e me fizeram encontrar esses homens lindos, que me fizeram melhor!
Aos meus cavaleiros, todo meu amor!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Professor colombiano é preso no México

Elaine Tavares

Enquanto a mídia entreguista faz alarde sobre as ações de governos como de Hugo Chávez, na Venezuela, e Rafael Correa, no Equador, que se dispuseram a dar um freio ao sistema de propaganda do sistema promovido pela mídia comercial dos seus referidos países, praticamente nada fala da clara tendência fascista de países como México e Colômbia, que têm promovido impunemente o terrorismo de estado. Tanto no governo de Calderón como no de Uribe, o processo de criminalização dos movimentos sociais se agiganta, quando não ocorrem assassinatos e desaparições.

A última ação protagonizada pelos dois países envolve um estudante colombiano que fazia pós-graduação na UNAM, México: o sociólogo Miguel Angel Beltrán. Pois este jovem foi sumariamente preso e – em tempo recorde – deportado para a Colômbia sob a acusação de ter “ligações” com as FARCs e Raul Reys, o líder guerrilheiro morto em uma ação orquestrada pelos Estados Unidos. Segundo autoridades mexicanas, as informações do “envolvimento” do sociólogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia foram prestadas pelo governo colombiano com quem o país tem estreita colaboração. Isso mostra o quanto o velho sistema inaugurado pelos Estados Unidos de espionagem e delação dos lutadores sociais continua mais vivo do que nunca. A doutrina da contra-insurgência inaugurada nos anos 60 para “caçar comunistas” segue a pleno vapor, passando inclusive por cima de todas as leis nacionais e internacionais. A criminalização das lutas sociais hoje é o substituto legítimo da caçada comunista dos tempos da guerra fria.

A prisão

A detenção - e deportação - de Miguel Angel se deu no momento em que ele foi renovar seus papéis no setor de migração. Segundo dirigentes do Instituto Nacional de Migração mexicano, a prisão se deu porque o sociólogo resistiu à expulsão. O que eles não disseram é que ao se apresentar com um advogado da UNAM para dar entrada aos trâmites de renovação do visto, no bairro de Polanco, Miguel foi imediatamente separado do profissional e levado para um bairro vizinho onde ficou incomunicável, sem poder fazer sequer uma chamada telefônica, o que configura, no dizer da professora Raquel Sosa, orientadora do sociólogo na UNAM, “uma grave violação dos direitos humanos por parte dos governos de ambos os países”.

Todo esse trâmite se deu em poucas horas e no dia seguinte o sociólogo Miguel Angel já estava num avião rumo a Bogotá. E, ao contrário do que disseram as autoridades mexicanas, na Colômbia a polícia afirmava que a prisão tinha sido feita graças a “valiosa cooperação” que existe entre os dois países para coibir delitos. As acusações que pesam sobre o sociólogo são a de ser muito chegado a Raul Reys e de administrar recursos para ações terroristas. As provas – dizem – estão no mui famoso computador que se salvou “por milagre” na ação em que acabou morto o líder das FARC.

Miguel Angel Beltrán é professor da Universidade Nacional da Colômbia e já havia feito seu doutorado no México com uma tese sobre o movimento de libertação nacional de Lázaro Cárdenas. Atualmente fazia um pós-doutorado enfocando a sucessão presidencial no México em 1933-1934. Estar afinado com as questões sociais e políticas da América Latina foi “a prova” apresentada de que o professor é perigoso e subversivo. Já para sua orientadora na UNAM, Miguel nada mais é do que uma pessoa totalmente dedicada à investigação acadêmica, não estando ligado a nenhuma atividade política.

As conseqüências

Não é de hoje que a imprensa internacional alternativa vem divulgando as ações de terrorismo de estado intensificadas pelo governo de Álvaro Uribe na Colômbia. Além da sistemática atuação dos grupos paramilitares e das milícias do narcotráfico contra camponeses e lideranças sociais, há um ataque metódico contra todo e qualquer pensamento crítico, o que torna os universitários e intelectuais figuras altamente “perigosas” para o regime de exceção deste país, ocupado pelos marines estadunidenses em parceria com a elite entreguista.

Segundo os colegas de Beltrán no México, o professor está sendo perseguido por ter tido um passado de luta no seu país. Quando jovem foi militante da União Patriótica, uma organização de esquerda praticamente exterminada nos anos 80 pelos governos-marionetes de plantão. Hoje, mesmo com a vida totalmente entregue aos estudos e ao ensino, o sociólogo segue sendo estigmatizado, tal qual outros intelectuais do país, sendo perseguido por sua visão crítica, acusado de terrorista. É que na Colômbia ocupada, qualquer um que não pense como o governo quer que pense, imediatamente é rotulado de terrorista.

Para quem não sabe, a luta anticapitalista e pela libertação da Colômbia existe desde o início dos anos 50, quando vários grupos se armaram para defender a pátria jogada num caos político pela ação da direita, com o assassinato de Jorge Gaitán, então candidato presidencial. Desde aí, o país vem sendo governado por governos títeres dos Estados Unidos que seguem a ferro e fogo a política de extermínio de qualquer dissidência crítica. Ainda assim, vários grupos insurgentes seguem resistindo, armados, numa luta que está longe do fim. A Colômbia hoje é um espaço geográfico estratégico na geopolítica estadunidense uma vez que faz fronteira com a Venezuela, o Equador e A Amazônia brasileira.

Não é sem razão que o governo de Álvaro Uribe segue a cartilha contra-insurgente dos Estados Unidos que tem como ponto principal a aniquilação total do inimigo. E isso pressupõe não só a destruição política, mas da vida mesma. No primeiro mandato de Uribe a ação anti-insurgente ficou mais focada no movimento sindical e camponês. Agora, o ataque está sendo contra a universidade, contra os centros de pensamento crítico. O fato de Beltrán ter pautado suas investigações nos movimentos sociais latino-americanos e no próprio confronto armado da Colômbia o tornou um inimigo a ser destruído.

Resta agora ao movimento popular latino-americano iniciar mais uma cruzada em defesa do pensamento crítico e, mais, voltar os olhos para a Colômbia, tão perto e tão longe das preocupações solidárias.

A piscina

Arthur Tress

A janela do quarto onde durmo continua deitada para a piscina aberta da mansão dos Hoopers, e a visibilidade de tudo que passa seca minha retina. E, agora, aqui, estou preso à mansão dos Hoopers, principalmente preso a essa mulher que mergulha sua nudez na piscina e verifica se a janela aberta é a do meu quarto.

Às vezes durmo mal e sonho que bato no prato de lentilhas com o pano cheio d'água. É desde a mesma véspera do nada que me preocupo com as pedras que ardem, e o caso real de haver um mar pensativo, quando se dá, é insignificante, mas descerra a porta maciça, e a solidão repete-se, e eu desaprendo a sofrer. Os meus hábitos são do silêncio, nunca dos deuses nem de Homero, que escutou que um mar é água sobre água que se move.

Escuto cismas da serpente corcunda que insiste em cravar suas garras em minhas brânquias. Escuto a chuva que lava os telhados, mas agora, deitado na cama, o que é isso que esboça no inciput fervente um cacto difícil de definir? A idéia de uma obrigação qualquer me desconcerta: ir ao banheiro escovar os dentes; tratar junto do açougueiro uma coisa que é pedir a carne para o bife; esperar na estação de trem essa moça tão depressiva, que maquia defuntos para apaziguar os pensamentos de um dia.

Retorno ao quarto que deita para a piscina da mansão dos Hoopers. O céu enfia-se pelos ouvidos, pelas narinas, pela boca e, estirado de novo aqui na cama do meu quarto absurdo, escuto a idéia de que sou pó e ao pó voltarei mas prefiro voltar para os eflúvios da noite. Esvaziado de toda alegria, sou forçado a um contato com a brisa que afunda na fronte dos que andam à beira-mar.

O meu corpo adormece nessa praia, enquanto as folhas da palmeira pairam sombras no mar de gelo. Afasto-me da essência da sombra e, nessa cama improvisada sob o guarda-sol, penso que o imaterial rege o material e reconstrói o osso de Trakl e o jardim que Wittgenstein cuidou no mosteiro da Basiléia. Rente ao mar e sob o guarda-sol, desconsolado e anônimo, escrevo palavras para salvar o alfabeto das conchas; lavo-me em ar de tumba para tocar um inferno suspenso no pensamento. A chuva não perturba as linhas das marisqueiras que ondulam na praia Brava.

Quantas vezes julguei ver a luz no beco e, nas ruas de pedra com sobrados altos, o que apenas vislumbro são virgens em flor à sombra de cellos de Brahms e, diante do copo de água, eu passo as horas a cismar. Acordo e pulo a janela do quarto, para observar a prosa serena dessa praia Brava — o céu definitivo sempre esteve aqui, entre as coisas naturais — e ali, no areal, finco o guarda-sol, medito que as cordas dos violoncelos em vibração cumprem o seu dever primitivo: soam!

A janela do quarto onde durmo deita para a piscina da mansão dos Hoopers; deita a janela, também, para a imensa manhã, onde o vento não se ouve, passa pelas folhas das vinhas, talvez nem se perceba o vento e Homero, que não existe mais, quem sabe sinta essa aragem mais que nós. Sentado à janela, contemplo essa coisa nenhuma que é o quintal com laranjas lá fora.


Fernando José Karl

Quatro apontamentos sobre a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom)

Leia artigo de Míriam Santini de Abreu em http://revistapobresenojentas.wordpress.com/