Estivemos, a equipe da Pobres, nas comunidades de periferia de Palhoça, na grande Florianópolis, onde pudemos observar o quanto há de gente abandonada pela administração pública e como faltam opções para que as pessoas empobrecidas alavanquem suas vidas no rumo de um bem-viver. Caminhamos pelo Brejaru, Frei Damião e Elza Soares. No Brejaru entrevistamos a Mara que mantém uma organização de apoio às mulheres, principalmente mães solo, que vivem num constante dilema entre morar ou comer, trabalhar ou perder os filhos. Também acolhe mulheres migrantes - cubanas, venezuelanas, haitianas - que procuram ajuda para recomeçar a vida num país estranho. Vera mantém espaço de trabalho com costura, artesanato, horta, pomar, para que elas possam socializar e tirar alguma renda, ainda que pequena. Vera conta com ajuda da UFSC, que através de projetos, proporciona algumas alternativas. Vera busca ajuda na prefeitura, mas pouco consegue.
Na Frei Damião outra mulher, a Edna, se ocupa em acolher mulheres idosas e mães solo, também num trabalho solidário, que sobrevive a custa de doações. O projeto “Mães do Frei” atende quase 40 mulheres que trabalham com costura e artesanato. As mais velhas vêm muito mais por conta da solidão e do desamor que, assim como o empobrecimento, também afeta profundamente as vidas. Edna conta que, sem a ação do estado, é a própria comunidade que precisa encontrar caminhos para se apoiar. Assim é na Frei Damião.
Na Elza Soares, onde as condições de vida são mais precárias, porque não há sequer água ou luz, são Denise e Michelly que mantêm as famílias ligadas pela solidariedade. Foram elas que decidiram ocupara terras vazias e organizar as gentes para fugir do aluguel, que estrangulava a vida. Hoje, depois de muitas batalhas e enfrentamentos, as famílias que as seguiram estão nos lotes e já ergueram suas casas, ainda que precariamente. Mas, por terem um teto, sem o dinheiro escorrer para os altos aluguéis que hoje consomem a vida das famílias, elas pelo menos conseguem garantir comida aos filhos. Na Elza Soares, 80% das famílias são de mães solo, segurando sozinhas, a barra de criar os filhos.
No Brejaru e na Frei Damião as coisas avançaram um pouco. Por conta de muita luta, as famílias já conseguiram erguer casas melhores, garantir um endereço, tocar a vida. Mas, na Elza, ainda há muito caminho para trilhar. São lutas com a prefeitura, com pretensos donos da área e também contra o preconceito que fica colado no corpo de quem vive num lugar que não tem endereço. “Quem dá emprego para quem não tem um endereço? Quando a gente diz que mora aqui, as pessoas torcem a cara”.
Por toda aquela região de Palhoça o que mais se vê é justamente a solidariedade. Sabendo que pouco podem contar com o estado, as famílias vão se ajudando como podem.
Em breve divulgaremos os vídeos...







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