domingo, 30 de março de 2008
Doutscha

segunda-feira, 24 de março de 2008
Dica do dia
O segundo episódio do documentário biográfico "Paixão pela Palavra" será apresentado nesta terça-feira (25), às 23h30min, com reprises às sextas-feiras, às 16h30min. O programa reúne depoimentos inéditos e exclusivos do poeta Manoel de Barros e revela histórias sobre a sua infância, juventude e carreira. A atriz Cássia Kiss e o jornalista José Hamilton Ribeiro se revezam na narração dos episódios e na leitura das poesias. A série também conta com depoimentos de Luís Melodia, Beatriz Segall, Lúcia Castello Branco, Abílio de Barros e José Mindlin. São, no total, cinco episódios.
Onde: Canal Futura (Net - 32)
sábado, 22 de março de 2008
Figadas de verão
sexta-feira, 21 de março de 2008
A casa da vó Antônia

Minha avó Antônia faleceu há quase 25 anos,
e ainda está no beco da Olavo Bilac a casa onde ela morava, hoje habitada por
dois primos. A tinta se foi; a madeira, de tão apodrecida, em alguns cantos se
solta ao toque dos dedos; as telhas só por milagre ainda não despencaram do
beiral. Nada resta, mas, contraditoriamente, resta tudo, porque ali estão
cristalizadas as minhas mais antigas memórias de infância.
quinta-feira, 20 de março de 2008
A reforma sindical se faz, mansinha...
A indigência do movimento sindical brasileiro é coisa de dar dó. Depois de ter sido protagonista de momentos históricos importantes como a participação na derrocada da ditadura militar no final dos anos 70, hoje, sob a batuta do ex-líder sindical Luis Inácio, o que se vê é a completa capitulação dos trabalhadores a uma razão de estado. Por isso não surpreendeu o fato de o Projeto de Lei 1990/2007 ter sido aprovado pelo Congresso Nacional sem que se ouvisse qualquer protesto por parte das principais lideranças sindicais.
O projeto, que é o resultado de uma Medida Provisória apresentada pelo executivo - depois de ter sido discutida com trabalhadores e empresários, todos juntos, sentados na mesma mesa, no consenso habermasiano – define, delimita e estabelece regras para a existência das Centrais Sindicais. Ou seja, décadas depois de Getúlio Vargas ter colocado sua mão paternal sobre os trabalhadores, criando os sindicatos atrelados ao Estado, vivemos um novo momento de atrelamento ao Estado-pai, desta vez proposto por um homem que já foi uma das mais importantes figuras da vida sindical brasileira que sempre se considerou oposta ao modelo getulista.
Isso não seria espantoso a considerar o rumo que Luis Inácio deu ao seu governo desde o primeiro mandato, quando realizou uma contra-reforma da Previdência que tira direitos dos trabalhadores e apresentou aos velhos do Brasil a “incrível” possibilidade da aposentadoria privada através dos Fundos de Pensão, cuidadosamente comandados por outros ex-militantes da luta sindical. O que causa assombramento é ver o movimento sindical, na sua esmagadora maioria, aceitando todo esse processo, e o que é pior, lutando por ele.
O primeiro elemento a considerar é o fato de os trabalhadores terem aceitado discutir suas formas de organização com governo e empresários. Ora, alguém aí já ouviu dizer de entidades empresarias sentando com os trabalhadores para decidir como vão promover arrocho salarial ou as estratégias que adotarão para coibir greves e mobilizações? Pois no Brasil de Luis Inácio isso foi proposto aos trabalhadores. Sentar com os empresários para discutir como os trabalhadores podem se organizar. Isso foi feito no Fórum Nacional do Trabalho, uma verdadeira excrescência do ponto de vista da autonomia e da emancipação dos trabalhadores.
Essa conversa maluca entre patrões, trabalhadores e governo, no melhor estilo da conciliação de classe, foi gestando um monstro que levou o nome de Reforma Sindical. Mas, como sempre acontece, existem pessoas ou pequenos grupos que conseguem, de alguma forma, perceber que o rei está nu. E, estes, abriram a boca. Muitos foram os debates, seminários e protestos que esta minúscula parcela de trabalhadores que acredita na capacidade de eles próprios decidirem sobre suas formas de organização, conseguiram realizar. Essa gritaria, ainda que de uma minoria, fez com que o governo mudasse suas táticas. A tal “reforma” não apareceu na sua inteireza, ela vai se fazendo aos poucos, com pedaços de lei sendo aprovados aqui e ali, mudando totalmente a configuração da organização laboral no Brasil. Essa colcha de retalhos, que vai se conformando devagar, torna muito mais difícil a luta e, por conta disso, os trabalhadores vão perdendo cada dia mais a sua autonomia.
Já em novembro do ano passado a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que legalizava as Centrais Sindicais. E o que significa isso? Que agora, as Centrais terão a prerrogativa de atuar juridicamente contra medidas que julguem desfavoráveis aos trabalhadores. São, portanto, entidades jurídicas, com CGC, registradas etc... Oficiais! A pergunta que fica é a seguinte: e desde quando os trabalhadores organizados precisam de autorização, dentro da ordem, para discordar de qualquer medida que venha contra seus interesses? Isso é surreal. As centrais entenderam que é no marco da justiça burguesa que a as lutas trabalhistas vão se decidir. Patético! Basta ver o processo acelerado de criminalização dos movimentos sociais que vivemos em toda a América Latina e principalmente no Brasil.
Mas, se não bastasse isso, os senadores decidiram apimentar ainda mais a questão e colocaram algumas emendas à lei, que acabaram aprovadas no último dia 11 de março, também sem nenhum protesto dos trabalhadores. Ao contrário. Contaram com o apoio de todas as legalizadas centrais, inclusive a CUT, principal defensora desta idéia.
Pois agora, as Centrais Sindicais, numa decisão tomada em conjunto com empresários, já tem as suas regras para existir. Assim, para serem reconhecidas por patrões e governos devem apresentar os seguintes requisitos: ter mais de 100 sindicatos filiados, com presença nas cinco regiões do país, ter 5% do total de trabalhadores sindicalizados no país, ter a presença de sindicatos em ao menos cinco setores de atividade econômica e filiação em, no mínimo, três regiões do país, com mais de 20 sindicatos em cada uma. Também segue valendo o imposto sindical que descontará 3,3% dos salários de todos os trabalhadores, sindicalizados ou não.
Também ficou decidido como esta verba que as Centrais vão arrecadar vai ser distribuída: 10% vai para a Central na qual o sindicato é filiado, 60% vai para o sindicato, 15% para a Federação, 5% para a Confederação e 10% para a conta salário-desemprego, um programa do Ministério do Trabalho. Ou seja, além de ter que obrigatoriamente contribuir para a Central e tudo o mais, o trabalhador ainda vai ele mesmo financiar o seu seguro desemprego. Nada poderia ser mais perfeito.
Pasmem, a lei ainda garante aos trabalhadores o direito de participar dos fóruns, colegiados de órgãos públicos e demais espaços de diálogo social que possuam composição tripartite, nos quais estejam em discussão os interesses da classe. Isso significa que agora sim. Os trabalhadores vão poder sentar com os empregadores e decidir como serem melhor explorados. É, sem dúvida, a perfeição da ordem. Autorizados, inclusive juridicamente, os trabalhadores, desde que cumpram as determinações do governo e dos patrões poderão, organizadamente, protestar. Tudo no maior diálogo, respeitoso e legal.
As pergunta que me assombram são simples: alguém aí acredita no Papai Noel? Quando, na história de lutas dos trabalhadores foi necessário estar enquadrado na ordem para reivindicar? Quem precisa de legalização para fazer a luta pelos seus interesses? Porque o movimento sindical aceita o anti-político imposto sindical? Como pode aceitar regras impostas por patrões e governo sobre como conduzir sua luta?
Por isso falo em indigência. Nunca estivemos tão mal em termos de lideranças sindicais. Nunca houve tanto vazio, nem quando líderes populares, urbanos e camponeses caiam como moscas sob as botas da ditadura. Nunca houve tanta capitulação, assim, em tempos de “democracia”. O fato é que o governo de Luis Inácio vem conseguindo conquistas para o modo de vida neoliberal, bem maiores do que qualquer outro governante de direita logrou alcançar. Luis Inácio engorda os banqueiros, triplica a dívida interna, apóia o agronegócio, libera os transgênicos, fomenta os Fundos de Pensão, incentiva o uso de empréstimos bancários endividando os trabalhadores e, agora, consegue seu feito mais monumental. Coloca, com pompa e circunstância, o cabresto firme na boca das entidades sindicais. E sob o aplauso da maioria dos trabalhadores. Há que se tirar o chapéu para um governo desses!
Agora é esperar para ver a proliferação das Centrais Sindicais, louquinhas para criar seus fundos, suas máquinas burocráticas e os vampiros da classe trabalhadora. O dinheiro vai entrar tranqüilo pelo imposto sindical, não há que conquistar ninguém pelo debate, pela discussão, pela política. Resta saber se os trabalhadores vão permanecer amarrados às viseiras ou se, num rasgo de claridão, vão perceber o engodo de tudo isso.
A classe trabalhadora não precisa de permissão, regras, autorizações para lutar por seus direitos e para buscar os seus sonhos. A classe trabalhadora, unida, pode construir o mundo novo, inventando novas ordens e novas maneiras de organizar o mundo. A classe trabalhadora não precisa de tutela. Ela é autônoma, soberana e livre. E haverá de chegar o dia em que isso será óbvio demais...
quarta-feira, 19 de março de 2008
RÉQUIEM

Para enxugar o sono do enfermo, materializo estrela e vento, lavo louça entre sombras do quintal abandonado. E é pedra gigantesca no peito o sono do enfermo, se o acossa a esfera bravia de inexistir, e ele, mesmo sendo contrário a isso, tem – agora – que cuidar de outras luzes, sob um outro céu, céu sem palavras ou história pessoal, sol na face, peixe perdido, porque o enfermo morreu faz uma hora, sem carícia, café, sem música, sonho, sem uvas, sem Deus, porque para o enfermo bastaria um pano de linho trançado com aquele aroma de infância, bastaria um pano que lhe enxugasse a morte.
terça-feira, 18 de março de 2008
Assis
Partiu o nosso Assis. Um lutador pela Universidade Pública. A nosso pedido, Assis sempre fazia o jantar para o lançamento do número de aniversário da Pobres, para o lançamento de nossos livros. Geralmente um arroz carreteiro. Bastava entrarmos no restaurante dos Volantes da UFSC e ele nos levava até a cozinha para conferirmos a aparência e o sabor da comida na enorme panela. E enquanto todos comiam, ele ficava com os braços cruzados sobre o balcão, sorrindo, sozinho, prazer de ter feito. Era uma luta para que pudéssemos lavar a louça, ajudar a recolher os pratos sujos. Ele queria fazer isso também. E era com gosto que levava a revista para vender em Brasília, nas plenárias da qual participava como coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC. Vendia quase todas. E quando estávamos com ele e aparecia algum conhecido, nos apresentava com orgulho de pai. - Essa é fulana, faz isso e aquilo e aquele outro. Disposição para a vida, Assis a tinha.segunda-feira, 17 de março de 2008
A senhorita Chuva

A propósito de algumas caligrafias de Georgia O’Keeffe, tive agora um pressentimento do pó que sou. Eu quis me fazer monja no convento das Carmelitas e tive que aprender muito sobre jarros e hidráulica. Jarros valem o mesmo que nada e a retina onde se molham, menos ainda. Uma sereia, tornando a escutar aquelas ondas de grosso mar sob a embarcação, encontraria nela Ulisses amarrado ao mastro e remadores com cera nos ouvidos. O filósofo naturalista colheria da cena elementos para desvelar a loucura. Um que seja furioso bate a cabeça no muro e descobre que mais vale andar pela varanda do que fincar no peito um arpão, e observa que as linhas da chuva que se espalham contra a vidraça também escreveram, em grego aquático, pelas calhas, a ode que ninguém pode ler.
Nesse ano entrei para o Clube dos Vencidos da Vida. Nos encontros dominicais é costume bater o martelo e vociferar: “Os olhos vão ver o paraíso, sim, mas serão olhos apodrecidos”.
Uma noite, como saísse do conservatório – fui escutar um quinteto de Brahms – encontrei com a senhorita Chuva e fomos tomar chá. Imagine: chá na boca de chuva da senhorita Chuva. Era aquática figura de ninfa: os cabelos, os olhos de água. Já foi possuída nos terrenos baldios: os brutos todos penetraram as ancas da senhorita Chuva, chuparam laranjas em seus flancos, e um pouco daquele ar distante que tinha, perdeu-se. Ninguém mais viu sua inocência exilada.
Ao chá conversamos sobre como assassinar aqueles que a violaram e, pouco depois, de hidráulica aplicada, o que me assombrou bastante; o usual nos encontros era conversarmos sobre louças, abismos.
Depois do encontro com Senhorita Chuva, uma lufada de vento me ergue do chão e sobrevôo os casarios com pomares e um coro de anjos, com mais de cem asas, grita que os imperadores antigos não encontraram o alimento que procuravam e, só por isso, morreram.
Água da chuva nos olhos mortos, senhorita Chuva.
Mostra Internacional de Instrumentos de Tortura
domingo, 16 de março de 2008
O grande reino do valinho
A convite do jornalista Eduardo Schmitz, Míriam Santini de Abreu, uma das editoras de P&N, está escrevendo uma coluna mensal para o jornal Observatório, que circula em Taió, Pouso Redondo e Salete, SC. A primeira crônica, "O grande reino do valinho", está disponível em: http://www.observatorio.jor.br/frame/frames_18_19.htm
Crédito: Periodistas Pobres & Nojentas
quarta-feira, 12 de março de 2008
II Seminário de Imprensa Sindical
O Sindprevs/SC é o promotor do "2º Seminário de Imprensa Sindical - Jornalismo sindical e popular: mostrando novos caminhos e democratizando a comunicação", que será realizado no dia 18 de abril, no Plenarinho da Assembléia Legislativa. O objetivo é reunir jornalistas, assessores de comunicação, diretores sindicais e estudantes, num espaço de discussão e troca de idéias. Mais informações pelo e-mail: imprensa@sindprevs-sc.org.br A Pobres & Nojentas vai estar lá!Impróprios, infantis ou desumanos?
Apesar do fato, a emissora respondeu que o desenho não era transmitido em um horário no qual crianças pudessem assistir. Além disso, uma mensagem explicitando que o desenho era inapropriado para crianças era divulgada antes de exibi-lo.
A notícia pode – e deve – ser mote para discussões aqui no país. Não, no sentido da atitude do governo, mas sim, do conteúdo dos desenhos animados. Hoje, consideram-se inapropriadas cenas, imagens ou sons que contenham conteúdo apelativo, como pornografia ou palavrões. No entanto, as animações assistidas diariamente por milhares de crianças brasileiras, nos mais variados canais abertos e fechados, utilizam outros artifícios que poderiam ser considerados inapropriados. Muitos deles banalizam a amizade, envolvendo brigas entre amigos. Alguns, considerados inofensivos tais como Tom & Jerry e Coiote e Papa-Léguas, mostram por vezes ambos se agredirem ou se matarem e, logo após o feito, reviverem. De certo modo, uma criança de oito anos sabe que isso é impossível; já uma de dois ou três anos não terá esse mesmo raciocínio.
Mentes críticas e reflexivas
Ora, em meios jornalísticos, se discute há tempos o tabu de divulgar ou não notícias sobre suicídio. Os códigos de ética mencionam evitar a divulgação, exceto nos casos em que o suicida é famoso, além do fato da notícia em questão ter validade para a sociedade, como a morte de um presidente, por exemplo. Porém, é válido divulgar assassinatos, estupros seguidos de morte, ou qualquer outro fato que contenha muito sangue e palavras tanto quanto invasivas. Logo, que critério é esse que valida certas notícias e outras não?
Diz-se que, ao divulgar notícias sobre suicídio, por exemplo, pode-se influenciar esse tipo de comportamento na sociedade. E ao divulgar cenas de violência? Não há influência? E quando o repórter se refere ao corpo da vítima com a expressão "... o que sobrou do corpo", por exemplo? Também não é nocivo, inapropriado?
Assim também o é com desenhos animados. Os mangás, em sua maioria, usam a perspectiva violência = audiência. Mas não é exclusividade deles. Os norte-americanos X-men, Spider Man ou outro qualquer que se valha da narrativa violenta como forma de obter atenção, também devem ser foco de análise. Além de conter violência, muitos deles possuem mensagens subliminares, motivando o consumo entre outras ações, de forma psicológica. É necessária maior atenção ao conteúdo repassado às crianças, assim como no que é recebido através dos noticiários. Dessa forma, serão garantidos subsídios para mentes críticas e reflexivas.
terça-feira, 11 de março de 2008
Elaine Tavares no Educação & Cidadania
segunda-feira, 10 de março de 2008
A cadeira nossa de cada dia
O depoimento abaixo foi encontrado em um artigo acadêmico sobre as mudanças na organização do trabalho em uma indústria de calçados de São Paulo:
"Tem uma pespontadeira lá que trabalhava do meu lado. Durante todo o tempo do teste [período de experiência] ela trabalhou rezando. Ela me falou que não agüentava de dor nas pernas, mas ela precisava do emprego. Então tinha que se apegar na oração para não lembrar da dor".
Sempre observo um fato cada vez mais comum em vários ambientes de trabalho: a falta de bancos ou cadeiras. Num grande hipermercado de Florianópolis, Santa Catarina, tanto na padaria quanto na lanchonete, os atendentes passam toda a jornada de trabalho em pé. Não há, à vista, lugar para sentar. O mesmo acontece na locadora dentro do hipermercado. Mesmo que não haja clientes locando ou devolvendo filmes, os trabalhadores são obrigados a ficar em pé para exercer suas funções.
Há, também, uma padaria no Centro da capital catarinense onde as mulheres que atendem precisam se acotovelar para se movimentar no reduzido espaço atrás do balcão. Uma corta um pedaço de cuca; outra, com um pegador, pesca, por cima da primeira, meia dúzia de pães; a terceira, expressão cansada no rosto, desliza os braços por baixo das colegas e alcança, com sufoco, um pastel. Sempre em pé. Bastam minutos ali, num calor sem refrigério, na esquina barulhenta de duas ruas movimentadas, para qualquer um sair suplicando por ar. O lugar vive cheio. Eu, cuja família não é das mais resistentes em relação às veias, fico imaginando a dor naquelas pernas ao final do dia, que nem uma salmoura das mais ardidas consegue aliviar.
E para quê isso? Que espécie de ganho há no ato de impedir que uma pessoa se sente, que acalme a pressão sobre ossos, músculos, tendões, que repouse o corpo?
A trabalhadora rezava para tolerar a dor. Quando se fala em "reestruturação produtiva", "otimização", "flexibilização", há, por trás do discurso, essa imensa dor que se abate sobre trabalhadores que exercem as mais diferentes funções. Dor física e emocional.
Lançamento de P&N n.11 será na terça, dia 11

Editorial
Eliana do Santa Amélia
A força das palavras
Veroca, meu amor
Vendedora de rosas
Obesidade, epidemia em ebulição
Quem aí joga golfe
"A vaidade é um veneno na luta comunitária"
Isso é coisa que acontece!
A negra Piedad
Ela foi até o fim!
A educação pelo sim
Umas e outras
Assisviajantes VII
http://www.viagemdeambersonerosangela.blogspot.com
sexta-feira, 7 de março de 2008
Dia Internacional da Mulher
Vem mulher,
que é hora de cruzar a última fronteira
e levar nossa delicadeza e nossos rompantes
aos confins do poder.
Vem mulher,
deixa para depois a limpeza,
não deixa para amanhã o livro,
não deixa para depois o beijo.
Vem mulher,
que já somos tantas e já sonhamos muito,
vamos caminhar pela floresta secreta
e ocupar os primeiros lugares.
Vem mulher,
que já treinamos o suficiente,
estudamos o necessário
e agora o mundo precisa da nossa doçura
e da nossa força.
Vem mulher,
do escritório e do campo,
levanta a tua voz,
precisamos nos apresentar ao comando.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Coisas que eu fazia quando era criança III
Rosangela Bion de Assis, jornalista
• brincava de missa e fazia hóstias com o miolo do pão e folhetos de músicas para serem cantadas durante a brincadeira.
• fazia sandálias com papel, plástico e cordão, naquele modelo meio grego. Ficavam engraçadinhas, mas duravam pouquinho.
• fazia roupas com os sacos plásticos que se usa para o lixo para eu e minhas irmãs usarmos durante as apresentações das coreografias que ensaiávamos. Nossas vítimas mais freqüentes eram minha tia e seu namorado. Foi uma prova de fogo para a relação. Eles casaram e vivem bem felizes há mais de 20 anos.
• tínhamos um grupo de nove meninas que ensaiava e apresentava peças de teatro no Centro Social Urbano do Saco dos Limões. Claro, eu escrevia as peças. Meu maior sucesso foi “O Dia das Estrelinhas”. Pedíamos pedaços de tecido no comércio para confeccionar os figurinos.
• brincava de escalar no morrinho que tinha no quintal da casa da minha avó, até o dia que minhas irmãs cansaram de segurar a corda que me prendia e eu escorreguei barranco abaixo.
• fiz um furinho com um alfinete na tampa para beber o Martini que estava na geladeira sem abrir a garrafa. Eu e minha irmã ficamos tontas e acabamos dormindo depois de chupar meia garrafa. Minha mãe teve que pedir ajuda de uma vizinha para arrombar uma janela para entrar em casa. Ela não entendeu nada quando viu a gente dormindo pesado no chão da sala e depois entendeu menos ainda quando viu a garrafa fechada pela metade, dias depois. Eu tratei de arranjar uma explicação científica:
– Evaporou... ficou muito tempo parado na geladeira!
• fazia sorvete com as raspas do gelo do congelador e leite condensado.
• fritava batatinha para a galera da vizinhança depois que minha mãe saía para trabalhar
• fazia experiências com formigas. Elas eram divididas em grupos dentro de vidrinhos, separadas pelo número de pernas que tinham sido retiradas. O objetivo da pesquisa era verificar se a formiga sobrevivia sem pernas. Não lembro do resultado.
• todas as tentativas frustradas de fazer nhoque eram jogadas pra trás do muro de casa. Meu tio ficou assustado quando tempos depois encontrou aquelas bolinhas estranhas. Ele e minha mãe ficaram analisando se não seriam ovos de algum animal.
• dizia para os meus coleguinhas da primeira série que tinha sido operada do pé. Isso me deixava mais importante até o dia que uma amiguinha explicou que o pé não pode ser operado. Fiquei sem palavras.
Coisas que eu fazia quando era criança II
- Brincava na chuva e soltava barquinho de papel na enxurrada.
- Brincava de bandido e mocinho nas cascas de arroz, no engenho que ficava ao lado da minha casa. Era um monte gigantesco e a gente adorava ser atingido porque morria, e caía rolando pelas cascas até embaixo.
- Jogava bolita com a gurizada e ganhava todas.


