quarta-feira, 6 de abril de 2016
Na busca de vida melhor
Luta e alegria - cotidiano dos haitianos em Santa Catarina
Por Marcela Cornelli
Cada vez mais haitianos vêm ao Brasil. Em Santa Catarina, em julho do ano passado, estima-se que seriam cerca de oito mil haitianos vivendo no Estado. Eles vêm em busca do sonho do emprego e de poder enviar dinheiro aos seus familiares que ficaram distantes. Estudar em uma universidade pública também é um dos anseios dos mais jovens. Observa-se que, geralmente, pelo menos na capital do Estado, Florianópolis, esses imigrantes trabalham em postos de gasolinas, na construção civil, na limpeza de restaurantes, na rede hoteleira, em supermercados e as mulheres como diaristas. Em geral, em serviços prestados por empresas terceirizadas.
Com a recessão no país, desemprego, inflação crescente, somando aos baixos salários, poucos conseguem enviar dinheiro à família que ficou no país de origem.
“Os sonhos dividem-se em ter um emprego e poder estudar” é o que disse à reportagem, Paul André, um dos coordenadores do Movimento de Haitianos em Santa Catarina.
Paul está em Florianópolis há cinco anos e formou-se no curso de Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina. “Não há diferenciação. Não tenho privilégios por ter estudado. As dificuldades são as mesmas. Mesmo no meio acadêmico há dificuldades como a falta de preparo dos professores para receber os alunos vindos de outros países e o preconceito”, disse ele, quando questiono se tem mais facilidades de adaptação e convivência aqui no Sul do País, do que os que não têm escolaridade. Paul acompanhou desde o início a chegada dos haitianos no Estado, quando ônibus foram enviados pelo governo federal do Acre à Santa Catarina. Os haitianos foram abrigados em um ginásio de esportes, o Capoeirão, na parte continental de Florianópolis. Alguns tinham contatos com parentes e/ou conhecidos que já viviam na cidade. Ali mesmo no abrigo, o Estado, através da Secretaria de Assistência Social, fazia as documentações necessárias e encaminhava-os para vagas de empregos. No entanto, muitos não tinham para onde ir.
Para amenizar a dores de quem está longe do seu país e ajudar até que eles possam conseguir trabalho, Angela Dalri, que coordena o Projeto Pixurum, acolhe os haitianos em uma casa no bairro Carvoeira, em Florianópolis, próximo à Universidade Federal. “Um dos maiores desafios é o idioma”, diz Ângela.
O Projeto Pixurum existe desde fevereiro de 2008 com a finalidade de acolher moradores de rua. “Tentamos resolver questões mais imediatas como alimentar, servimos sopa para os moradores de rua, verificamos cada situação, ligamos para as famílias e ajudamos a encaminhar para tratamentos médicos, quando necessário. No caso dos haitianos a situação é diferente. Eles usam o espaço até conseguirem algum lugar para morar. Os que trabalham pagam um aluguel simbólico para ajudar a manter a casa e a alimentação de quem não trabalha. Ajudamos a confeccionar os currículos e aos poucos eles aprendem o básico do idioma para conseguir emprego. Já recebemos também imigrantes do Timor Leste. O aprendizado é mutuo. Pixurum quer dizer: O bem que fazemos nos faz bem também”.
Ex-dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC e militante de longa data, Ângela conta que alguns haitianos conseguem receber benefícios como bolsa família, cartão de ônibus e atendimento na rede de saúde pública. Porém, a inserção no mercado de trabalho, principalmente pela dificuldade com o idioma, é o mais difícil.
Outro ponto levantado por Ângela na convivência com os haitianos é a falta de opção de lazer e cultura. “São um povo que gosta muito de dançar, de socializar. Mas, acabam ou por medo da falta de segurança e de serem discriminados, ou por não terem condições econômicas, limitando-se a ida ao trabalho e à igreja”.
Segurança e preconceito preocupam
“Desde o ocorrido com a morte do haitiano em Navegantes, no ano passado, os haitianos que moram na casa temem participar das programações culturais na cidade pela falta de segurança”, fala Ângela. Ela diz ainda que a maioria dos haitianos que vive na casa têm entre 18 a 45 anos. “O desejo deles em trazer a família é grande”. Ângela diz que não abandonou as lutas maiores por uma sociedade mais justa e igualitária, mas que agora se dedica a ajudar no que eles precisam de mais imediato. Para isso, está organizando uma campanha de arrecadação de feijão, base da comida dos haitianos, para a casa. Quem quiser, pode ajudar.
Mulher forte, que deixou o país de origem, marido e filhos e veio para o Brasil, Maria* veio para cuidar da enteada e também trabalhar. Ela trabalha como diarista e diz que pretende ter todos os dias da semana ocupados para juntar dinheiro. O sonho é trazer o marido e os demais filhos que ficaram lá. Maria não compreende bem o português. Em poucas palavras e com a ajuda da enteada foi formulando o depoimento dela: “Sinto saudades do Haiti onde eu tinha e cuidava da minha casa. Aqui trabalho para outras famílias. Gosto de Florianópolis, porque é uma cidade grande e bonita. Vim em busca de oportunidades”. Pediu para não ser identificada na matéria porque não quer que a família no Haiti interprete de maneira errada que ela está vivendo em condições precárias e/ou de dificuldades.
A enteada, Rosa*, que também pediu para não ser identificada, diz ter vindo em busca de um único sonho: “Eu quero fazer medicina”. Ela diz que sente saudades do pai e dos irmãos. “Meu pai fica muito preocupado comigo aqui”. A família tem planos de se reunir em breve no Brasil.
“Não somos vazios”
Choute Vinsky, que participa junto com Paul do Movimento de Haitianos em Santa Catarina, diz ser agradecido às oportunidades que teve desde que chegou, podendo estudar e aprender o português em aulas que cursou na cidade de Blumenau. Diz também estar preocupado com atos de violência contra haitianos no país e defende que a integração cultural pode ser a saída para a quebra de preconceito e o melhor viver. Ele é responsável pelo time de futebol “Haiti Santa Catarina Futebol Clube”. “Um dia queremos poder jogar no campeonato estadual”, confessa, esperançoso, Choute.
“Não chegamos aqui vazios. Não somos um povo vazio. Temos muita cultura para compartilhar”, diz Paul. Ele explica que o movimento vem buscando dialogar com autoridades e governos, municipais e estadual, para garantir acolhimento, vida digna e oportunidades para os haitianos que buscam o Brasil para viver. No dia 24 de maio do ano passado, foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado para debater a questão dos imigrantes em Santa Catarina. Participaram haitianos e senegaleses que vivem aqui. Para Paul, umas das maiores conquistas da audiência foi o encaminhamento para a criação do Conselho Estadual de Apoio ao Imigrante. Em 6 de maio deste ano, será organizado um Fórum Estadual de haitianos, em Florianópolis. “Queremos ter um cadastro de todos os haitianos no Estado, saber como vivem, se estão recebendo com dignidade pelos trabalhos prestados, ajudá-los na busca de emprego e educação”, diz Paul.
Em dívida com estes irmãos
É preciso lembrar que o Brasil tem uma dívida com este País e com o povo haitiano. Sob o comando da ONU (leia-se Estados Unidos) o Brasil encabeça, através da Minustah, o exército invasor no Haiti. Estudos apontam que além do terremoto que atingiu o país em 2010 e deixou ainda mais precárias as condições de vida da população, a invasão militar da ONU também é fato que contribui para a saída dos haitianos do país e a vinda para o Brasil. No artigo “O Haiti é Aqui: Sub Imperialismo Brasileiro e Imigrantes Haitianos em Santa Catarina”, o pesquisador e doutorando em Demografia da Unicamp, Luís Felipe Aires Magalhães, busca explicar o recente fluxo migratório de haitianos no Estado de Santa Catarina.
Os haitianos têm uma história que nos inspira. Em 1804, se tornou a primeira nação independente da América Latina e do Caribe. Luís Felipe aponta vários aspectos históricos que precisam ser levados em conta neste processo migratório: “Uma das consequências impostas pelo imperialismo à Revolução de Independência Negra no Haiti foi o embargo econômico e o isolamento comercial. Não devemos entender com isto que o Haiti foi excluído do sistema capitalista mundial. Pelo contrário, ele aprofundou sua vinculação a ele, de forma ainda mais subordinada”, explica. E vai além: “o Haiti é historicamente objeto de presença econômica e militar estrangeira (CASTOR, 2008). Esta presença estrangeira já foi de natureza colonial, no século XVIII, e de natureza imperialista, durante o controle político e militar dos Estados Unidos no século XX. Atualmente, neste início de século XXI, com a presença brasileira na coordenação de forças militares de estabilização (Minustah), ela é de natureza subimperialista”. É neste contexto que recebemos no Brasil estes irmãos caribenhos e latino americanos. Nosso respeito e convivência é fundamental para o intercambio destas duas culturas.
* Os nomes de Maria e Rosa são fictícios, a pedido das entrevistadas.
terça-feira, 5 de abril de 2016
O novo movimento indígena brasileiro
Por Elaine Tavares
Talvez muita gente ainda não tenha percebido, mas há uma mudança gigantesca no processo de luta dos povos originários do Brasil. A primeira delas é a vertiginosa desvinculação da igreja, que, de certa forma, sempre foi a mais importante presença no processo. Num primeiro momento, como opressora número um, ajudando os portugueses no massacre aos povos novos. Depois, com a ação dos jesuítas nas famosas missões, houve uma mudança no trato e o objetivo era evangelizar, respeitando alguns aspectos culturais e a vida. Mais tarde, já no século XX, atuando como parceira no trabalho de manutenção da cultura e divulgação das denúncias necessária através do Conselho Indigenista Missionário.
Também houve um momento na história do século XX em que uma série de Organizações Não Governamentais, brasileiras e estrangeiras, se uniram ao trabalho que já vinha sendo feito pelo CIMI e passaram a atuar no processo de organização das comunidades para que a cultura fosse preservada e as terras demarcadas. Coisas boas e coisas ruins assomaram nesse período e foi um lento aprendizado para os povos originários.
Mas, desde há algum tempo houve uma viragem. A caminhada em comunhão com as igrejas e as ONGs proporcionaram muitos saberes sobre como lidar e viver no mundo dos não-índios. E nesse caminhar, os indígenas foram descobrindo que já tinham todas as condições de atuarem por eles mesmos. Não precisavam de mediações. Parceiros na luta sim, mas não mais de mediações. E, assim, do seio dos povos ainda existentes, foi brotando outra vez a velha forma de organização da vida, que estivera sempre na memória. Era o tempo de criarem entidades organizadas e dirigidas por eles mesmos. E assim, nos anos 80 do século XX começou – devagar – essa mudança de rumo. Associações, Coordenações, Confederação. Coisa já conhecida desde antes da chegada de Cabral.
Assim, os povos indígenas passaram a atuar no campo da luta por direitos e território, em instituições constituídas à maneira não-índia, capaz de dialogar e compreender o intrincado mundo dos brancos, com suas leis e o falso estado de direito. Se era necessário o combate no campo da lei, para ele deveriam marchar com armas capazes de serem eficazes também nesse mundo. Hoje, são muitas as associações que organizam as lutas, formação e debates sobre a realidade indígena em todo o país.
Essas entidades organizativas dos povos indígenas caminham em articulação com a organização original, histórica e tradicional dos que ainda vivem nas aldeias. É um bem elaborado bailado de ligações entre o secreto que sobrevive na aldeia, e as batalhas que precisam ser travadas no mundo não-índio. Ou seja, as populações originárias estão avançando no seu processo organizativo de maneira autônoma e soberana, com uma forma de organizar que é bastante singular, única, totalmente articulada entre a tradição, a cosmologia e realidade de viver num mundo dominado pelo não-índio.
Toda essa mudança no modo de ser dos povos indígenas na relação com o Estado aparece em situações bastante específicas e cada vez mais. Uma delas se explicitou bem aqui, na grande Florianópolis, quando a comissão de notáveis brancos da CPI da Funai veio entrevistar as lideranças da Aldeia Itaty, do Morro dos Cavalos. Segundo os deputados que solicitaram a CPI, os indígenas que ali vivem, não estavam naquele lugar em outubro de 1998, logo, não teriam direito de ter aquelas terras demarcadas.
Na audiência, o cacique Guarani respondeu a todas as perguntas na sua língua original. Já basta de desrespeito com as gentes indígenas. Já basta do tempo em que se torturava um homem ou uma mulher originária para falar uma língua que não era conhecida. É tempo de os não-índios que quiserem realmente estabelecer um diálogo com os povos indígenas saberem que eles falam uma língua específica e que ela precisa ser conhecida e respeitada. Essas línguas estão vivas e são o sustentáculo da cultura de cada povo. O pessoal da CPI saiu incomodado, o que mostra que não há mesmo nenhuma boa vontade em ouvir e compreender a realidade indígena. As pessoas já vêm com ideias pré-concebidas. No caso do Morro dos Cavalos, os Guarani estavam ali sim, antes de outubro de 1988. Mas, se não estivessem , isso só teria acontecido por conta da expulsão promovida pela invasão de colonos. Isso é história comprovada. Logo, aquela terra é deles por direito.
Outro caso, bem pior, aconteceu no Mato Grosso do Sul, onde numa também sessão da CPI da Funai - que é nacional – a liderança Terena, Paulinho Silva, também optou por fazer o depoimento na sua língua original, já que não tinha um bom domínio do português, e isso poderia fazer com que ele não conseguisse expressar o que precisava ser dito. Foi um alvoroço. Os deputados e outros integrantes da mesa se colocaram contrários a esse direito que é assegurado ao indígena. E tanto que colocaram um vídeo no qual Paulinho fala em português e ainda abriram uma queixa crime contra ele. Ora, ainda que ele saiba falar português, essa não é sua língua mátria, e é nela que ele consegue tornar mais claro o que tem a dizer. Ele tem o direito de falar na sua língua. Mas, não. Agora, há um boletim de ocorrência contra o Terena, ele vai ter de prestar esclarecimentos à Justiça e pode ser condenado por crime. O mundo de ponta cabeça. A vítima passando a criminoso em um toque de mágica. E tudo isso num estado onde sistematicamente os fazendeiros matam índios, estupram mulheres, e usam jagunços para aterrorizar as aldeias, sem que nada lhes aconteça.
Mas, para os povos originários, essa é uma batalha antiga. Muitas fases já passaram, desde a tutela até a autonomia que vão construindo aos trancos e barrancos. Saíram de uma linha de quase extermínio, quando chegaram a pouco menos de 150 mil pessoas, para quase um milhão de almas que hoje se expressam, se organizam e crescem. O movimento indígena não é mais o mesmo. Ele se fortalece e se revigora. Isso não significa que as coisas vão mudar de uma hora para outra. Isso tudo é um processo. Significa que há mudanças substanciais, que há autonomia, que há organização soberana, que há orgulho da língua, que há conhecimento de direitos.
É chegada a hora de as escolas começarem a ensinar também o Guarani, Tupi, Terena, Apinajé, Xokleng, Kaigang e tantas outras línguas que conformam as mais de 300 comunidades indígenas que vivem no Brasil. Porque os povos estão orgulhosamente falando suas línguas e lutando pelo seu território, que, na cosmovisão originária, é o espaço pleno da cultura – não apenas terra, mas universo totalizante do seu modo de ser.
Os indígenas brasileiros estão em plena caminhada de transformação. E, como já anunciaram os parentes de Chiapas, no distante 1994: “Já basta! Nunca mais o mundo sem a gente”. Assim é. A luta pelo território continua e cresce.
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Os desafios da Telesur
Por Elaine Tavares
Quando Hugo Chávez começou a virar a bússola da América Latina para o sul, um dos pontos no qual mais batia era o da comunicação. Como podia o povo de “nuestra América” receber o midiático braço armado do sistema capitalista, a CNN, diuturnamente em suas casas, e não ter um instrumento de comunicação que pudesse dizer a sua voz? Sua pergunta abissal!
E foi a partir daí que Chávez começou a esboçar o sonho de uma rede de televisão que pudesse mostrar a cara da América Latina e ser o espaço privilegiado para a expressão dessas vozes, sempre silenciadas, escondidas ou marginalizadas na mídia comercial. O golpe na Venezuela, em 2001, deixou muito claro o papel manipulador dos meios comerciais e fortaleceu, tanto no governo venezuelano quanto nas gentes, a ideia de que o espaço da comunicação é uma trincheira estratégica de luta.
Assim, em janeiro de 2005, o conselho de ministros da Venezuela aprovou a criação de um canal público de televisão, financiado 70% pelo estado venezuelano e com os restantes 30% sendo divididos entre Argentina, Bolívia, Cuba, Equador e Nicarágua. Era, portanto, um canal com pretensões latino-americanas, que, na ideia de Chávez, seria naturalmente incorporado por todos os demais países que também iniciavam uma virada mais progressista na chamada América baixa.
Desde 2005, então, a Telesur transmite em sinal aberto, via satélite, para toda Venezuela, e também para os países membros ou amigos. O Brasil, desgraçadamente, nunca aceitou fazer parte do projeto, com Lula preferindo criar o canal TV Brasil, sem maiores compromissos com a generosa ideia de integração regional, latino-americana, que Chávez impulsionava. Por isso que, por aqui, para ver a Telesur só através da internet.
Mas, mesmo sem o maior dos parceiros no continente, o projeto televisivo latino-americano seguiu seu curso. Durante toda a batalha entre ALBA e ALCA – projetos de integração bolivariano e estadunidense, respectivamente – esse canal foi importante demais no sentido de fornecer informações que jamais seriam veiculadas pelos canais comprometidos com as classes dominantes locais e internacional.
A proposta da Telesur tem se mantido tal e qual seus primeiros objetivos - ainda que Chávez esteja morto – ou seja, oferecendo notícias de toda América Latina, do Caribe, e do mundo inteiro, sempre com o recorte da voz do oprimido. Também veicula documentários sobre a história, as lutas e os personagens mais importantes do continente latino-americano, além de fornecer análises sobre a realidade, igualmente diferenciadas, a partir dos “de abajo”.
A virada para a direita que vive a América Latina deu seu primeiro golpe na proposta da Telesur agora, durante o novo governo argentino, liderado pelo milionário Maurício Macri. Um de seus primeiros atos foi retirar a Argentina do grupo de sócios do canal. O que não é nenhuma novidade se prestarmos atenção ao que defende o presidente argentino, e ao tipo de parceiros que o cercam. Seu compromisso, desde o primeiro dia de governo, não é com a soberania da América Latina, muito menos com a integração entre os países-irmãos do continente. Seu parceiro principal é o governos dos Estados Unidos e os sócios são os bancos e as multinacionais. Com essa decisão ele rompe também a própria Lei de Meios do país que garante à população a pluralidade de vozes. Mas, ao que parece, burlar a lei está sendo uma regra nos novos governos de direita.
Nos países onde a Telesur é aberta e pode ser vista por toda a comunidade sem custo algum, a notícia da saída da Argentina repercutiu negativamente, até porque os movimentos sociais argentinos sempre foram muito visibilizados pela emissora, dado o seu perfil mobilizador e guerreiro. Mas, no Brasil, o fato não teve qualquer destaque, a não ser nas mídias populares. O que não é novidade, visto que a Telesur tem pouca acessibilidade nas terras tupiniquins, inclusive não sendo oferecida nos pacotes das TVs a cabo tradicionais. O que significa que se a gente quiser saber da América Latina, nem pagando consegue.
Na Venezuela a notícia foi recebida com indignação: “Querem que a Telesur desapareça, como eles desapareceram mais de 30 mil pessoas na ditadura militar. Mas, não vão conseguir. A Telesur seguirá sendo espaço da voz dos povos”, afirmou Nicolás Maduro.
É certo que enquanto o governo bolivariano existir essa proposta de unificação e integração das vozes de “nuestra América” seguirá. Mas, o que não pode ser esquecido é que a onda conservadora vem se estendendo pelos países latino-americanos e pode, sim, destruir esse projeto que conta hoje com correspondentes em mais de 40 países. Mais do que nunca, os movimentos sociais, sindicatos e lutadores de todo o continente precisam compreender a importância estratégica do combate que a Telesur trava, no contraponto sistemático à fábrica de ideologia capitalista que é a CNN e suas sucursais locais, concretizadas pelas grandes redes nacionais comerciais.
A luta de classes se dá também na comunicação. Sem esse entendimento, as vozes das gentes, que na Telesur encontram espaço para se dizer, poderão voltar ao silêncio.
quarta-feira, 30 de março de 2016
Enquanto o governo afunda
Por elaine tavares
A jogada do impedimento da presidente Dilma segue de vento em popa, com golpes e contragolpes no âmbito da casa legislativa, a qual abriga a comissão que julga o processo. Uma comissão que já é por si só suspeita, visto que boa parte de seus integrantes está envolvida em corrupção. Não bastasse isso, o próprio presidente da Câmara de Deputados tem a ficha suja e dinheiro escondido – comprovadamente - nos paraísos fiscais. É quase um cenário de ficção.
No campo da investigação policial as coisas deram uma acalmada depois que saiu uma lista com os nomes de deputados de vários partidos, envolvidos com o recebimento de propina, paga pela grande empresa multinacional Odebrecht, para a defesa de seus interesses. A lista vazou e logo foi impedida de circular pelo mesmo juiz que tem insistido que não deve haver sigilo no caso da investigação contra Lula. Ficou meio difícil para ele explicar os dois pesos, duas medidas.
Por outro lado o país segue sacudido pela vertiginosa sequência de fatos palacianos e partidários. O PMDB – que era o principal partido de base do governo, desembarcou. Depois de várias ameaças de deixar o governo, finalmente, em uma reunião relâmpago, tomou a decisão. Decidiram salvar a pele, caso haja uma decisão pelo impedimento da presidenta. Uma decisão tardia, enfim, pois se houvesse um mínimo de brio, já teriam dado o fora depois da ridícula carta de Temer à Dilma, reclamando sobre sentir-se um “enfeite” como vice. Ele mesmo não sai de cena nem do governo, pois, como foi eleito na chapa com Dilma, se ampara nesse fato para garantir a faixa de presidente caso haja o impedimento. Fica ali, de “enfeite”, conspirando para que o desfecho lhe seja favorável.
Se formos pensar em termos de jogo parlamentar, a debandada do PMDB complica um bocado as chances da presidenta Dilma no desenrolar do golpe dentro do congresso nacional, mas em termos de força de classe não muda nada. Como bem aponta o economista Nildo Ouriques, em suas sistemáticas análises sobre os acontecimentos, na luta de classes, esses partidos - PT, PMDB, PC do B e outros que compunham e compõe a base do governo petista – atuam na defesa dos interesses da classe dominante. Daí o uso do termo “governo petucano”, cunhado pelo sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos, para designar o comando atual do país. Um mistura de petismo (PT), com tucanismo (PSDB). É que nem a dita base de “esquerda”, nem a direita que hoje exige a queda de Dilma se diferencia no essencial que é a completa submissão aos interesses do grande capital.
Isso fica bem claro na conjuntura, pois enquanto os trabalhadores saem às ruas, mobilizados contra o golpe em curso, os deputados – inclusive com o voto dos aliados do governo - vão aprovando leis que destroem direitos, que aprofundam o arrocho salarial, que privatizam serviços públicos, que entregam riquezas do país. E tudo devidamente sancionado pela presidenta, que em nenhum momento vira seu olhar para as mesmas gentes que estão nas ruas em sua defesa. É como um conto de terror.
Defender o governo é inviável diante do quadro, embora se tenha claro que o que acontece é um golpe jurídico/parlamentar/midiático. Daí essa divisão entre os grupos de esquerda. Enquanto alguns acreditam que primeiro deve-se barrar o golpe e depois recrudescer a luta contra o governo petista, outros acreditam que é preciso tocar para fora todo mundo. Nem o PT e seus aliados, muito menos o PSDB e sua trupe. “Que se vayan todos”. Por outro lado, ainda não se vislumbra uma força capaz de assumir o comando da vida brasileira. Tudo está em construção.
Amanhã, dia 31, acontecem novas manifestações – ainda bastante confusas – pois juntam a defesa da presidenta com os protestos contra o ajuste fiscal que ela mesma vem impondo. Quase uma esquizofrenia social. De fora, seguem os que querem o “fora todos”.
O inegável nessa crise toda que vive hoje a nação brasileira, com o governo prestes a sucumbir diante de um golpe que será desastroso para a vida de todos os brasileiros, é que tudo isso é resultado justamente dos acordos partidários feitos pelo petismo para garantir a tal da governabilidade, quando então assumiu essa cara “petucana”. E, nesse consócio, a opção de classe é clara. E não é pela classe trabalhadora.
Tristes dias vivemos! O que anima é que o povo nas ruas é sempre um exercício de luta e, desde aí, algo pode emergir. Que seja bom , e pela esquerda.
domingo, 27 de março de 2016
O que nos diz a lista da Odebrecht
votação do Plano Diretor em Florianópolis
por elaine
tavares
A guerra de
torcidas entre os partidários de Moro e de Lula tem escondido algo muito mais
precioso do que os nomes dos que receberam propina da grande empreiteira
global, Odebrecht. É nada mais nada menos do que a prova concreta daquilo que
podemos chamar de "ditadura do capital". Um pouco o que o candidato
estadunidense Bernie Sanders vem tentando dizer na sua inusitada campanha bem o
centro nervoso do sistema.
É também a
comprovação de algo que até então estava apenas no discurso dos
"comunistas" (para o senso comum qualquer um que critique o sistema),
como mais uma de suas loucuras. Ou seja,
a dita democracia burguesa não é democracia. Ela é o espaço no qual reina a bem
camuflada ditadura econômica. Sim, eu disse ditadura. Esse "fantasma"
que, na boca dos "democratas" só existe nos espaços de seus inimigos.
Pois essa bem azeitada ditadura do capital usa os deputados, senadores,
prefeitos, governadores, vereadores, em sua maioria quase absoluta, para representar
os interesses de grandes grupos econômicos e não os da população que o elege.
A tão
incensada democracia liberal - que o presidente Obama fez questão de dizer em
Cuba que é "melhor do que a ditadura de um home m só" - é um grande
engodo. Nela, o império é o do dinheiro. Quem tem a "plata" investe em
pessoas que vão defender seus interesses como se estivessem defendendo os
destinos de toda a nação. Por isso, uma boa estudada na conformação das
bancadas legislativas das cidades, dos estados e dos países, e vamos ver que o
que ali está em jogo são as necessidades do grande capital, seja ele produtivo
ou financeiro. Muito pouco está em pauta o desejo da maioria da população. Não
é sem razão que numa cidade como Florianópolis, por exemplo, enquanto milhares
de pessoas se manifestam em frente à Câmara de Vereadores contra a proposta de
um Plano Diretor que destrói a cidade , a maioria dos legisladores vota às
pressas e sem discussão um plano que só será bom para as grande empreiteiras,
os bancos e os empresários do turismo. Essa é a lógica.
A lista da
Odebrecht e suas centenas de nomes não deve ser diferente de outras tantas
listas que poderíamos descobrir em outras empreiteiras, ou bancos, ou
federações de empresários. Essa gente é quem tem o controle do país, e paga
generosamente por isso. Assim, bancadas como a da bala, do boi ou da bíblia, no
Congresso Nacional, para além de seus interesses particularistas - que também existem - escondem também a
manipulação da política para favorecer a manutenção do sistema capitalista,
concretizado pelas grandes empresas e bancos. Tudo está ligado. Nesse universo
perverso salvam-se alguns legisladores que, por suas lutas e por suas ligações
viscerais com as comunidades onde vivem, apenas se configuram em exceções à
regra.
A lista da
Odebrecht é só a ponta de um escândalo maior, que é o da farsa da democracia.
Ela não existe. É apenas uma palavra, que os governantes usam como arma contra
os que decidem organizar a vida de outra forma, e que sejam seus inimigos.
Porque pensem bem: que diferença há entre a organização da vida de Israel para
o Irã. Ambos os países são teocráticos, governam em nome de uma verdade
revelada desde cima, um deus. Mas, Israel é amiga dos EUA, então pode.
E Cuba? Como
pode um arrogante como Obama ir arrotar na cara dos cubanos que a democracia
dele é melhor? Ou que Cuba não tem democracia? Os legisladores cubanos são
eleitos em eleições onde a propaganda eleitoral não existe. O candidato tem de
ser alguém que atua de verdade na comunidade e, por isso, é conhecido pelas
gentes. Ali a ditadura é outra. É a da maioria dos trabalhadores, dos que vivem
a vida cotidiana e decidem nela.
Já na
democracia liberal, do Obama e a nossa, a ditadura é a do capital. São
ditaduras diferentes, com objetivos diferentes. Uma visa o bem de todos e outra
visa o enriquecimento de alguns. Nós estamos aí no meio desse rolo e cabe a nós
decidirmos em qual delas é melhor viver.
Há os que ingenuamente
acreditam que na ditadura do capital há chances para todos, e que se
trabalharem muito, "chegarão lá". Sim, pode ser que sim. Mas serão
poucos, muito poucos. Nesse tipo de sistema - a democracia liberal ou a
ditadura do capital - o jogo é entre os "cachorros grandes", não
tenha ilusão.
Assim que ao
fim e ao cabo, a lista da Odebrecht, que contempla políticos de quase todas as
cores - lembrem-se das honrosas exceções - é uma boa oportunidade para que as
pessoas saiam do âmbito da consciência ingênua e se deparem com a verdade nua.
A de que os que fazem as leis, os que julgam, os que comandam, nada mais são do
que mandaletes dos graúdos. E contra eles só tem um jeito: povo crítico, unido
e em luta.
sexta-feira, 25 de março de 2016
Dia da Terra Palestina
30 de março, 18h, Auditório do CFH/UFSC
A questão envolvendo Israel e Palestina é um desses temas em que a ideologia se sobrepõe à verdade. Criado artificialmente em 1948, o estado de Israel usurpou terras de milhares de famílias que viviam naquele território, provocando um triste e doloroso êxodo. Empurradas à ponta de fuzis, as famílias tiveram de abandonar suas plantações, suas casas milenares, seus animais, enquanto em todo o mundo os Estados Unidos - mentor dessa criação - dizia que os judeus estavam voltando para casa, numa terra que não tinha povo.
Não bastasse essa ocupação à força e à custa de tanta dor, o estado de Israel uma vez criado foi subtraindo terras do restante do território onde se refugiaram as gentes palestinas. Com massacres atrás de massacres, a parte que caberia à Israel foi alargando e hoje restam pequenas ilhas de território palestino, cercadas de muros. Prisioneiras em sua própria terra até hoje as famílias palestinas são obrigadas as mais absurdas humilhações nas travessias dos muros. Como os pedaços ficam espalhados, para um pai visitar um filho em outra região palestina, ele precisaria passar por vários portões, com revistas vexatórias, violências e escárnio. Essa é a realidade cotidiana do povo palestino.
Não bastasse isso, vez ou outra Israel define algum ataque e bombardeia as regiões palestinas. Gaza é um exemplo concreto da desumanidade e do terror. A pequena faixa de terra aglomera milhões de pessoas, como se fosse um campo de concentração gigante. Bombas, experiências químicas e toda sorte de violências recaem sobre essa gente. Colônias de sionistas são criadas a toda hora em terras palestinas, alargando ainda mais o território de Israel, sempre com a ajuda dos tanques. É quase um genocídio.
Mas, apesar de todo o terror cotidiano, os palestinos resistem, armados de pedras e de coragem. Enfrentam os tanques, enfrentam a violência diária e denunciam. Com eles também estão em luta, por todo o mundo, milhares de pessoas que reconhecem o direito do povo palestino de viver livre na sua terra. Por isso, sistematicamente realizam debates, conversas e reflexões em todo o mundo.
O dia 30 de março é um dia importante para o povo palestino pois se celebra o Dia da Terra, lembrança do dia em que Israel anunciou o confisco de terras em 1976. Naquele 30 de março os palestinos lutaram e realizaram uma greve geral contra mais esse roubo. Houve repressão por parte de Israel e seis jovens palestinos acabaram mortos, além das centenas de pessoas feridas e presas.
Para celebrar a luta do povo palestino, várias entidades se reuniram e decidiram promover uma rodada de conversa sobre o tema Palestina/Israel. O encontro acontece na UFSC, nesse dia 30 de março, a partir das 18h, no Auditório do CHF/UFSC. Haverá debates e o lançamento do livro de Yasser Jamil: Nosso verbo é lutar: somos todos palestinos.
Participe. Venha conhecer mais sobre o tema.
domingo, 20 de março de 2016
O jornalismo vivo e em ação
Por elaine tavares - Fotos Rubens Lopes
A noite de sexta-feira foi intensa na Casa da Outra, que é a
sede do portal Desacato, um espaço de notícias que, no mais das vezes, não saem
nos meios de comunicação comercial. Por isso, "a outra". Uma outra
informação, que faz do jornalismo aquilo que Adelmo Genro Filho ensinou: forma
de conhecimento.
O dia fora intenso, com as manifestações contra o golpe e
toda a montanha russa informativa vinda de Brasília e de São Paulo. Mas, ainda
assim, um pequeno grupo de jornalistas - e gente que trabalha com comunicação -
se reuniu para discutir jornalismo. Isso, por isso só, já seria muito, visto
que esse fazer está um pouco desacreditado. Hoje, jornalismo é sinônimo de propaganda.
Não há análise, não há contextualização, não há impressão de repórter. Tudo que
há é mentira e enganação. Não que eu defenda que o jornalismo deva ser
imparcial. Isso é bobagem. Toda forma de narrar é parcial. Mas, o que se espera
do jornalismo é que ele possa mostrar todos os lados possíveis de um fato, além
de apresentar o contexto histórico no qual o fato está imerso.
Mas, o encontro no Desacato não foi para chorar pitangas,
nem para criticar essa gosma que se nos oferecem alguns colegas de profissão. O
papo era outro. Como seguir fazendo jornalismo de verdade nessa selva
informativa de redes sociais e meios dominados pela classe dominante. Lembramos
que esse grupo, em especial, vem produzindo conhecimento com o jornalismo desde
sempre. Particularmente mais organizado desde o lançamento do projeto Pobres e
Nojentas, em 2006, que buscava através de uma revista de classe, mostrar a vida
e ação produzida nas margens do sistema. Da Pobres e Nojentas, que esse ano
completa dez anos de atuação , saíram companheiros e companheiras que foram
construir outros espaços - na mesma linha - como foi o caso do Portal Desacato,
nascido em 2008 e hoje conduzido por Rosângela Bion de Assis, Raul Fitipaldi, Tali Feld e Juan Luis Berterretche, entre outros. Logo depois, a partir do Desacato, vem o nascimento de uma Cooperativa de trabalhadores que passou também a viabilizar a vida dos que produziam a comunicação no portal.
Nesse mesmo tempo, o grupo da Pobres e do Desacato foi
articulando parcerias com companheiros e companheiras que estavam fora do eixo
da capital. E, a partir de cursos de formação em jornalismo comunitário e
popular, foram se apertando os laços com gente do oeste e do meio-oeste do
estado, juntando a Associação Paulo Freire de Educação e Cultura, a Rádio
Tangará, o Jornal O Comunitário, Agência de Notícias Contestado, jornal O
Taquaruçu, a Abraço e outros agentes dispersos em vários veículos do interior,
além de estudantes e agentes de comunicação popular. Um trabalho bonito demais,
que vem, lenta e inexoravelmente, gerando frutos suculentos.
Hoje, o Desacato, por exemplo, já pode contar com
correspondentes que escrevem a realidade dessas regiões, dando ao portal uma
qualidade que não se encontra em nenhum outro veículo. Porque narra a realidade
do estado de Santa Catarina a partir da comunidade das vítimas do sistema. A voz do povo encontrando
espaço para se expressar. E nessa vereda que está sendo aberta com extrema
qualidade assomam jornalistas como Claudia Weinman e Júlia Saggioratto, de uma
nova geração que decidiu atuar no campo do jornalismo de verdade, esse apontado
por Adelmo.
Por conta de toda essa história, o encontro de pessoas para
falar de jornalismo não podia mesmo ficar no mimimi. O debate seguiu o rumo da
análise dos tempos e na construção de propostas que permitam dar mais
visibilidade ao jornalismo que está sendo feito fora dos meios comerciais. Ali
vibrava a vontade de narrar a realidade com todas as cores que ela tem, e não
apenas aquela que interessa a classe dominante. Jornalismo comprometido com os
trabalhadores, os destituídos de direitos, os oprimidos e explorados.
O debate na Casa da Outra principia uma ação que
procuraremos manter sistematicamente. Encontros críticos, formulação teórica e
proposições práticas. Paulofreirianamente indo, como nos ensina o companheiro Jilson
Carlos de Souza. O jornalismo pulsa e vive nas narrativas dos
"velhos", como eu, e na dos "novos", como a Claudia Weinman,
que retrata o oeste de Santa Catarina como há muito tempo não se via na
imprensa. O jornalismo como forma de conhecimento, buscando formar, mais do que
informar.
E seguimos, as Pobres e Nojentas, Desacato e todos os demais
amigos da Rede Popular Catarinense de Comunicação, que vamos pavimentando pouco
a pouco, na solidariedade comunicacional, na alegria e no compromisso com
outro, caído.
O jornalismo vive e está aí!
sexta-feira, 11 de março de 2016
Pobres e Nojentas: lá se vão 10 anos...
Miriam e eu
Jussara Godoi - musa inspiradora
Por elaine tavares
A vida passa num incrível turbilhão quando a gente está por
aí, envolvida com as lutas sociais, com as batalhas pela cidade que amamos, com
as dores e alegrias cotidianas. Então, ontem, indo para uma entrevista, Miriam
e eu começamos a falar alguma coisa da Pobres e, num átimo, percebemos: em maio
desse ano a Pobres e Nojentas – revista que criamos em 2006 – completa 10 anos
de existência.
Era uma dessas manifestações de luta no centro da cidade e
nós encerramos o dia na padaria Brasília, que ficava ali, em frente à Praça XV.
Era comum tudo acabar num café regado a memórias da batalha recém-vivida.
Falávamos então do jornalismo, cada dia mais idiotizado em revistas como a
Caras – especializada em falar da vida dos ricos anônimos. Aí, nossa musa –
Jussara Godoi – deu a ideia. Por que vocês não criam uma revista que fale dos
pobres, mas dos pobres nojentos, esses que não se entregam por estarem
empobrecidos e vão pela vida afora, nariz erguido, rompendo as cercas?
Foi a dica para o projeto. E, em maio de 2006 saiu o
primeiro número da revista que ousamos chamar de Pobres e Nojentas, buscando
mirar o mundo não só a partir da mulheridade, o feminino, mas também da classe.
Nossa revista nascia com uma escolha: era uma revista de classe. Da classe
trabalhadora. Pobres e Nojentas, um título pedagógico, difícil, “não vendável”
como nos alertavam os amigos. A intenção era provocar o desconforto, chamar ao
debate. Pobres, porque vítimas do sistema capitalistas, mas Nojentas, porque
falaria dessa comunidade que, mesmo solapada pelo sistema capitalista, erguia a
cara e enfrentava o mundo, na luta, na garra.
A ideia tomou corpo e a revista começou sua caminhada. Nas 28
páginas de cada número, a vida dos que realmente fazem o mundo andar.
Movimentos sociais, sindicalistas, trabalhadores comuns, artistas populares, heróis
e heroínas nacionais e latino-americanas, notícias do mundo sempre na
perspectiva de classe. Na Pobres saíam as notícias que nenhum veículo comercial
dava, apareciam as pessoas que não interessavam aos meios de massa. E a revista era distribuída nas
comunidades e no terminal urbano, gratuitamente.
Resistimos em papel até o número 30 (DEZ/2013), uma vez que
contávamos apenas com o apoio solitário do Sindprevs/SC e todos os custos saiam
do nosso bolso. Sem a ajuda do bloco da esquerda, tivemos de suspender as
impressões, mas a Pobres e Nojentas seguiu no mundo virtual através do blog: www.pobresenojentas.blogspot.com.
Nosso compromisso com a cidade, com os trabalhadores, com a vida digna fez com que
driblássemos as dificuldades e seguíssemos fazendo a cobertura daquilo que os
poderosos querem ver escondido.
A Pobres tem edições históricas, como uma especial sobre
Cuba, a cobertura do Plano Diretor, o debate sobre o Costão Golf, a luta pela
moradia, a questão indígena, as transformações na América Latina, e tantos
outros temas de importância vital para a vida dessa nossa amada Meiembipe.
Esse ano, percorrida uma década de vida da Pobres a gente vai sentar em alguma outra padaria – deve ser a do Alemão, lá no final da Conselheiro - para tomar café com pão e manteiga e conspirar sobre uma edição especial em papel. Vamos juntar os parceiros e parceiras de tantas edições, como a Marcela Cornelli, o Ricardo Casarini, a Raquel Moysés, a Rosângela Bion de Assis, a Sandra Verle, o Moacir Loth, o Celso Vicenzi, o Raul Fitipaldi, o Rubens Lopes – e a musa Jussara Godoi – para partilhar desse lindo aniversário.
Ao fim e ao cabo é bom saber que caminhamos dez longos anos
nessa cidade, visceralmente comprometidas com as gentes, sem nunca claudicar.
Quanto orgulho tenho dessa “pobrezinha”, que segue nojenta e insuportável, contando
as histórias, desvelando a vida. Quanta alegria tenho de ter apostado nesse
projeto com uma galera tão especial.
Viva a Pobres e Nojentas! Viva nossa revista de classe! Viva
a luta dos trabalhadores!
E que venha mais uma década, porque a luta não para!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Por que se teme o comunismo?
A Comuna de Paris mostrou a Marx que não basta tomar o estado, há que destruí-lo rompendo a máquina burocrática e militar
Observando o avanço desenfreado das pautas da direita em todo o planeta, com a também crescente fascistização da vida, via as epidêmicas redes sociais, me assalta uma certeza: o comunismo, mais do que uma necessidade política, é uma necessidade biológica. E, diante da realidade, essa forma de organizar a vida aparece-me como a única alternativa possível para os seres humanos. Alguém pode dizer que sou uma louca, quando tudo parece apontar para um retorno inexorável dos tempos mais sombrios, mas, posso mostrar que não.
Imaginem-se na baixa idade média, quando a violência contra os pobres recrudesceu, uma vez que os senhores feudais viram que as mudanças causadas pelo nascimento dos burgos eram profundas. Naquelas horas noas, de angústia e violência, quem arriscaria dizer que estava em processo de consolidação uma nova forma de viver que daria fim ao feudalismo? Os loucos? Não! Os que faziam boas análises da realidade.
O mundo atual, capitalista, imperialista e monopólico tem como base uma equação simples: para que um viva, outro tem de morrer. Isso significa que é, por natureza, destruidor e violento. Se no mundo antigo, a escravidão era garantida pela força de uns poucos e no mundo feudal a servidão se mantinha pelo terror dos senhores da terra, no capitalismo os escravos modernos – assalariados – são mantidos também pela força da repressão policial e burocrática. E é comum, a história nos mostra, quando um sistema está ruindo, a repressão a violência contra os de baixo aumentar consideravelmente. É a tentativa desesperada da classe dominante para manter o poder.
E o que vemos hoje no mundo? Uma violência exacerbada contra tudo aquilo que possa representar uma ameaça ao sistema capitalista de reprodução da vida. Qualquer gritinho de protesto já é considerado terrorismo e a força do braço armado do poder cai sobre as gentes com precisão. É um tempo de extermínio. Até no Brasil, onde o tal do “terrorismo” raramente deu as caras, os deputados aprovaram no dia 24 de fevereiro uma lei anti-terrorismo. E com base no quê? Numa suposta possibilidade de aparecer algum “deles” nas Olimpíadas. Piada? Não! Medo.
A classe dominante mundial está com medo. E isso é bom. Se, por um lado, esse medo recrudesce a violência oficial, por outro, mostra que há um pequeno buraco na represa, como no antigo conto holandês. E o sistema tenta conter a avalanche, matando, desaparecendo, trucidando, fazendo guerra.
Diante desse quadro, só nos resta o comunismo. E uma das coisas que mais me impressiona é ver alguém chamando outro alguém de comunista como se fosse uma coisa ruim. Ou ainda, falar do comunismo como se fosse o pior que pudesse acontecer na terra. Como isso poder ser possível? Quem em sã consciência pode achar que o comunismo é ruim? Pois para responder essa questão, proponho o debate de alguns elementos que compõem o comunismo, para que, sem preconceito, possamos definir o que de bem e bom pode ter num regime como esse.
A ideia de um mundo justo, no qual todos possam ter vida digna não é coisa do alemão Karl Marx, tão demonizado. Ela aparece bem antes dele em escritos de tantos filósofos, inclusive no mundo oriental. Mas, claro, é Marx quem aponta o comunismo como um sistema de organização da vida que só pode acontecer depois que sejam desvendados e superados os terrores do mundo capitalista, que ele tão bem visualizou. A partir do estudo sobre como se expressam e se concretizam no mundo real as relações de produção do sistema capitalista, Marx concluiu que não podia ser possível ao humano viver nessas condições. Ele não descobre a luta de classe, ele a põe em foco.
Assim, segundo ele, uma vez que os trabalhadores desvelassem o véu da alienação que os mantêm presos a um sistema que oprime e mata, a única possibilidade seria a construção de uma forma autônoma e livre de viver, na qual sequer o estado seria necessário. Isso é o comunismo.
Nessa forma de organizar a vida não haverá uma classe dominando a outra. Todos serão livres e administrarão a produção das coisas para o bem-viver. Cada um trabalhará conforme sua condição e receberá conforme sua necessidade. Não haverá divisão entre trabalho braçal e intelectual e todo o trabalho será considerado digno. Se a pessoa for trabalhar como lixeiro e tiver oito filhos para sustentar, ele receberá o suficiente para isso. Ninguém precisará mendigar, migrar, fugir, se prostituir, se destruir. O estado não será necessário, porque ele existe apenas como expressão de dominação de uma classe sobre a outra. Se não houver classes, para que estado? “Poderíamos empregar em vez de estado, a palavra comunidade”, diz Engels.
Aí se pode dizer: isso é uma bobagem. Tem que ter organização, tem que ter direção, tem que ter ordem. Mas, quem diz que não haverá? Haverá tudo isso, mas sem que alguém oprima o outro. Se cada um receber conforme a necessidade não será necessária a hierarquia entre os trabalhadores. O que hoje está numa posição de organizador da produção e do trabalho, amanhã pode não estar. E se está, vai receber o que precisa para viver. Nem mais, nem menos. O cargo que ocupa não lhe dará poderes sobre o outro. Não haverá patrão, uma vez que os bens produzidos serão coletivos, assim como a terra. E se tudo for assim, tão bom, haverá festa e haverá beleza, essas coisas doces, necessárias ao espírito. Essa é a ideia do comunismo evocada por Marx, que, é óbvio, irá se construindo e aprimorando pela ação das gentes.
Alguém dirá: isso é um sonho. O ser humano não consegue ter maturidade suficiente para viver assim, livre, sem patrão. Ora, no tempo da escravidão, dizia-se que os escravos morreriam sem o dono. No tempo da servidão, dizia-se que os servos não existiriam sem os senhores feudais. E, se foram os donos de gente, e, se foram os senhores feudais. Que passou com a humanidade? Avançou. Por que raios, então, a humanidade não iria dar esse salto de qualidade? Todas as retrospectivas histórias mostram que sim.
Agora, é fato que o comunismo não se fará em um passe de mágica, muito menos por decreto. Marx, Engels e Lenin escreveram muito sobre isso. Será necessário um tempo de transição, que é o socialismo. Esse tempo de transição preparará o caminho para o comunismo, a hora em que tudo será comum, comu-nitário. No socialismo ainda existem as classes, mas aí quem domina é a classe trabalhadora. E também será necessária a força, a burocracia, o estado.
Por isso não faz sentido a gritaria dos capitalistas contra propostas como as de Cuba, por exemplo. É um governo forte, um estado forte, no qual quem domina são os trabalhadores. Na luta de classes cubana, pela revolução, venceram os trabalhadores. Eles comandam agora, e não a burguesia. Ah, mas eles são truculentos, violentos, tem presos políticos. Sim, são violentos, como eram violentas as forças que submetiam os trabalhadores antes. Quem não se lembra da ditadura de Batista? Ah, mas então é o dente por dente? Não. É porque ainda não é o comunismo, não há ainda a maturidade necessária para esse modo de organizar. Precisa ter Estado, precisa ter a organização hierárquica. E se o estado é o instrumento de dominação de uma classe sobre a outra, essa dominação é a dos trabalhadores sobre a burguesia. Até que todos estejam prontos para o salto, a nova ordem, o novo mundo, o mundo necessário. O socialismo é um período em que vão se depurar os projetos.
Assim que o comunismo, volto a dizer, é uma necessidade biológica. Porque nós, os humanos, temos esse desejo pelo que é bom, pela festa, pela beleza. Esse é o nosso propósito. Não é possível que a gente aceite, como raça, viver como estamos vivendo agora: oprimidos, violentados, massacrados, consumindo o planeta. Como os escravos e os servos nós também avançaremos para um tempo melhor. É infalível.
Por isso vamos caminhando, pavimentando essa estrada de maravilhas. Talvez nós mesmos não venhamos a viver nesse mundo sonhado. Mas, não importa. Para ele estamos indo, inexoravelmente, e ele já existe dentro de todos os que o acreditamos possível. Como o casulo se transforma em borboleta. Assim será!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Em busca do jornalismo perdido
O grande livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, ficção científica escrita em 1953, apontou uma sociedade futura na qual as pessoas teriam uma tela multidimensional na sala de casa e que ali ficaria passando informação sem parar, o dia todo, e a pessoa, viciada naquela algaravia, não conseguiria mais compreender o mundo criticamente. Tudo se resumiria naquele caleidoscópio de palavras desconexas que perpetuavam o poder de quem mandava. Aquela passagem do livro sempre me causou calafrios. Era o mundo perdido no qual vivia a esposa do personagem principal, o que descobre a beleza dos livros num mundo no qual eles não mais existiam.
Apesar da mensagem de esperança que o perturbador livro de Bradbury traz, aquela imagem da sociedade futura fica a corroer os miolos, principalmente quando aquilo que era só uma invenção ficcional nos anos 50 do século passado parece ser a realidade dos tempos atuais. Esse é o nosso mundo. As televisões espertas, de 50 polegadas, já conectam a internet e, nela, o facebook, esse espaço multicomunicacional que parece ter abduzido todas as mídias numa só. Ali, no seu mural, as informações passam em velocidade da luz, formando a mesma algaravia enfeitiçante da sala do mundo Fahrenheit. A vida está ali, prisioneira e saltitante.
Essa constatação aterrorizante é o que me leva a pensar sobre a minha profissão: o jornalismo. Onde ele está? Quem consegue vê-lo em meio a selva de informações fortuitas, rápidas, e mentirosas? Sobreviverá ao buraco negro do facebook, cada vez mais empoderado?
Antes de mais nada é preciso entender sobre o que estou falando, visto que há muitos entendimentos sobre o que seja o jornalismo. Falo da análise do dia, a descrição da realidade com impressão de repórter, contexto histórico, narrativa. Falo da produção de textos e vídeos que apresentem criticamente aspectos da realidade, levando o leitor/espectador a pensar sobre os fatos e estabelecer nexos com a vida.
É fato que não é o facebook o assassino do jornalismo. Ele agoniza desde há tempos na medida em que foi hegemonizado como mera propaganda, a apontar as belezas do sistema capitalista, da agricultura predadora, do consumo desenfreado e outras facetas mais desse modo de organizar a vida. As notícias que pipocam nas telas de TV, nos jornais, não dizem da realidade. Elas servem para aprisionar e alienar numa verdade inventada, que esconde o discurso da maioria da população. A voz do jornalismo existente é a voz oficial, do presidente, do deputado, do economista, do especialista. Nele não aparecem os trabalhadores, os que lutam, os que realmente criam o mundo. Esses estão fora, sem lugar onde expressar sua voz.
Por conta disso que ao longo dos tempos sempre foi necessário constituir um jornalismo de verdade, que se faz em outras instâncias, alternativas e populares. Um jornalismo que abre espaço para a voz do oprimido, da comunidade das vítimas e que contextualiza a realidade. E desde há tempos, esse jornalismo vem se equilibrando no emaranhado de um mundo midiático, criado para o engano. É a luta de classes se expressando no campo da palavra, da informação. De um lado, os poderosos, buscando impor seu modelo de mundo como o modelo universal, e de outro lado - ainda que com menos poder de abrangência, mas valente - as gentes em luta, procurando abrir espaço para a informação crítica que leve as pessoas a pensar sobre a realidade e, desde aí, transformá-la.
Com a ascensão da revolução tecnológica, o jornalismo precisou se reinventar. A Rede Mundial de Computadores trouxe uma novidade até então impossível de ser pensada: a possibilidade de a palavra do oprimido também ultrapassar os limites geográficos. Isso aprecia bom. Com a popularização da internet, os sindicatos, movimentos sociais, movimentos indígenas, movimentos populares, pessoas individuais, cada um que quisesse externalizar seu pensamento, tinha a sua chance. E não apenas para a sua aldeia, mas para o mundo inteiro. As incognoscíveis páginas, criadas em linguagem html foram se popularizando, com a criação de modelos facilmente manipuláveis. Vieram então os blogs que se tornaram muito mais acessíveis. A internet não apenas democratizava o espaço para que os movimentos coletivos se expressassem mundialmente, mas também viabilizava que qualquer um, com acesso à rede, pudesse ser um produtor de conteúdo.
Aí mais uma vez foi a hora de pensar o jornalismo. Se qualquer um pode divulgar informações, como peneirar o que é apenas informação e o que é jornalismo? Como reconhecer o que é uma opinião? Como estabelecer os nexos entre as informações soltas divulgadas aos borbotões? Como encontrar espaços de informação crítica e contextualizada? O que se viu num primeiro momento foi que as pessoas continuavam a acessar a informação formal, produzida pelos mesmos grupos que já dominavam a informação televisiva ou do papel. Ou seja, a informação/propaganda produzida pelo jornalismo das grandes empresas de comunicação ainda era a referência. E, de novo, os movimentos e entidades da luta popular tiveram de disputar o espaço internético como "ilhas alternativas", sempre perdendo a batalha para os velhos grupos de poder que controlam a mídia no mundo.
Foi então que chegou o facebook, um espaço na rede que começou a abocanhar todas as possibilidades comunicacionais, aglutinando-as numa só. O correio eletrônico foi sendo abandonado e a comunicação agora vai se fazendo - em tempo real - pelo esquema de mensagens do face. A ideia é de que a pessoa esteja o tempo todo conectada, aproximando-nos daquela assombrosa ficção de Bradbury. E assim, no mundo atual, ou a pessoa está conectada, ou não é. É a versão eletrônica do consuma ou te devoro, outro mantra do capitalismo.
Agora, a novidade que se aproxima me foi sussurrada por um texto do irianiano Hassein Derakhshan, chamado de o pai dos blogs do Irã, que informa o novo plano de Zuckerman: acabar com a possibilidade da publicação de links no facebook. E o que isso significa? Que se hoje os blogs e os movimentos sociais utilizam o facebook para potencializar suas informações, divulgando os links para serem consultados, amanhã isso já não será possível. A tendência será a morte das páginas individualizadas. Segundo Hassein, o facebook acabará sendo a única fonte de informação, totalmente homogeneizada. Não é sem razão que o criador dessa tecnologia tem andado pelo mundo fazendo convênio com os governos para permitir que "todos" tenham acesso ao facebook.
Atualmente um bilhão e meio de pessoas usam a internet diariamente e mais da metade tem o facebook como fonte principal de informação. Se considerarmos que somos sete bilhões no planeta, ainda há gente demais fora dessa mídia, coisa que Zuckerman está batalhando muito para mudar. Mas, esse mudar é apenas seguir sendo o mesmo, já que a tal da internet dos pobres apenas possibilitará o acesso ao facebook, tornando a pessoa prisioneira dessa plataforma.
A questão é que o futuro nos reserva uma espécie de oligopólio mundial, uma plataforma única de comunicação, na qual será muito difícil discernir o que é verdade, o que é mentira, o que é propaganda, o que é crítico. Estaremos jogados na sala multidimensional de Bradbury, com as vozes falando, falando, falando e não dizendo nada, fortalecendo a dominação.
Voltamos então a questão do jornalismo. Como ele sobreviverá nessa sala caleidoscópica? Haverá saída? Encontraremos um espaço para a informação crítica? Estará perdido para sempre o jornalismo que desaloja, que perturba, que faz pensar? Perguntas incômodas, mas necessárias.
No mundo ficcional de Bradbury as pessoas acabaram encontrando uma maneira de fazer seguir o pensamento crítico. E nós, encontraremos? Essa é a questão que tem me corroído as entranhas.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
O meio-ambiente é um bem comum
Entrevista realizada pela jornalista Elaine Tavares, no Programa Campo de Peixe, com o professor da UFSC, Daniel José da Silva, sobre a necessidade de a população se apropriar da luta pelo equilíbrio ambiental.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
O ano que vem
A abertura dos trabalhos legislativos no Brasil mostrou que o ano de 2016 não vai ser fácil para os trabalhadores. Com a presença da presidenta Dilma, que falou para os deputados e senadores, buscando apoio para suas pautas, o que ficou nítido e claro é que muita luta será necessária para garantir que direitos não sejam tirados e outros possam vir. Tendo como mote a retomada do crescimento, Dilma pediu apoio para a aprovação de um novo tributo, a CPMF, que incidirá sobre movimentações financeiras e também para as novas medidas que aprofundarão o chamado ajuste fiscal.
Não precisa ser muito esperto para saber que o tal ajuste será pago pela maioria dos trabalhadores, uma vez que o carro chefe da sua proposta é a desvinculação das receitas. E o que isso significa: que com ela, o governo poderá manejas os recursos do orçamento jogando verbas para onde julgar mais necessário. Com isso, o orçamento da seguridade social, que envolve saúde, moradia, educação, assistência social e previdência, poderá ser movido para outros objetivos, coisa que atualmente não pode ser feita. A Constituição define que arrecadação das contribuições sociais só podem ser gastas com o social. Desvinculando as receitas, o governo pode puxar recursos das contribuições sociais e garantir o superávit fiscal sem precisar criar outros tributos.
Com essa proposta de desvinculação o governo já acena com redução de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, para quem tem menos renda, e cortes no Pronatec (formação técnica e para o trabalho) e o programa Ciência sem Fronteiras (formação no exterior). O argumento da presidenta para que aconteça a desvinculação é de que a carga tributária - que é a parte do orçamento que pode ser movida - diminuiu de 16% do PIB para 13,5%, enquanto que as contribuições previdenciárias aumentaram. A proposta é criar a CPMF e colocar parte dos recursos desse imposto na previdência. É deveras, uma matemática estranha, já que põe e tira recursos ao mesmo tempo e ainda continua com o velho discurso de que a previdência é deficitária.
Não bastasse querer mexer nos valores orçamentários das contribuições sociais, a presidenta ainda quer fazer nova reforma na Previdência que vai aumentar a idade mínima, mudar o fator previdenciário e ajustar a previdência dos trabalhadores públicos. Com isso, as novas gerações - as mudanças não valerão para quem já está no sistema - terão de trabalhar muito mais tempo para garantir aposentadoria, além de terem de recorrer, obrigatoriamente à previdência privada, caso seus salários ultrapassem o valor definido como máximo que é, na verdade, muito baixo: 2.400 reais.
Nesse pequeno mas significativo pacote de propostas se esconde um mundo de mudanças que mexe diretamente com o bolso e vida da maioria dos trabalhadores, visto que os mais ricos seguirão acumulando sem maiores problemas. Dilma acenou com medidas que beneficiam os empresários médios e prometeu abrir novos mercados para os grandes exportadores, bem como a privatização de estratégicos espaços, como é o caso dos terminais dos portos públicos e estradas.
As pautas legislativas
Mas se as metas do governo federal não parecem muito atrativas para os trabalhadores, as outras pautas que estarão em debate nesse ano novo legislativo também representam péssimas mudanças, quando não um retrocesso abismal.
Pelo menos 10 grandes projetos deveriam preocupar sobremaneira os brasileiros e mobilizá-los no debate e na resistência pois, ainda que sejam temas periféricos às questões estruturais influem demasiado na vida cotidiana e reforçam preconceitos e ódios que já se expressam em grande número no país. Um deles é a proposta de um Estatuto da Família, da bancada evangélica, que considera família apenas a união entre um homem e uma mulher. Nada poderia ser mais atrasado que isso, mas já foi aprovado nas comissões. Outro é o da redução da maioridade penal para 16 anos, que pretende encher as cadeias para melhor alimentar a roda do capital. Também estará em pauta a chamada lei antiterrorismo que nada mais é do que legalizar a criminalização das lutas sociais visto que, hoje, o conceito de terrorismo ficou mais largo, abrangendo nele qualquer pessoa que se coloque em luta contra os governos. Nessa linha de leis esdrúxulas está também a que criminaliza os agentes de saúde que informarem às mulheres sobre soluções abortivas como por exemplo a pílula do dia seguinte, mesmo que em caso de estupro.
A pauta do ano igualmente se ocupará de temas como a permissão da terceirização sem limites, a retirada da Petrobras como exploradora exclusiva do pré-sal, a revogação do estatuto do desarmamento, a privatização dos Correios e da Caixa Federal, a flexibilização do conceito do trabalho escravo e a redução da idade para o trabalho que deverá ficar em 14 anos.
Assim que os dramas serão intensos e a vida nacional colocada num profundo turbilhão. Nesse cenário temos um movimento social ainda muito dócil, sindicatos adormecidos e centrais de trabalhadores mais ocupadas em defender o governo, o que torna tudo muito incerto. Permitirão os trabalhadores brasileiros a retirada de mais direitos? Suportarão uma nova reforma da previdência? Estarão dispostos a aceitar retrocessos bárbaros e a consolidação de preconceitos?
Recentes pesquisas mostraram que 1% da população mundial detém a riqueza equivalente aos 99% restantes, o que mostra que o abismo entre os mais ricos e os mais pobres só aumenta. Os dados ainda comprovam que 62 pessoas no mundo detém uma riqueza equivalente a riqueza da metade da população - ou seja, do que 3 bilhões e meio de pessoas. Isso não é bolinho. São dados aterradores. Esse abismo se expressa igualmente nos países capitalistas, nos quais os índices de riqueza também aumentam e se separam drasticamente dos mais pobres. Isso significa que motivos para luta existem e sobram.
Ocorre que o capitalismo moderno e sua pedagogia da sedução ainda tem muito poder sobre as pessoas que, ingenuamente, acreditam que "com muito esforço" podem vencer na vida, "chegar lá". Esse tipo de crença é o que permite que os pobres permaneçam pobres e os ricos cada vez mais ricos. Romper essa mentira é tarefa difícil, ainda mais se considerarmos a crise pela qual passa o sindicalismo, que deveria ser o espaço da rebeldia e da organização para a luta. Sem trabalho de base e sem credibilidade essas entidades estão aí, em vida vegetativa. Caberá aos trabalhadores e aos que vivem sob a opressão do capital encontrar os caminhos da luta para mudar tudo isso.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Exposição marca os 30 dias do assassinato de Vitor Pinto
Desde há 500 anos, quando chegaram nas nossas terras os
invasores, que a proposta do mundo branco é exterminar os povos indígenas. Primeiro foi
através da escravidão.Não deu certo. Depois houve a tentativa de integrar o índio
na cultura branca, entendida como civilização. Tampouco foi possível. O índio
que vive no mundo branco nunca é totalmente aceito. A sociedade é racista,
preconceituosa e discriminadora.
Assim, não foi sem razão que o assassinato bárbaro do menino
de dois anos, Vitor Kainkang - degolado
por um jovem de 23 anos em Imbituba, litoral catarinense - passou sem maior
alarde nos meios de comunicação. Um pouco mais de atenção e já se poderia notar
a culpabilização da vítima. O que fazia
a família fora da aldeia? Porque não ficam quietos nos seus lugares de origem? Porque
para a sociedade dita branca o lugar do
índio é confinado em algum lugar bem distante, que não incomode a vista.
Mas, os povos indígenas são povos livres que como qualquer
um de nós têm todo o direito de se movimentar pelo território. Além do mais,
como são relegados pelas políticas públicas governamentais e raramente tem suas
terras demarcadas, eles precisam batalhar para garantir a comida na mesa. E uma
das formas de sobrevivência que encontram é justamente vender seu artesanato na
temporada de verão no litoral. Logo, o fato de uma família Kaingang estar no
litoral, tão longe de sua terra e em condições precárias de alojamento é muito
mais responsabilidade dos governos do que deles.
Daqui a quatro dias se cumprem os trinta dias do assassinato
de Vitor, o pequeno guerreiro kaigang. O provável assassino está preso, mas o
inquérito deve ser concluído até a próxima semana. Em Florianópolis movimentos
sociais e de apoio a questão indígena, bem como representantes das três etnias
(Kaingang, Guarani e Xokleng Laklãnõ, preparam uma homenagem para marcar a data
do assassinato. Está sendo organizada pelo Museu do Brinquedo uma exposição de
brinquedos e brincadeiras no hall da Biblioteca da UFSC, a partir do dia 29, para
lembrar a meninice perdida de Vitor.
Passe o tempo que passar, nas terras indígenas ninguém vai
esquecer. Até porque, outros meninos e meninas estão aí, na dura luta pela
sobrevivência não só de si mesmos, mas de toda a sua cultura.
Vitor Pinto, presente!!!
domingo, 24 de janeiro de 2016
Comunidade vai reconstruir rancho do Aparício
Em entrevista no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, seu Aparício e o filho Pedro contam da mobilização da comunidade para reconstruir o rancho da canoa, queimado criminosamente no último dia 16 de janeiro. No incêndio foram destruídas duas canoas centenárias.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Núcleo Gestor do Plano Diretor volta a se reunir
Por Miriam Santini de Abreu
Primeira reunião do Núcleo Gestor, que irá conduzir este processo, ocorreu nesta quarta-feira, 20/01
Comentário ouvido na primeira reunião do Núcleo Gestor do Plano Diretor de Florianópolis, realizada no Teatro da UBRO nesta quarta-feira, 20:
- Aaaiii, são sempre os mesmos!
Sim, os mesmos, e ainda bem que, mais uma vez, eles quase lotaram o auditório do teatro, num dia de verão de 30 e poucos graus, para debater o presente e o futuro de Florianópolis, que ultimamente aparece no noticiário às voltas com problemas graves de falta de saneamento.
O Núcleo Gestor, de acordo com lei federal (Estatuto da Cidade), é um órgão colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade para discutir tudo o que se relaciona com a revisão dos Planos Diretores nos municípios com mais de 20 mil habitantes. O processo de revisão do Plano Diretor de Florianópolis também estava em discussão via Núcleo Gestor, mas ele foi destituído pelo prefeito Cesar Souza em 2013, pouco antes de o projeto do Plano chegar à Câmara de Vereadores.
De nada adiantaram os avisos ao prefeito. O Plano foi aprovado por maioria na Câmara no dia 17 de janeiro de 2014, com direito à forte repressão da Polícia Militar sobre as dezenas de representantes comunitários que foram protestar contra o atropelo com que se decidiu o rumo do crescimento da cidade.
Pouco mais de dois anos depois, a prefeitura foi obrigada a reconstituir o Núcleo Gestor por força de uma decisão judicial proferida no âmbito de Execução Provisória de Sentença, que tramita na 6° Vara Federal de Florianópolis. A decisão, de 4 de dezembro de 2015, também obriga o município a realizar as 13 Audiências Públicas Distritais e a Municipal, que deveriam ter sido feitas antes da entrega do Plano à Câmara em 2013. Além disso, suspende todos os processos de aprovação de novos empreendimentos (condomínios, loteamentos, desmembramentos e incorporações) e de alvarás de construção, bem como o cancelamento dos efeitos de todos aqueles que, ainda que deferidos, não iniciaram a implantação. A justiça deu prazo de 30 dias para a prefeitura se mexer, e por isso a primeira reunião do Núcleo foi marcara em pleno mês de janeiro.
A base da medida judicial é uma decisão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre que condenou o município ao decidir que a tramitação do processo, que levou à aprovação do Plano Diretor, não foi válida porque ignorou a participação popular prevista em lei. Para ser ter uma ideia do atropelo, o projeto chegou à Câmara com cerca de 600 emendas feitas por vereadores e pela própria prefeitura, que emendou o texto que ela mesma encaminhou.
A posição inflexível do prefeito e do secretariado, de destituir o Núcleo Gestor, deu no que deu. O processo foi parar na Justiça, dois anos se foram e agora é preciso, como se diz, voltar ao que deveria ter sido feito.
Na primeira reunião, foi decidido que o Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) irá resgatar as últimas atas das reuniões do Núcleo, em 2013, para conferir a nominata dos 8 representantes do Poder Público, 18 da sociedade civil e 13 representantes distritais. É que as instituições, órgãos e entidades são os mesmos de 2013, mas é necessário confirmar se as pessoas que as representam serão as mesmas.
A justiça mandou a prefeitura dar plenas condições ao Núcleo Gestor para fazer o trabalho e garantir a ampla divulgação e realização das Audiências Públicas. A população precisa, então, ficar de olho no calendário de atividades e participar, porque o Plano Diretor é a lei mais importante para definir como a cidade vai ser daqui para diante.
Veja o vídeo
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
O negro em Florianópolis
Entrevista com Jeruse Romão, que recebeu nesse 18 de novembro, a Medalha Zumbi dos Palmares, na Câmara de Vereadores de Florianópolis.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Jornalista Roseméri Laurindo lança "O Jornalismo Diversional de Fátima Bernardes".
Jornalismo Diversional. Quais seriam os segredos e as táticas jornalísticas adotados por Fátima Bernardes, uma das das apresentadoras da televisão brasileira na atualidade? Existe uma fórmula para o sucesso? No livro “O Jornalismo Diversional de Fátima Bernardes”, a autora Roseméri Laurindo apresenta, de forma clara e direta, os gêneros jornalísticos compreendidos por meio de um tipo autoral diferenciado, denominado autor-marca. Produzida e distribuída pela Primavera Editorial (SP), a obra será lançada no dia 19 de novembro, a partir das 18h30min, na Livraria da Vila, na Alameda Lorena, em São Paulo.
Segundo a autora, o Jornalismo Diversional é uma forma, que embora trabalhe com a realidade, tem o objetivo de dar uma aparência mais romanesca aos fatos, personagens e ações. Esse gênero jornalístico traduz um conceito que classificou o programa “Encontro com Fátima Bernardes” como modelo de Jornalismo Diversional. Focando na personalidade da apresentadora Fátima Bernardes, o livro alinha os conceitos jornalísticos para apresentar, com maior propriedade, a complexidade do gênero autor-marca no programa. “Composto por pesquisas acadêmicas e entrevista com Fátima Bernardes, o livro revela as transformações do jornalismo no cenário atual”, acrescenta Roseméri.
Sobre a Autora
A jornalista e escritora Roseméri Laurindo, natural de Blumenau, é Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina. É Coordenadora do Curso de Jornalismo da Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde é professora titular de Teorias da Comunicação. Realizou estágio pós-doutoral na Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, junto à Universidade Metodista de São Paulo, com apoio do CNPq. É integrante do Grupo de Pesquisa Pensa-Com/Brasil, liderado por José Marques de Melo. É Coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Gêneros Jornalísticos da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação (Intercom). Em 2014, recebeu o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, da Intercom, na categoria Liderança Emergente. Autora de várias publicações jornalísticas e científicas, dentre as quais o livros o AI-5 na Academia - O manual do lead usado pelos golpistas de 1964 para punir o ensino de jornalismo -, pela Edifurb (2014).
Serviço
Lançamento do livro “O Jornalismo Diversional de Fátima Bernardes”, por Roseméri Laurindo
19 de novembro, a partir das 18h30min
Na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731- São Paulo/SP)
Primavera Editorial: http://www.primaveraeditorial.com/produto/edu/o-jornalismo-diversional-de-fatima-bernardes
Livro: ISBN: 978-85-61977-95-5. 128 pág., R$ 29,90
domingo, 8 de novembro de 2015
Florianópolis e o Fora Cunha
Registro de Rubens Lopes, em imagens e edição, da passeata pelo Fora Cunha realizada em Florianópolis, dia 06 de novembro de 2015. Contra o PL 5069, que torna mais difícil a vida das mulheres.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Dia Nacional do Saci-Pererê e seus amigos será comemorado na Capital em 06 de novembro
Pelo décimo segundo ano, acontece a celebração do Dia Nacional do Saci-Pererê e seus amigos, que esse ano será no dia 06 de novembro, por conta das chuvas que caem em Florianópolis. A atividade será das 5h às 18 horas, na Esquina Democrática, em frente à igreja São Francisco, em Florianópolis.
A promoção é da Revista Pobres & Nojentas, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc), Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do Estado de Santa Catarina (Sintrajusc) e Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina (Sindprevs/SC). No dia haverá música, contação de histórias, boi-de-mamão e distribuição de “sacizinhos”. O dia “oficial” é 31 de outubro, mas, como será um sábado, neste ano vamos antecipar!
A lenda é assim! Basta que exista um bambuzal e, de repente, de dentro dos caniços, nascem os sacis. É como eles vêm ao mundo, dispostos a fazer estripulias. Conta a história que esses seres já existiam bem antes do tempo que os portugueses invadiram nossas terras. Ele nasceu índio, moleque das matas, guardião da floresta, a voejar pelos espaços infinitos do mundo Tupi-Guarani. Depois, vieram os brancos, a ocupação, e a memória do ser encantado foi se apagando na medida em que os próprios povos originários foram sendo dizimados.
Quando milhares de negros, caçados na África e trazidos à força como escravos, chegaram no já colonizado Brasil, houve uma redescoberta. Da memória dos índios, os negros escravos recuperaram o moleque libertário, conhecedor dos caminhos, brincalhão e irreverente. Aquele mito originário era como um sopro de alegria na vida sofrida de quem se arrastava com o peso das correntes da escravidão.
Então, o moleque índio ficou preto, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho, símbolo máximo da liberdade. Ele era tudo o que o escravo queria ser: livre! Desde então, essa figura adorável faz parte do imaginário das gentes nascidas no Brasil. O Saci-Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade.
Com o processo de colonização cultural via Estados Unidos – uma nova escravidão - foi entrando devagar, na vida das crianças brasileiras, um outro mito, alienígena, forasteiro. O mito do Haloween, a hora da bruxa e da abóbora, lanterna de Jack, o homem que fez acordo com o diabo.
A história é bonita, mas não é nossa. Tem raízes irlandesas e virou dia de frenéticas compras nos EUA e também no Brasil. Na verdade, a lógica é essa. Ficar cada vez mais escravo do consumo e da cultura alheia. Jeito antigo de colonizar as mentes e dominar. É por isso que a Pobres & Nojentas quer recuperar o Saci, o brasileiro moleque das matas, guardião da liberdade, amante da natureza que hoje está ameaçada de destruição. Junto com ele trazemos também os amigos, as bruxas de Cascaes, o Caipora, o Curupira, a Mula-sem-cabeça e tantos outros que povoam o imaginário em todas as regiões do país.
Venha brincar com a gente. Esperamos você na celebração!
Mais informações com Elaine Tavares no 9907-8877.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Novo programa da Pobres e Nojentas - Rogério Ferrari
Voltamos com as entrevistas das Pobres e Nojentas. Desta vez com o fotógrafo baiano Rogério Ferrari. Confira a boa conversa com esse artista da luz.
domingo, 27 de setembro de 2015
Terra sem males
Está circulando em Curitiba, Paraná, o jornal "Terra sem males", editado pelo repórter fotográfico Joka Madruga. Um trabalho impresso que tem como objetivo trazer a informação que a mídia comercial não costuma dar. Também busca valorizar o foto-jornalismo, um fazer cada dia mais esquecido pelos jornais comerciais. No "Terra sem males" pode-se encontrar bons textos, temas quentes, reportagens aprofundadas e fotografias que falam da realidade para além da lógica dos "bonecos" oficiais.
Um lindo projeto e uma grande iniciativa. A Pobres e Nojentas se solidariza com os colegas do Paraná e deseja longa vida ao jornal.
O jornalismo na Venezuela
Entrevista com Esther Quiaro, jornalista venezuelana que mantém um programa diário na cadeia Unión de rádio. Ela fala sobre o jornalismo, liberdade de expressão e Leopoldo Lopez.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
O mago das plantas
Entrevista com Alesio dos Passos Santos, o homem que mais sabe de plantas medicinais em Florianópolis. Aprendendo e ensinando, todos os dias, com as gentes.
sábado, 12 de setembro de 2015
Terra Cabocla
Entrevista com Marcia Paraíso, diretora do documentário que conta a saga do povo caboclo do Contestado.
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Ato dos trabalhadores municipais
Atividade realizada no dia 26, logo após a decisão de continuar a greve, apesar do corte de salário.
Imagens de Rubens Lopes.
Imagens de Rubens Lopes.
Greve na prefeitura de Florianópolis
Entrevista com o trabalhador público Wagner Muniz sobre a luta por melhores condições de vida e salário. A greve na prefeitura de Florianópolis começou dia 14 de maio de 2015.
Entrevista na Rádio Comunitária Campeche. Entrevista feita por Elaine Tavares, na Rádio Comunitária Campeche.
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