segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Dia Nacional do Saci-Pererê será comemorado em dia 31 de outubro

A Celebração do Dia Nacional do Saci-Pererê será no dia 31 de outubro, quinta-feira, das 15 às 17 horas, na Esquina Democrática, em frente à igreja São Francisco, na Capital. A promoção é  da Revista Pobres & Nojentas, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do Estado de Santa Catarina (Sintrajusc) e do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc). No dia também será lançado o novo livro da jornalista Elaine Tavares, da equipe da Pobres & Nojentas, intitulado "Olímpia Gayo visita o diabo". O trabalho conta a história da freira franciscana Olímpia Gayo, que iniciou um fecundo trabalho de organização das mulheres prostituídas em Lages. No dia haverá música, contação de histórias, brincadeiras e distribuição de “sacizinhos”.

A lenda é assim! Basta que exista um bambuzal e, de repente, de dentro dos caniços, nascem os sacis. É como eles vêm ao mundo, dispostos a fazer estripulias. Conta a história que esses seres já existiam bem antes do tempo que os portugueses invadiram nossas terras. Ele nasceu índio, moleque das matas, guardião da floresta, a voejar pelos espaços infinitos do mundo Tupi-Guarani. Depois, vieram os brancos, a ocupação, e a memória do ser encantado foi se apagando na medida em que os próprios povos originários foram sendo dizimados.

Quando milhares de negros, caçados na África e trazidos à força como escravos, chegaram no já colonizado Brasil, houve uma redescoberta. Da memória dos índios, os negros escravos recuperaram o moleque libertário, conhecedor dos caminhos, brincalhão e irreverente. Aquele mito originário era como um sopro de alegria na vida sofrida de quem se arrastava com o peso das correntes da escravidão.

Então, o moleque índio ficou preto, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho, símbolo máximo da liberdade. Ele era tudo o que o escravo queria ser: livre! Desde então, essa figura adorável faz parte do imaginário das gentes nascidas no Brasil.

O Saci-Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade. Com o processo de colonização cultural via Estados Unidos – uma nova escravidão - foi entrando devagar, na vida das crianças brasileiras, um outro mito, alienígena, forasteiro. O mito do Haloween, a hora da bruxa e da abóbora, lanterna de Jack, o homem que fez acordo com o diabo.

A história é bonita, mas não é nossa. Tem raízes irlandesas e virou dia de frenéticas compras nos EUA e também no Brasil. Na verdade, a lógica é essa. Ficar cada vez mais escravo do consumo e da cultura alheia. Jeito antigo de colonizar as mentes e dominar. É por isso que a Pobres & Nojentas quer recuperar o Saci, o brasileiro moleque das matas, guardião da liberdade, amante da natureza que hoje está ameaçada de destruição.

Queremos vida digna, um país soberano na política, na economia, na arte e na cultura. Cada região deste Brasil tem seus próprios mitos. Caipora, Boitatá, Curupira, Bruxa, Negrinho do Pastoreio... São os amigos do Saci que estão presentes na atividade do Dia do Saci Pererê, saudando e buscando a liberdade.


SOBRE O LIVRO DA JORNALISTA ELAINE TAVARES

Prefácio escrito pela teóloga Ivone Gebara.

"Elaine Tavares tem o dom e a arte de contar histórias de mulheres apaixonadas pela vida. Mulheres que são parte da história oculta da bondade e da beleza e que atuaram intensamente para que esses valores continuassem a se manifestar nas vidas sofridas e silenciadas.

"Olímpia Gayo visita o diabo" é mais uma preciosa narrativa que revela o percurso de uma mulher que cresceu vencendo o sofrimento que a vida punha em seu caminho. Desde criança vencia o sofrimento preparando-se e lutando pela dignidade da vida de outras sofredoras e sofredores.

O texto move o coração e convida a abrir os olhos para as vidas ocultas, aparentemente sem valor, para a escória humana que somos e criamos assim como para a salvação e libertação que também podem nascer de nós. Sim, somos salvadoras umas das outras, somos a mão estendida, o abraço apertado, o sentido da solidariedade, a misericórdia vivida. Somos a voz que denúncia, que grita até que os corações de pedra comecem a palpitar de novo e ver e ouvir o mundo ao seu redor.

Conheci Olímpia num encontro de estudos em Julho de 2013 em Lages. Sua congregação religiosa me convidara para uma semana de reflexão sobre espiritualidade ecofeminista. Desde as primeiras palavras que ouvi de Olímpia, a cumplicidade nas ideias, nas visões e, sobretudo, sua forma de "sentir a dor do mundo" ecoaram em mim. Cada uma do nós, de seu jeito, vivia a paixão pela vida manifestada através de muitas formas e expressa através de muitos nomes. Tínhamos muitas coisas em comum. Enfrentamos demônios parecidos, aqueles que atingem os corpos de mulheres e querem silenciar seus gritos de liberdade.

Nas visitas e encontros de Olímpia com os "diabos" da fome, da droga, da prostituição, seu nome, que faz lembrar o Olimpo, moradia dos deuses gregos, espantava os algozes e trazia algo apaziguador, algo ao mesmo tempo celeste e terrestre.  Os diabos fugiam e se descobria sua face oculta, sua beleza, sua momentânea integridade.  No encontro de coração a coração os diabos não ficam. Abrem o espaço para o amor e a justiça. Por isso tantas pessoas marginalizadas encontraram na presença de Olímpia a força para viver, levantar-se e seguir o caminho do resgate da vida.

Ao final da leitura do livro um sentimento de profunda gratidão e beleza tomou conta de mim. Gratidão à Elaine, à querida Olímpia e a tantas pessoas que no anonimato sustentam a vida e anunciam a grandeza do amor, único capaz de curar os corações partidos e renovar a face da terra".
 
Ivone Gebara


Teóloga

Fites lança Cartilha sobre Assédio Moral no Meio Sindical nesta quarta

 
Segundo a Organização Mundial de Saúde(OMS) o Assédio Moral é definido como o uso deliberado de força e poder contra uma pessoa, grupo ou comunidade, causando danos físicos, mentais e morais. Com o objetivo de denunciar tal prática dentro do meio sindical e também de orientar os sindicatários sobre como proceder em caso de ser vítima dessa situação, a Fites - Federação Nacional dos Trabalhadores em Entidades Sindicais e Órgãos de Classe lança a Cartilha Assédio Moral no Meio Sindical.

O evento, que tem o apoio do Sindes, será realizado no dia 30 de outubro (quarta-feira) às 15 horas no Plenarinho da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis.

Para debater o tema estarão presentes no lançamento:

Edilson Severino - Presidente da Fites e do Sindes/SC;

Janilde Franco de Araujo - Coordenadora de Elaboração da cartilha e Diretora de Política Social da Fites;

Margarida Barreto – Médica do Trabalho, professora da Universidade de São Paulo e vice coordenadora do NEXIN - Núcleo de Estudos Psicossociais da Dialética Exclusão/Inclusão Social;

Schirlei Azevedo - Representante da Rede de Combate ao Assédio Moral no Trabalho;

Sivandra Krauspenhar - Trabalhadora de sindicato e vítima de Assédio Moral.

Mais informações entre em contato pelo e-mail sindes@sindes.org.br[mailto:sindes@sindes.org.br] ou nos telefones (48) 3028-4537 / 9901-8927.

Após o lançamento será servido um coquetel aos presentes.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Pobres e Nojentas no Mercado

Depois de oito anos publicando a revista Pobres e Nojentas, agora o projeto chega à televisão. A cada 15 dias, uma entrevista especial, com gente pobre e nojenta de Florianópolis e do mundo. Sempre lembrando que "pobres e nojentas" são aquelas pessoas que rompem com os conceitos estabelecidos e criam o novo. Na luta, mas com beleza!!!! As gravações serão no tradicional Bar do Alvim, no Mercado Público Municipal. 54 anos de parceria com as gentes...


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Plano Diretor: teria sido muito fácil fazer melhor

Míriam Santini de Abreu

Não se sabe que “bicho” vai pousar na Câmara de Vereadores de Florianópolis nesta sexta-feira, e que a Prefeitura chama de projeto do Plano Diretor. Ontem a Prefeitura organizou, na Assembleia Legislativa, a chamada primeira Audiência Pública Geral do Plano Diretor. Mas, como não foi uma Audiência deliberativa nem se votarem propostas, não fica claro se o Executivo contemplou, na proposta final, o que os gestores ouviram ontem e também nos divulgados 100 encontros nos quais levaram a proposta às comunidades.

O Auditório Antonieta de Barros estava lotado. A maior parte das falas criticou o calendário apertado, a metodologia usada pela prefeitura e a falta de documentos fundamentais, como os mapas de condicionantes ambientais, para se fazer uma análise de fato da proposta. Mesmo nas poucas falas em defesa da prefeitura, não se ouviu referências positivas em relação ao projeto, e sim ao empenho da equipe. Ficou claro que mesmo o setor empresarial discorda do apressado calendário para definir, em poucas semanas, o futuro da Cidade.

O prefeito Cesar Souza nem deu as caras na Audiência. O super-secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Florianópolis, Dalmo Vieira, apresentou as linhas gerais, como tem feito nas reuniões. A vantagem das linhas gerais é não entrar em detalhes que efetivamente farão a diferença quando se bater o martelo, por exemplo, no tipo de ocupação dos nacos mais apetitosos da Capital, como o Sul da Ilha e outras áreas ambicionadas pelo setor imobiliário.

Representantes distritais, da UFSC, da UDESC e moradores mostraram-se preocupados também porque, apesar dos alardeados 100 encontros feitos pela prefeitura, não se sabe o que, de fato, foi anotado e contemplado no projeto que será entregue à Câmara. O secretário Dalmo falou muito na responsabilidade da prefeitura e na democracia para definição do projeto, mas, quando até setores empresariais expuseram dúvidas sobre que texto irá aparecer na Câmara, ficou bem vaga a expressão concreta desse discurso.

Dalmo Vieira praticamente não respondeu, de fato, nenhum pergunta. Como os questionamentos eram feitos em bloco, restrita, cada pergunta, a três minutos, ele respondia aos tópicos menos comprometedores e ignorava aqueles que efetivamente poderiam esclarecer as comunidades.

Membros do Núcleo Gestor Participativo do Plano Diretor, dispensado por e-mail, pelo secretário Dalmo, de suas atribuições, levantaram várias questões que ficaram sem resposta. Desde 2006, essas pessoas, indicadas pelas suas comunidades e entidades, têm feitos reuniões para construir um projeto que contemple a diversidade de representação no próprio Núcleo, no qual a bancada empresarial tem assento. Agora, esse trabalho, expresso em documentos construídos coletivamente, ficou no caminho em troca de outro cujo detalhamento ainda é um mistério.


Se termina de forma lamentável essa etapa de definição dos rumos da Capital, agora começa outra. O projeto irá para a Câmara, próximo local do embate. E para o dia 26, das 9 às 18 horas, na UFSC, está marcada a Conferência Popular do Plano Diretor. Dessa sairão os encaminhamentos que a de ontem sonegou à cidade, quando, pouco depois das 22 horas, foi encerrada a Audiência e desligados os microfones. Como disse o representante distrital da Lagoa da Conceição, teria sido muito fácil fazer melhor. 

Espionagem, soberania e o leilão do petróleo

elaine tavares 

Sempre digo por aí, não sem certa tristeza: somos os arautos da desgraça. Aqueles que sobem no mais alto monte e ficam a gritar sobre os males que virão. Não que sejamos videntes, pitonisas, magos. Não. Apenas analisamos a realidade, observamos as relações de causa e efeito e pronto: aí está o que pode acontecer. No geral, as coisas acontecem mesmo. É ciência.

Desde há muito anos denunciamos os programas de espionagem do governo dos EUA. E antes de nós outros já denunciavam. Mas, nossas palavras ficam no vento: teoria da conspiração, coisa de esquerdinhas, maluquices dos que são anti-progresso e tantas outras etiquetas pejorativas que se usam para desqualificar nossas análises e opiniões. Para a maioria da população, que conhece a realidade através da mídia comercial, as relações com os Estados Unidos sempre foram muito boas e assim tem de ser, afinal, esse é um país grandioso que tem muita coisa a ensinar e oferecer. Pessoas há que, inclusive, acreditam ser muito bom ser dependente dos EUA, já que esse é um país importante.

Em todos os meios de comunicação de massa raras são as notícias ruins sobre os EUA. No mais das vezes, as que aparecem são as  impossíveis de esconder, como é o caso das chacinas que jovens adolescentes praticam sistematicamente. Mostra-se o fato, a dor, a tragédia, mas quase nunca aparece uma boa análise dos motivos que levam a isso. O jornalismo não se presta a desvelar a realidade. É mera propaganda. Então, fatos como esses aparecem como patologias, falhas na matrix, e não há ligação com o fenômeno da violência de uma sociedade militar.  Assim, logo em seguida, novas notícias sobre a Disneylândia ou o lançamento do "Homem de Ferro 3" colocam as coisas todas no lugar outra vez.

Pois agora, nos últimos tempos, a espionagem dos EUA sobre o mundo veio à tona na denúncia de um jovem estadunidense que trabalhou para uma dessas empresas que roubam dados e fuxicam a vida de pessoas e estados para que o governo possa atuar na defesa dos interesses da elite dominante daquele país. A notícia se espalhou. Não havia como negar. Até então, as provas repassadas pelo WikiLeaks eram vistas com ceticismo e seu criador, Julian Assange, era igualmente desqualificado como pessoa, para que suas informações se perdessem no vazio. E, afinal, Assange é um inglês, logo, poderia ser um inimigo dos EUA, ou, quem sabe, um esquerdinha a mais.  

Foi apenas quando a denúncia veio de dentro mesmo do "monstro" que os meios de massa tiveram de dar algum destaque. Ainda assim, tudo segue meio nebuloso. E Edward Snowden ainda está revestido de mistério. Afinal, como um "americano" normal iria denunciar seu próprio país. Seria ele um tolo? Assim como foi tolo o jovem Brad Manning ao denunciar as atrocidades dos EUA no Iraque, tentando mudar essa realidade, tentando "ajudar" seu país? Perguntas que a mídia comercial deixa no ar, para que as pessoas passem elas mesmas a formular essas teses, aceitando-as como verdadeiras: os caras são traidores da pátria deles.

Só isso pode explicar o fato de o Brasil ter sido espionado naquilo que tem de mais estratégico que são suas riquezas naturais, e tudo ficar por isso mesmo. Comprovado ficou que os Estados Unidos espionaram a Petrobras, espionaram a presidente do país, espionaram ministros. O máximo que se teve de repercussão foi um discurso na ONU e um pedido de explicações ao governo dos EUA. O governo explicou? O Brasil se satisfez com as explicações? O que está em jogo no tabuleiro da espionagem das riquezas do país?

Alguém já pensou no que aconteceria se fosse o contrário. Se o governo brasileiro tivesse espionado alguma empresa estratégica dos EUA, que respostas receberia do país governado por Barak Obama? Certamente a Quarta Frota ocuparia nosso litoral. Os mariners viriam aos montes, os Seals, a CIA, e toda a sorte de mercenários ou patriotas. Haveria uma guerra? Ocupariam Brasília? Viriam o Rambo, o Duro de Matar, o Homem de Ferro, o Capitão América, os Vingadores? Sim, viriam!

Mas, e o Brasil, que poderia fazer? Uma guerra? Possivelmente não. Temos de ser realistas. Mas, uma coisa poderia ser feita sim. Ou melhor, deveria. Cancelar os leilões da Petrobras. É fato notório e comprovado que espionaram a empresa brasileira de petróleo. É fato que o Brasil tem reservas imensas no pré-sal. É fato que as empresas estadunidenses estão de olho no petróleo, não só aqui, mas em todo o mundo. Logo, se espionaram a Petrobras estão de posse de informações estratégicas sobre os campos de petróleo. E, sendo assim, serão as vencedoras nos leilões que mais lhe interessarem. Não é esquerdismo, nem teoria da conspiração. É matemática. Junta dois mais dois e tem o quatro. Não há erro.

Pois apesar de todo esse cenários de filme roliudiano, a presidente Dilma (que foi espionada também) decidiu manter o leilão do Campo de Libra para o dia 21. Está ajoelhada diante do império. Nenhuma reação prática além das palavras na ONU. E mais, chamou o exército para cercar as ruas impedindo que a população se manifeste. Submete-se vergonhosamente aos interesses externos e enfrenta o povo de seu país como inimigo. Porque, afinal, exército é uma instituição que existe para defender o país de agressões externas, de inimigos.

As perguntas que as pessoas devem se fazer é: quem são os inimigos do país? Quais são os que devem ser enfrentados? As pessoas que aqui vivem e que querem proteger as riquezas naturais? Ou os estrangeiros que vêm explorar o petróleo, levando as riquezas para fora do país? Seriam os trabalhadores da Petrobras, os sindicalistas, os militantes do Movimento Sociais os verdadeiros inimigos do Brasil? Pensem nisso... Com calma!

E aqui vão outras indagações para ligar os fios da realidade social: que relação tem tudo isso com os protestos que tem sido realizados nos últimos tempos? Por que foi votada uma lei que transforma em "bandido" e "perigo nacional" aqueles que estão nas ruas se expressando da única forma com a qual conseguem  ser ouvidos? Por que se manda para os presídios estudantes e populares que enfrentam a polícia na luta por direitos e por soberania? Seria realmente "vandalismo"  a reação desesperada de quem não consegue ser escutado como cidadão que pensa e decide as políticas de governo? Afinal, os governantes não deveriam governar baseado nas demandas do seu povo? Ou devem governar baseados nos desejos de empresas transnacionais ou governos estrangeiros?

Pois essa é a trama do tecido social que temos estendido sobre nossos olhos. Segunda-feira acontece o primeiro leilão do pré-sal. Nossas riquezas sendo entregues possivelmente aos mesmos que nos espionaram. Nas ruas, as pessoas que insistem em ver o Brasil soberano, dono de suas própria riquezas, enfrentarão mais que a polícia. Enfrentarão o exército, colocado nas ruas para "defender" a nação. Defender o Brasil dos brasileiros. Jovens, sindicalistas, populares, reagirão organizadamente, pacificamente. Outros reagirão desesperadamente. A luta é desigual. De um lado, homens armados, treinados para exterminar o inimigo. Do outro, gente indignada, apaixonada, desesperada diante da força bruta.

E na televisão os repórteres bem-mandandos ouvirão pessoas que chamarão de "vândalos" aos que lutam. E aparecerão pessoas do povo dizendo que o lugar de quem está mascarado e reage violentamente num protesto deve ser mesmo o presídio. E toda essa gente que luta pelo Brasil soberano será colocada na condição de bandido, terrorista, baderneiro. E os âncoras dos telejornais farão aquelas caras constritas para falar da "violência" perpetrada por pessoas que não querem o progresso do Brasil. O progresso deles, dos âncoras, que são os ventríloquos daqueles que dominam, é o da entrega das riquezas, o da submissão, da dependência. E as pessoas "de bem" dormirão tranquilas, sabendo que os "bandidos" estarão nas cadeias.

Só que as pessoas que lutam pela soberania nacional não são bandidas. Elas são o povo. E isso não se acaba assim, na prisão de alguns. A luta recomeça e, de novo, nas ruas, estarão milhões.   Porque a realidade mesma é clara. Esses espaço geográfico é dos brasileiros e dos que aqui escolheram viver. Não pode servir de lugar de exploração, como sempre tem sido desde a invasão em 1500.


A segunda-feira que virá escreverá os destinos do país.  

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Comunidades querem o Plano Diretor que construiram

Comunidades de Florianópolis realizaram nesse dia 15 de outubro de 2013 um ato público diante da Prefeitura Municipal, que destituiu o Núcleo Gestor do Plano Diretor e está apresentando para a Câmara um plano que pode não ter a visão das comunidades. Importante lembrar que as comunidades vem discutindo esse plano desde 2006.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Oscar Olivera – um lutador



Por elaine tavares

O campus onde fica o Centro de Humanas da UFRGS é um lugar bucólico, bem distante de Porto Alegre. Diz a lenda que tiraram essa parte da universidade do centro porque os alunos das “sociais” incomodam demais, e ali, bem longe, ficariam mais isolados e com menos chance de causar problemas. Pois foi ali que se realizou a I Jornada Latino-Americana, promovida por professores do Colégio de Aplicação. Uma primeira tentativa de colocar as questões mais candentes que afetam o nosso continente de uma forma mais totalizante. Assim,  durante uma semana, a universidade conheceu os movimentos políticos, a cultura, a economia, a mídia, enfim, vários aspectos da luta popular que hoje assoma em toda Abya Yala.

No final da tarde calorosa, Oscar Olivera descansa, encostado ao muro que dá acesso ao prédio das Humanas. É um homem pequeno, parece um menino. Tem gestos comedidos e fala baixinha. Quem o vê não percebe, em primeira hora, o gigante que vive ali. Oscar Olivera é um dos mais importantes nomes da “Guerra da Água”, rebelião que aconteceu na cidade de Cochabamba, no ano 2000, quando a população conseguiu barrar a privatização da água.

Tudo começou ainda em 1993, quando o então presidente Hugo Banzer acordou com uma multinacional a privatização do abastecimento de água da cidade, uma das mais populosas da Bolívia. As pessoas protestaram, mas o acordo foi mantido e logo, em 1999, a empresa Águas deTunari – misto de empresários bolivianos, estadunidenses e espanhóis – mostrava suas garras. 

A água, que é um direito humano universal, começou a faltar em vários espaços da cidade e as contas das famílias cresceram mais de 50%. Nas entranhas da cidade a população começou a se organizar para encerrar o contrato com a multinacional. Naqueles dias Oscar trabalhava numa fábrica de calçados e era, já de longa data, dirigente sindical. Sua batalha pela vida começou muito cedo, ainda menino, quando precisava vender massinhas na porta da escola para ajudar nas despesas da família que formava um grupo de 12 pessoas. Não bastasse a pobreza, ainda teve diagnosticada uma doença grave no coração, a qual, diziam os médicos, não lhe permitiria viver mais que vinte anos. Pois Oscar viveu, e não poupou emoções ao músculo que pulsava como uma bomba relógio. Desde mocinho percebeu que o único caminho para os trabalhadores é a organização e tão logo começou a trabalhar na fábrica já era delegado sindical.

Enfrentou, nos anos 80, a ditadura de Luiz Garcia Meza atuando no Comitê Clandestino de Bases do Sindicato de Manaco e nos anos 90 dirigiu a Confederação dos Trabalhadores Fabris da Bolívia. Toda sua trajetória se fez no espaço sindical, e não foi fácil fazer a transição para o movimento popular que desembocou na chamada Guerra da Água. “Os companheiros sindicalistas não compreendiam a extensão daquele movimento que crescia no meio da população. Alguns chegaram a me pressionar, dizendo: o que tu tens a ver com isso da água? Então eu explicava para eles que eu trabalhava numa fábrica de sapatos, logo, tinha tudo a ver com a água. Sabe quanto litros de água são gastos para fazer um par de sapatos? Oito mil litros. Imaginem que a fábrica onde eu trabalhava fabricava 25 mil pares por mês. Quanto de água ia pelo ralo? Ora, a questão da água era uma questão para mim, sim, e eu fui atuar naquele movimento. Porque a água é um direito humano, não pode ser vendida”.  

Na região de Cochabamba as famílias tinham tradição do uso de sistemas comunitários de água, criados bem antes do império inca e a empresa multinacional, além de gerenciar o abastecimento oficial foi se apossando de todas as fontes de água do município. Por isso, já em 1999 as comunidades começaram a fazer os bloqueios de estrada, em protesto contra a usurpação da riqueza de todos, que era a água. “Nós começamos um trabalho de comunicação que era muito baseado no simbólico. Então a gente ia pelas comunidades, nas casas, explicava o que estava acontecendo e dizia: se vocês estão com a gente na luta, então coloquem na frente da casa uma wiphala (a bandeira do povo indígena). E de repente, as bandeiras foram aparecendo, tomando todas as casas, toda a cidade. Era uma outra forma de comunicar. Quem via a bandeira tremulando na frente da casa, sabia que ali morava um companheiro”, conta Oscar. E aquilo foi formando um grande espírito de luta.

No mês de janeiro de 2000, quando a empresa anuncia um aumento nas tarifas, o movimento explode. Outro momento de forte conotação simbólica é criado pela Coordenadora da Água e da Vida, na qual já atuava Oscar: as famílias são convidadas a trazerem as contas de luz para serem queimadas numa grande fogueira. “Aquilo também foi uma coisa muito forte, porque nos remeteu a nossa cultura mais arraigada, mais antiga. E queimamos as contas, e cantamos e dançamos”. Era o estopim de um processo de participação, de democracia direta, que iria desembocar na vitória das gentes.  Os protestos são avassaladores, o governo responde com muita repressão e até com a lei marcial. Muita gente é presa, ferida, morta. Os protestos se estendem até o mês de abril, sem trégua e tomam conta não só de Cochabamba, mas de outros departamentos do país. A disposição de luta da população organizada é vitoriosa e a empresa Bechtel, que criara a Águas de Tunari, é obrigada a se retirar do país. A água de Cochabamba volta para o controle público.

A vitória das gentes na Guerra da Água vai servir de exemplo para a nova rebelião que explodirá em 2003, a chamada “Guerra do Gás”, quando, de novo, organizado e na luta renhida, o povo boliviano bota para correr mais um presidente. Os dois movimentos abrem o caminho para que, mais tarde, um sindicalista do ramo cocaleiro, possa ser eleito presidente da nação.

Oscar fala com emoção sobre aqueles dias e avalia que Evo Morales não tem sido digno da esperança que se criou com a sua ascensão. Crítico do governo, ele vai mais longe e diz que, tanto Evo, como Correa, no Equador, e Lula, no Brasil, acabaram cooptando muitos lutadores, enfraquecendo a luta social. “Estamos sempre recomeçando. Não é fácil. Mas, ainda há luta e estamos vigilantes”. Basta ver a luta dos povos do Parque Nacional que abriga terras indígenas para impedir a construção de uma estrada por dentro da reserva natural.

Hoje, Oscar não trabalha mais em fábrica. Atua em uma escola rural onde ensina as crianças a conviver de maneira harmônica com a terra. E, mesmo ali, enfrenta o olhar de estupefação e a incompreensão dos colegas. “Os professores dizem: mas de que adianta ficar com as crianças na horta. Há que ensinar matemática, biologia, física. E eu explico: para fazer uma horta temos de medir a superfície, o volume, a profundidade. Isso é matemática. Para plantar uma beterraba a gente vai conhecendo sua conformação, seus nutrientes, isso é biologia, é química. E assim, numa simples horta, podemos ensinar geopolítica, economia, qualquer coisa. Nós temos de recuperar essa coisa fabulosa dos nossos ancestrais que era a relação com a terra, com a água, com a natureza. Atuar em harmonia, respeitar, compreender a nossa cosmovisão. Sem isso, não há como fazer política”.

O veterano da guerra da água acredita que os militantes sociais precisam estar atentos para as novas formas de mobilização. “No movimento pela água, os sindicalistas ficaram pra trás, no episódio do gás também. Há coisas novas brotando do seio do povo e nós precisamos estar atentos para isso. Os povos indígenas têm muito a ensinar, e não é voltar ao passado. É recuperar as experiências exitosas e atuar no presente”.

Vendo Oscar Olivera e sua doçura no debate sobre coisas tão duras como as rebeliões do povo boliviano, bate aquela esperança de que, um dia, as pessoas possam, de fato, compreender a importância da herança indígena na formação da América Latina, e saibam aproveitar as belezas que essas etnias têm para oferecer ao movimento de luta atual.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Movimento indígena faz manifestação nesta quarta-feira, dia 2, a partir das 8h30, na terra indígena de Morro dos Cavalos

Entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro,  o movimento indígena no Brasil está promovendo uma série de MANIFESTAÇÕES acerca da situação grave que está vivendo. Em Florianópolis a manifestação será nesta quarta-feira, dia 2, a partir das 8h30, na terra indígena de Morro dos Cavalos.

As manifestações se dirigem a uma sucessão de projetos de lei (no âmbito do Legislativo) e de medidas governamentais (no Executivo) que afrontam DIRETAMENTE os direitos garantidos pela CONSTITUIÇÃO de 1988, como a  PEC 215, PL 1610, PL 2498, Portaria 303-AGU419). Todos têm como alvo os DIREITOS SOCIAIS dos povos indígenas e, em especial, o DIREITO à TERRA e aos recursos nela existentes, e estão diretamente ligados ao avanço do grande capital no país (agronegócio, empreiteiras, mineradoras, indústria do turismo, capital imobiliário).

Não somente os povos indígenas estão sendo alvejados por este processo: populações tradicionais em geral, povos quilombolas e as unidades de conservação vivem o mesmo processo, já que se situam em terras visadas pelos mega-empreendimentos e pelo projeto de crescimento econômico  empreendido no nosso país.

As convenções internacionais assinadas pelo Brasil não estão sendo cumpridas (em especial a Convenção 169 da OIT) e lideranças indígenas têm sido ameaçadas, removidas de suas terras  e assassinadas,  além de  conviverem com os históricos problemas  que ainda não foram resolvidos, apesar das conquistas legais hoje ameaçadas. Isto sem falar das recentes revelações do relatório Figueiredo, sobre as torturas e violências ocorridas  durante a ditadura militar e que  regem as  ações de muitas instituições e grupos na sociedade brasileira ainda hoje.

Em SC a situação é igualmente grave: além da demora absurda na homologação das suas terras e descumprimentos de medidas compensatórias exigidas por lei nos locais onde foi feito algum acordo, grupos anti-indígenas aumentam seu poder no governo, nas mídias e até mesmo em associações civis de todos os tipos.

Exigimos respeito à Constituição Federal e Demarcação de Terras Já!

A cultura no Campeche

A Comunidade do Campeche não aceita o autoritarismo da prefeitura, que pretende fazer um plano diretor sem ouvir as forças vivas que lutam há anos por preservar a beleza e a cultura do lugar. Aqui segue um vídeo feito pelo Núcleo Distrital da Planície do Campeche e narrado pela querida Telma Anita Piacentini, sobre tudo o que há de cultura e de luta na nossa comunidade. Não vamos ficar de braços cruzados. Nossa gente vai à luta pelo projeto de bairro que construiu ao longo de anos de debate coletivo.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Apareceu a margarida...

Míriam Santini de Abreu

P.S. Ontem, quinta-feira, começou a circular o anteprojeto de lei do Plano Diretor, em versão sem a totalidade dos anexos necessários. Obtive uma cópia agorinha, mas o anteprojeto ainda não está no site da prefeitura, ao menos não nas notícias nem no link específico do Plano Diretor. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Florianópolis planejada... em linhas gerais OU o golpe do Plano Diretor


Míriam Santini de Abreu

Desde o início da semana a imprensa jaz sob a propaganda do governo Cesar Souza Jr. de “apresentar as linhas gerais do Plano Diretor”, depois de sete anos e “1,5 mil reuniões”. Para engolir um factoide desses, é provável que os jornalistas não tenham participado de nenhuma delas. O fato, sobre o qual parece não ter havido questionamento por parte de jornalistas, é: onde está a última versão do anteprojeto? É aquela de março de 2012? Qual é?

No site da prefeitura até agora não está. Os jornalistas, chequei, receberam um arquivo com diretrizes, e com isso se contentaram. Não sei se algum lembrou de perguntar sobre o texto, aquele que a prefeitura vai levar para as tais 40 oficinas distritais e temáticas. Saberiam, se tivessem perguntado, o óbvio: a prefeitura vai mais uma vez apresentar “linhas gerais”, com se “linhas gerais” definissem o desenvolvimento urbano da Capital. Não serão “linhas gerais” a desembarcar na Câmara de Vereadores em outubro, conforme anúncio do prefeito.

Quem de fato leu a última versão do anteprojeto foi o pessoal do Núcleo Gestor do Plano Diretor Participativo, que ontem recebeu uma missiva eletrônica da Superintendência do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis iniciada assim: “... vimos informar que o Governo Municipal, no cumprimento de suas atribuições e com o único intuito de cumprir seus compromissos públicos, passa a assumir diretamente, em contato permanente com a sociedade, a apresentação do novo projeto de Plano Diretor proposto para a cidade”. Com isso, o Núcleo Gestor foi dispensado.

Ora, e quem é o Núcleo Gestor do Plano Diretor Participativo? São representantes dos distritos da Capital que, desde 2006, lutam para que o crescimento da Capital não fique sujeito apenas à especulação imobiliária. Que, desde lá, representam moradores que se reúnem, debatem e definem diretrizes para suas comunidades. Que se debruçaram sobre a mais recente, de 118 páginas, e as outras versões do anteprojeto, para participar das “1,5 mil reuniões”.

Ao longo desses anos, o Núcleo Gestor do Plano Diretor Participativo conseguiu fazer o que a prefeitura, nessa administração e na passada, decidiu não enfrentar: colocar o tema do Plano Diretor em debate na sociedade. Se dependesse da prefeitura, isso nem iria acontecer. Na gestão Dário Berger, mais de um ano escorreu para que se montassem as bases distritais. A prefeitura nunca colocou no orçamento municipal recurso exclusivo para o Plano Diretor Participativo nem contratou equipe técnica exclusiva para o trabalho. Só neste ano o Instituto de Planejamento Urbano, o IPUF, mereceu alguma atenção, depois de anos sucateado. E nem Dário nem Cesar Souza articularam plano de mídia para conversar com a população sobre o Plano Diretor. As administrações se limitaram a colocar uns anúncios pagos na imprensa.

O Plano Diretor Participativo é o principal instrumento do Planejamento Urbano para efetivar o direito à cidade, definindo os objetivos a serem alcançados em cada área e os instrumentos urbanísticos e ações estratégicas que devem ser implementadas. Mas falar de Plano Diretor é como falar de Edital de licitação para o transporte coletivo, outra seara pela qual a prefeitura vai enveredar com mais um golpe contra a população. São temas áridos. Envolvem conceitos, definições. Cada palavra tem um sentido em disputa, porque as palavras valem. Elas autorizam, proíbem. Significam dinheiro, possibilidades, lucros. Podem significar a garantia de uma cidade possível, onde viver não seja uma experiência angustiante. Mas quem se debruça para pensar sobre isso? Quem informa o que acontece? Quem ajuda os cidadãos a decidir? Certamente não essa prefeitura.

Que se veja o Plano de Ocupação do Solo, por exemplo, que divide a cidade em zonas. Cada zona pode ser ocupada de uma forma, com um certo índice de aproveitamento, dependendo do que diz o Plano Diretor. Abrir mão de saber disso e, principalmente, decidir, cobra um preço alto.

Casa em encosta sujeita a deslizamento, ruas e rodovias mal-feitas, sem acostamento, passeios, ciclovias, edificações em áreas de preservação permanente, ruas imensas, estreitas, que tem nome, mas não tem água nem luz, trânsito prioritário para veículos, e não pedestres.  Quem mora em Florianópolis reconhece esse diagnóstico e reclama dele. Mas não necessariamente faz a ponte entre esses problemas e o fato de o Plano Diretor ser o instrumento legal por excelência para ordenar a cidade.

A prefeitura diz que irá convidar “todos para um inédito calendário de reuniões, consultas e audiências públicas, composto de cerca de 40 Oficinas Distritais em 21 localidades de todo o município, um número equivalente de reuniões técnicas com aproximadamente duas dezenas das entidades públicas e privadas representativas de todas as regiões e categorias sociais da cidade, além de cinco Oficinas Técnicas Regionais (Centro, Continente, Norte, Sul e Leste)”. Diz que isso irá “ampliar o número e a representatividade dos partícipes envolvidos com a construção do Plano Diretor”. Sim, mas que peso terão essas oficinas distritais e temáticas na definição do Plano? Terão peso de Audiência Pública? O resultado das oficinas será contemplado no Plano? E de que forma os participantes terão acesso ao anteprojeto, onde não há “linhas gerais”, e sim o que realmente importa, os mapas, os percentuais, as possibilidades de uso? Por que a prefeitura insiste em não usar o resultado de sete anos de debates produzidos nos distritos?

Aqui vale lembrar a Superintendência do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, que mencionou a necessidade de a prefeitura cumprir “seus compromissos públicos” e assim atropelar o Núcleo Gestor. Seriam compromissos com qual público? Há anos os moradores de Florianópolis organizados nos distritos dizem o que querem. Há anos o Plano Diretor não anda. O município agora diz que contratará quatro profissionais “de renome nacional e internacional” para consultoria em áreas específicas do Plano. Será que eles têm mais a dizer sobre a Capital do que quem vive, trabalha, estuda, pesquisa aqui? Renome é garantia de quê? Ora, e a falta de sintonia na prefeitura é tão grande que as diferentes áreas não conseguem se entender nem mesmo sobre o uso de um ponto da Capital, o Aterro da Baía Sul, para o qual toda a semana aparece um projeto novo.

A prefeitura anunciou hoje os principais pontos do Plano Diretor. Seria risível se não fosse trágico! Nem o mais tresloucado defensor de espigões nem o mais empedernido ambientalista nem o mais vendido colunista nem o mais desinformado jornalista seriam contrários a tamanha generalização (veja no final do texto)! A questão é como, para quem, de que forma, em que índices, em que zonas “preservar”, “proteger”, “valorizar”, “equilibrar”!
Sabe-se que há prefeituras que encomendam o Plano Diretor. Vem prontinho, ao gosto dos apoiadores das campanhas eleitorais. Em Florianópolis, a gestão Berger quis fazer isso. Contratou uma empresa argentina. Mas, aqui, se disse não. A capital já foi abocanhada de todos os lados pela especulação imobiliária. Não faltou naco, lote, área, restinga, praia, morro para violentar. E todo o dia vendem a patacoada de Florianópolis como destino turístico, para o visitante encontrar, na temporada, caos no trânsito, falta de água e luz, problemas de saneamento e por aí vai. Só não é pior – em termos urbanísticos, porque há que se reconhecer a beleza paisagística da Ilha, infelizmente mais arborizada do que a “árvore neural” do “trade” turístico - porque “ecochatos”, gestores públicos sérios, promotores, procuradores usam a lei para barrar investidas sem qualquer limite.

São esses os tratados como “vândalos”, “atrasados”, pela mesma mídia que, todos os dias, noticia as desgraças provocadas pelo mau uso da cidade, pela falta de fiscalização, pela corrupção. As bocas alugadas que dizem o que os donos e candidatos a dono da cidade não ousam dizer, enquanto circulam onde o poder circula para também se lambuzar nele.
A versão mais recente do anteprojeto do Plano Diretor tem 118 páginas. Não se conhece publicamente ainda a versão que a prefeitura, suponha-se, irá levar para as alardeadas oficinas. Quem luta há sete anos não vai parar. Quem não luta deve começar já. E ler. O resultado, se a população ficar de fora, será desastroso: lucro e boa vida para uns poucos e prejuízos para a maioria.

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Principais pontos do Plano Diretor anunciados pela prefeitura:

Preservação do meio ambiente com fiscalização efetiva
Proteção das encostas
Valorização de conjuntos urbanos de valor cultural
Preservação das paisagens
Criar centros no município para evitar conflitos de vizinhança
Construção de núcleos urbanos planejados
Equilíbrio na ocupação do solo
Soluções integradas de mobilidade urbana
Desenvolvimento da SC-401
Uso da Ponte Hercílio Luz para o transporte coletivo e criação de parques e decks no seu entorno
Recuperação das conexões marítimas
Criação de parques urbanos centrais, como no Aterro da Baía Sul e no Aterro Continental Sul
Requalificação Urbana do Centro Histórico
Vivências nas Vias Expressas

sábado, 21 de setembro de 2013

“Yo soy Kihili”






Por elaine tavares  - jornalista em Florianópolis

Ali estava ela, no palco, a dizer poesia. Magrinha, roupas coloridas e um chapéu estranho. Parecia mais uma maga, uma sacerdotisa de algum credo antigo. Depois, como se não bastassem os versos falados, cantou, canções camponesas, grito primal. Feiticeira, encantou cada um daqueles que se reuniam no ginásio de esportes da fria Sucre, capital administrativa da Bolívia. Ali estava para discutir os rumos desta Abya Yala rebelde e originária.

Seu nome judeu é Ruth Zafra, mas ela não é mulher para deixar que alguém lhe imponha algo. É fêmea livre. Então, crescida, decidiu seu novo nome, que vem das entranhas da terra ancestral. “Yo soy Kihili Kunturpillku”, repete, orgulhosa de sua descendência autóctone, do povo chimarrón, “que nunca se deixou escravizar”. A idade, não diz, mas garante que é do tempo em que a guerra era nos sopapos. Vive pelos caminhos de “nuestra América”, fazendo poemas, antecipando o tempo novo, que virá.

Kihili não é mulher para ser narrada. Ela se diz a si mesma e são delas as palavras que a contam. Mulher-povo, cantadeira, contadora de histórias, filha dileta de Abya Yala. Uma criatura para ser guardada nas retinas. Magrinha como um bambu. Forte como a tormenta. Kihili.

“Eu creio que nasci no limite de tudo. Nasci na fronteira entre Colômbia e Venezuela e no limite entre o norte de Santander e Guajira. E sempre estive no limite das coisas boas e más. Minha família, já naquela época, coisa impensável, não era católica, nem conservadora, nem liberal. Meu pai era um livre pensador, um socialista, um marxista estruturado, um homem vertical, quando a palavra vertical não era pejorativa. Ele tinha uma máxima filosófica que aplicava o tempo todo: o único objetivo de uma pessoa na vida deve consistir em ser irrepreensível.

Ele dizia, “aos meus filhos educo sem ódio e sem medo”. Então, no dia em que cumpri três anos, ele pôs a mão na minha cabeça e disse à minha mãe: “de amanhã em diante vamos ensiná-la a ler e escrever”. De tal maneira que aos quatro anos eu já escrevia e lia criticamente. Todos os dias fazia 20 linhas sobre o editorial do jornal El Tiempo. E nunca deixei de fazer essa tarefa. Por isso digo com muito prazer, e menos com orgulho, que eu não possuo nada nesta terra que não possa carregar nos meus ombros. Mas ainda assim sinto que sou a mulher mais rica do mundo. Sou opulenta porque a base da minha riqueza é que meus pais jamais me mentiram.

Eu venho de um lugar onde se diz a verdade às crianças desde o momento em que começa a perguntar. Se um garoto está aprendendo a caminhar e cai, todos olham para o outro lado. E se por acaso ele chora porque não olharam para ele, o que está mais perto pergunta:  “Que aconteceu?” A criança chora contando que caiu. Então este adulto responde: “Ah, sim? Então da próxima vez tenha mais cuidado e olhe bem onde vai colocar os pés para não cair outra vez”. É assim que nos educam para a vida. As mães dizem: “Eu cortei o cordão umbilical dos meus filhos na hora em que os pari”. Nenhuma mãe põe seus filhos sob a saia, eles nasceram para a vida, então têm de ser formados para a vida. Têm que aprender, sofrer os golpes, porque a vida não é feita de hem-hem-hem. Por isso sinto pena da geração de hoje em dia. Os pais fazem de tudo porque se sentem culpados e dedicam todo seu tempo a conseguir dinheiro para pagar o psicólogo do filho que tem problemas.

Mas eu prefiro falar do que há de bom. Eu cresci com uma disciplina incrível. E só para ilustrar. Houve há pouco tempo um concurso para escolher qual a palavra mais bonita da nossa língua e terminaram declarando como tal um conceito. A palavra mais bonita da nossa língua é “inverosimilitud”. Ah, que palavra! Então eu me criei com uma disciplina inverossímil. Mas a disciplina não era imposta. Meu pai jamais faltou à mesa, e ali se abençoava a comida sempre. Minha mãe era uma mulher muito religiosa, muito protestante, evangélica. Segundo ela, a mulher devia viver com a cabeça baixa, coberta, não falar em voz alta, em público. Bom, eu sou o seu karma.

Ela sofreu muito comigo porque queria que seu primogênito tivesse sido varão. E nasci eu. Por isso meu pai me criou assim. Até os cinco anos já havia escutado e lido os contos para crianças de todas as culturas da terra. Porque nós tínhamos apenas dois pares de sapato, o do aniversário e o do colégio. No natal ganhávamos um jogo e era tudo. Lembro de uma situação em que, aos cinco anos, ganhei uma boneca e minha irmã menor começou a chorar porque a queria. A minha mãe interveio dizendo: ela é pequena, dê-lhe a boneca. Então eu fui até meu pai e disse: Não quero mais ganhar brinquedos a partir de agora, eu quero livros. Então, toda a poupança do ano era para a feira de livros de Bogotá, que apresentava quase 36 hectares de livros.

Assim, minha casa vivia abarrotada de livros. Eu me criei numa biblioteca de 18 mil exemplares. O maior quarto da casa era para a biblioteca e a casa estava cheia de livros por todos os lados. Tínhamos um dicionário ilustrado da Academia Real da Língua feito com tinta chinesa, era gigantesco e pesava muitos quilos. Ele vivia aberto, mas para passar suas folhas tínhamos de lavar as mãos e seca-las com uma toalha branca que ficava ali perto só para esse ritual. Era uma disciplina incrível.

Vou resumir a minha infância. Dos cinco aos seis anos li todos os livros sagrados da terra, versão para crianças, que incluía “As mil e uma noites”, “O anel dos Nibelungos” etc... Dos seis aos sete li toda a novelística. Nunca vou esquecer “A Mãe”, de Máximo Gorki, “Guerra e Paz”, toda a obra de Dostoievski, de Tolstoi. Li todos os grandes, porque meu pai era assim, ele dava o exemplo e eu tinha disciplina, lia e lia e lia. E minha mãe, num determinado momento, começou a dizer que aquilo não era uma virtude e sim um vício e passou a esconder os livros. Dos sete anos aos oito eu já lia Lênin e logo me enfrentei com Freud. Aos nove eu lia Nietzsche e meu pai pediu que eu esperasse um pouco, até os 16 anos, para ler Kant. Mas, eu também lia muita literatura religiosa. E a poesia? Ah, esta, desde o ventre da minha mãe até o dia de hoje. Poesia? Toda a que se me apareça.

Aos sete anos, não sei o que aconteceu, mas eu chorei. E meu pai logo me disse: Imagine que aconteça uma catástrofe, que não haja sobreviventes mais que um grupo de crianças de pouca idade e uns três ou quatro velhos, tu serias capaz de pegar essa gente e ir adiante, e fazer dessa gente um povo de homens e mulheres livres? Imagine você! Isso aos meus sete anos, de maneira que aos dez eu estava preparada para isso. E já havia lido tudo sobre o Yoga, e todos os grandes livros filosóficos e sagrados, toda a lenda e mitologia dos povos. Assim que aos 12 anos, o rio Arauca (a morte) chegou a meu pai e eu fiquei a primogênita de seis irmãos. Assim, aos 13 anos eu era a rádio-jornalista licenciada mais jovem do meu país. Até os dezoito anos levei três salários para casa, fiz o que fariam três homens e levei meus irmãos para frente. Todos eles são doutores, têm mais de um título, carros, casa, fazendas, tratores. A única que não têm nada e é a analfabeta da família, sem títulos, sou eu. É uma glória pra mim dizer isso: Não tenho nada. Jamais tive poupança, conta bancária, nada. O que tenho é a poesia, a música e o que sei dentro de mim”.

Esta é Kihili. Aquela que não tendo nada, tem o mundo, e o amor de todos aqueles que cruzam seu caminho bendito!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O "trade" turístico e os "beach clubs"

Míriam  Santini de Abreu

A polêmica dos “beach clubs”, pelos quais o “trade” turístico está romaria para evitar a demolição, faz lembrar o que aconteceu com o Bar do Seu Chico, no Campeche, derrubado em 2010 por determinação judicial. O motivo foi estar em área de preservação permanente. No caso dos “beach clubs”, os motivos são invasão de área de marinha, de área de preservação permanente, poluição sonora, hídrica, desmatamento e invasão de calçadão.

O Bar do Seu Chico, de madeira e palha, era ponto de encontro do povo crítico do Campeche. Os “beach clubs” são ponto de encontro do povo rico. Vão dizer que a comparação, por esse ponto de vista, é ranço com rico. Bom, então, no caso da derrubada do Bar do Seu Chico, quando não houve nenhum choro nos veículos do Grupo RBS, era ranço em relação a gente que pensa e fica ruminando coisas lá no Campeche.

Curioso é o “tread” turístico usar como argumento, na defesa dos “beach clubs”, a história e importância do turismo para a Capital. Dizem que "não é verdade que Florianópolis se sente incomodada com os bares e restaurantes da cidade, menos ainda com os turistas que nos visitam. Pesquisas apontam que mais de 80% das pessoas gostam e aprovam o turismo", cita o texto elaborado pelo “trade”. Primeiro, os “beach clubs” representam todos os bares e restaurantes da cidade? Segundo, que relação os b.c. têm com a aprovação do turismo e a atividade em si?

A resposta é a visão que esse povo do “trade” turístico tem de turismo. É uma visão completamente descolada da cidade. É turismo por ele mesmo, e só. Cita, o pessoal do t.t. a história e importância do turismo para a Capital. Que história e qual importância? Turismo como e onde?

Final de semana passado estive no Rio Vermelho. A rodovia principal liga as praias do Norte à Lagoa da Conceição. Só mesmo São Cristóvão para livrar os motoristas de atropelar pedestres em uma rodovia que praticamente não tem acostamento. Ali, onde deveria haver uma longa ciclovia, mal foi planejado lugar para o pedestre. As ruas laterais à rodovia são longas e há as que terminam no nada, sem placa para avisar. É uma entropia em grau máximo num dos acessos principais às praias do Norte.

Se efetivamente levasse em conta a história e importância do turismo para a Capital, o t.t. certamente faria a mesma peregrinação por obras de saneamento, fornecimento de água e, num plano ainda maior, por um Plano Diretor que, de fato, pensasse na cidade com um todo, não focando somente no que é de interesse de redutos nas praias mais badaladas.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O 20 de setembro

É sempre bom que se relembre o fato de que gauchismo não é algo que se incorpore só por se ter nascido no Rio Grande do Sul, um dos estados mais ao sul da federação brasileira. O gauchismo é, a meu juízo, um jeito de viver daqueles que cresceram na “campanha”, um espaço geográfico que toma parte do Rio Grande, Argentina e Uruguai. É o caminho cheio de horizontes, o descampado tomado pelo vento minuano, as sangas, o rio Uruguai e as emas. É coisa entranhada no corpo, com cheiro de tosquia, bosta de vaca e cavalo. É sentimento de imensidão e vertigens, típico daqueles que vivem nas bordas, veredas, hoje fronteiriças, mas que até 500 anos atrás eram estradas livres dos povos minuano, tapes e charrua, a gente originária que povoava o lugar antes da chegada dos espanhóis e portugueses.

Por isso que quando chega o 20 de setembro - data em que no Rio Grande se comemora o dia do gaúcho - eu me permito vibrar à custa desse gauchismo que vive em mim, nascido, como eu, na barranca do rio Uruguai. Esse rio atávico, essa veia larga, de onde, desde guriazinha, já observava, reverente, os balseiros, os pescadores e as lavadeiras na faina diária. Conhecedora da história da Revolução Farroupilha, aprendida bem antes de aprender a andar, sei muito bem que a revolta gaudéria do 1835 foi um levante de fazendeiros, de homens ricos, liberais, que buscavam um brecha na fechada economia colonial. Igualmente sei que, junto com eles, lutaram na guerra independentista os lanceiros negros, tropas formadas por escravos que se jogaram na guerra almejando sua própria liberdade. É certo que foram enganados e traídos pelos generais, mas como negar a eles a reverência por toda a bravura que empreenderam nos dez anos de existência da república farrapa? Também é importante lembrar a ação libertária e generosa dos índios charrua, que tinham passado para o lado de cá do rio depois da traição de Salsipuedes, na Banda Oriental, e que assumiram a causa revolucionária, colocando nas batalhas o seu corpo em oblação. E, como eles, também os minuano e os guarani. Ainda há que se lembra das gentes simples, os paisanos livres, que avançavam na batalha, incitados pelos ventos de transformação que vinham desde a parte de cima da América, desde os anos 20, com Bolívar, e depois com os vizinhos San Martín (da Argentina) e o grande Artigas ( da Banda Oriental).

Em nome de toda essa gente que se moveu na revolução é que se deve reforçar que os fazendeiros oportunistas não semearam no vazio. Havia toda uma terra já arada de desejos de vida plena, livre e cheia de bênçãos. E foi nessa senda que os seguiram a gente maragata, na pureza e na valentia. Mas não dá para esquecer que muitos dos que se bateram em combate nos campos do sul não estavam movidos nem pela pureza, muito menos pelas demandas de Bento e sua gente. Alguns tinham bem claro que havia uma guerra dentro da guerra e que haveria de chegar a hora em que os "generais" do latifúndio também haveriam de ser derrubados. Homens e mulheres que morreram nas batalhas, creio eu, talvez muito pouco se importassem com o mercado do charque ou com possibilidades de arrancar uma ou outra coisa do governo imperial. Muitos estavam firmemente empenhados da vontade de construir uma república, um novo jeito de organizar a vida. Sabiam das grandes guerras já travadas em toda a América, cujas histórias se contavam nos galpões, nas noites frias de minuano. E, quem já pode percorrer aquelas campanhas nas noites de inverno, sabe que, por vezes, dá até para ouvir as risadas de pé de fogo, e os sonhos verbalizados por aqueles valentes que se jogaram, em farrapos, na aventura de tecer um grande meio-dia.

E é esse povo de coragem que eu reverencio no 20 de setembro. Que me importa Bento Gonçalves, Canabarro, Almeida, Neto ou outros generais do latifúndio. Eles seguem sendo desvelados pela história nas suas vilanias, traições e cobiças. No 20 de setembro eu cevo o mate pelas gentes simples, pelos valentes que embarcaram na grande aventura da liberdade. Homens e mulheres, irmãos e irmãs de Bartolina, Micaela, Tupac Amaru, Tupac Catari, Bolívar, Manuela, Artigas, Juana Azurduy.  É essa procissão de gente que eu vejo passar diante dos meus olhos gaudérios. E é para eles que tiro respeitosamente o chapéu, porque ajudaram, com seus corpos, a palmilhar essa estrada ainda inconclusa da nossa independência como povo e como nação.

Digam o que disserem, eu faço cerimônias no 20 de setembro. Canto canções, acendo incensos e agradeço. Não aos fazendeiros que acabaram se achicando em acordos econômicos ao fim de 10 anos de luta, mas aos verdadeiros protagonistas dessa saga histórica que, repetidamente, acende em mim os candeeiros da paixão. Viva o povo farroupilha! Brancos, negros, índios, essa gente valente que fez o Rio Grande ser o que é.

Fórum da Bacia do Itacorubi fará atividades no Dia Mundial Sem Carro

O Fórum da Bacia do Itacorubi informa e convida:

Dia Mundial Sem Carro 2013=> movimento criado na Europa em 1997 e que se espalhou pelo mundo como uma data para as pessoas refletirem sobre o uso excessivo do veículo individual motorizado. É um dia para as pessoas utilizarem ônibus, bicicletas, caminhadas e formas sustentáveis de deslocamento para chegar ao seu destino.

6ª feira - Eventos na UFSC e Domingo no Trapiche Beiramar

-6ª feira, dia 20/09, das 10h às 18h, acontecerá a “IIª Circunferências sobre Mobilidade e Acessibilidade Urbanas”, na Praça da Cidadania, em frente à Reitoria da UFSC.

Uma estrutura criativa, formada por 12 circunferências, estará montada na Praça da Cidadania, em frente à Reitoria/UFSC, propiciando aos visitantes visualizar os projetos de mobilidade em elaboração, ver exposições, ouvir e debater com especialistas, assistir a vídeos e conhecer ferramentas para melhorar sua mobilidade cotidiana na cidade.

Serão apresentados:

- Painéis com os Projetos do Termo de Ajuste de Conduta - TAC da Fazendinha: Parque Linear do Córrego Grande;

- Apresentação das 3 propostas de alargamento da Rua Deputado Antônio Edú Vieira: PMF, GEMURB e da Comunidade do Pantanal.

-Domingo, dia 22/09, das 10 às 18 horas, acontecerá a “Maratona Intermodal”, no Trapiche da Beira Mar.

Os moradores da Grande Florianópolis serão desafiados a percorrer o trajeto da sua casa até o Trapiche da Beiramar de forma sustentável, utilizando ao menos três diferentes meios de transporte: é a Maratona Intermodal.

Aqueles que utilizarem o maior número de modalidades sustentáveis e forem mais criativos serão premiados pela organização ao final do evento.

A entrega dos prêmios será realizada no Trapiche da Avenida Beiramar Norte, às 18 horas.

Observação: é necessário documentar o trajeto percorrido com fotos ou vídeo para participar. A ideia é mostrar que é possível mudar os hábitos em prol da mobilidade sustentável.


As inscrições poderão se feitas no hotsite da RITMOS ou no local, a partir das 10 da manhã.