Imara Stallbaum quando fala é pura paixão. Paixão pela vida, pelo jornalismo, pela reportagem. Mexe os braços, abre os imensos olhos, troveja e dá risada. Ela é a sétima entrevistada do Projeto Repórteres SC a traduzir em quase uma hora de conversa uma vida inteira.
Nascida em Porto Alegre e começando sua caminhada no jornalismo sem muitas certezas ela foi se construindo repórter na prática cotidiana. Bebeu conhecimento na faculdade, mas principalmente na parceria com outros colegas mais experientes. Andou pelas estradas do Rio Grande e depois veio para Santa Catarina onde passou pelo mais antigo, O Estado, e também pelo Diário Catarinense.
Amealhou vivências e prêmios, sempre conectada com a vida real. Foi também nos caminhos do jornalismo que conheceu seu grande amor, o Mafalda, companheiro de décadas e é com ele que ainda percorre as veredas do estado fazendo matéria. Reverencia sua trajetória e amiúde se emociona com as lembranças. Recomenda aos jovens que gostem de gente, porque sem isso não pode haver bom jornalismo. E deixa bem claro que ainda tem pautas demais no seu caminho, por isso segue firme no trabalho, ora divulgando ciência, ora as lutas ambientais ou simplesmente as gentes.
Acompanhem esse papo, eivado de energia, alegria e belas memórias.
Já está em edição a sétima entrevista do Projeto Repórteres SC, desta vez com a repórter Imara Stallbaum, que começou a carreira em Porto Alegre e, em Santa Catarina, passou pelo Diário Catarinense e O Estado, tendo ainda trabalhado em uma série de veículos no país em diferentes editorias.
Além das redações, Imara foi professora de redação jornalística em três diferentes cursos aqui no Estado entre 2000 e 2007 e recebeu uma série de prêmios por suas reportagens especiais, destacando-se no jornalismo investigativo, cientifico e ambiental, atuando também em agência, a Mafalda Press.
Durante a entrevista, o registro da repórter fotográfica Rosane Lima e, na filmagem, o jornalista Rubens Lopes de Souza, com presença do fotojornalista e repórter Antonio Carlos Mafalda, que acompanhou o trabalho. Aguardem que vem narrada mais uma bela trajetória de quem fez e faz jornalismo em Santa Catarina.
Já está no ar mais um episódio da série Repórteres/SC, com o depoimento do jornalista Celso Vicenzi. Ele conta a história do gurizinho que queria ser jogador de futebol e escrever humor, mas que acabou encontrando a estrada do jornalismo. Leitor dos clássicos da literatura, apaixonado pela palavra, o caminho trilhado encontrou a reportagem, esse gênero do jornalismo que exige estofo e trabalho pesado.
Ele relembrou grandes coberturas e deu boas dicas para a geração que hoje está começando no jornalismo. Depois, fora da cena, como a vida é rica e cheia de memórias, deixou registrada uma nova leva de lembranças:
- a série de matérias com a Família Schurmann, com quem passou 45 dias entre a Argentina e o Chile, na segunda volta ao mundo que fizeram. E foi no período a segunda pior tempestade, ventos de 80 km/h durante 12 horas e rajadas de até 100 km/h.
- a série de reportagens para o Diário Catarinense sobre a violência contra a mulher, em que usou nas capas imagens impactantes de Picasso, Munch, Dali, Magritte, Debret e Delacroix, entre outros. E na contracapa apareciam obras de Mondrian. Nos quadrados e retângulos coloridos, colocava um resumo dos BOs de violências praticadas contra as mulheres, só com as iniciais delas e dos agressores.
- a experiência de pauteiro da TV Barriga Verde, quando foi implantada em Florianópolis, e fazia parte da equipe, para quem fez muitas pautas, a jornalista Sônia Bridi, que veio a se tornar uma das grandes repórteres de TV do Brasil, com atuação na Rede Globo.
- a referência à Renan Antunes de Oliveira como exemplo de um grande jornalista de texto. Renan ganhou o Prêmio Esso de Reportagem de 2004, sobre o suicídio do filho de um importante político do RS. “Uma aula de jornalismo”, destacou Celso. O nome da matéria é "A tragédia de Felipe Klein". Vale a pena conferir, além do livro que Renan escreveu sobre as suas principais reportagens.
- a referência às muitas exposições fotográficas quando esteve à frente do Sindicato dos Jornalistas de SC (SJSC), sendo uma delas, no CIC, a World Press International, a maior do mundo, e os 20 anos da Agência Gamma, uma das três maiores do planeta.
- Também no CIC, mencionou a exposição dos principais cartunistas brasileiros com show da banda "Muda Brasil Tancredo Jazz Band", com os irmãos Paulo e Chico Caruso, Luis Fernando Verissimo e Reynaldo (do Casseta e Planeta).
- Esse período do Sindicato foi tão intenso que acabou integrando o livro da professora doutora Ilse Scherer-Warren em co-autoria com Jean Rossiaud, intitulado "Democratização em Florianópolis: resgatando a memória dos movimentos sociais". Dez pessoas foram ouvidas no livro, Celso uma delas, como presidente do Sindicato, junto com o padre Vilson Groh, Luci Choinacki, Clair Castilhos, João Carlos Nogueira e outros.
- Mencionou os bons tempos dos frilas, que não existem mais. Celso escreveu durante cerca de uma década para a revista Visão e colegas de redação eram correspondentes da Veja, Folha de S. Paulo, Estadão, Jornal do Brasil, O Globo, Revista Placar e outras.
A equipe de gravação contou com a jornalista Elaine Tavares, Felipe Maciel Martínez na câmera e a repórter fotográfica Rosane Talayer de Lima no registro da atividade. Seguimos!
Nesta semana gravamos mais um episódio da série que busca eternizar a memória de repórteres que fizeram e fazem a história do jornalismo em Santa Catarina. Desta vez foi com um dos jornalistas mais importantes da capital, seja na sua jornada como repórter, editor e escritor ou na sua ação política e sindical: Celso Vicenzi.
Na sombra do belo palácio Cruz e Sousa, Celso falou de sua infância, sobre como chegou ao jornalismo, sua caminhada como repórter e editor. Relembrou grandes coberturas e deu boas dicas para a geração que hoje está começando no jornalismo. Depois, fora da cena, como a vida é rica e cheia de memórias, lembrou da sua aventura no mar com a Família Schurman, das inúmeras exposições fotográficas que o Sindicato dos Jornalistas, sob sua presidência, promoveu, as exposições dos trabalhos dos cartunistas e os bons tempos dos frilas, que já não existem mais, quando trabalhou para a Revista Visão, e outros colegas na Veja, Folha de São Paulo, o Estadão, Jornal do Brasil, O Globo, Revista Placar e outras.
Durante a entrevista que em breve será divulgada, o registro da repórter fotográfica Rosane Lima, capturando com a delicadeza de seu olhar as diversas nuances da contação de histórias desse grande nome do jornalismo catarinense. Na filmadora, o nosso compa Felipe Maciel Martínez. Aguardem que já sai mais um belo depoimento do projeto repórteres.
A fachada do Teatro da Ubro, no Centro de Florianópolis, foi o local escolhido para a quinta entrevista do Projeto Repórteres SC, realizada nesta terça-feira (4) com a jornalista Linete Martins. Nascida na cidade de Santana do Livramento, fronteira com Rivera, no Uruguai, Linete experimentou as lidas no jornalismo ainda na escola, e a paixão pela profissão a levou a iniciar o curso em Pelotas e, mais tarde, reiniciar em Florianópolis, onde já chegou com experiência na área.
Na entrevista, Linete conta como foi a histórica greve dos jornalistas no jornal O Estado, em 1989, provocada por atraso nos salários. Sobre a cobertura política, em que atuou como jornalista e assessora da imprensa, ela recordou de um episódio marcante: a participação em uma coletiva com o então candidato a presidente da República Fernando Collor de Mello na qual, em sua pergunta, apareceu a luta sindical em defesa da categoria.
Linete também falou sobre colegas que foram importantes em sua trajetória e abordou as mudanças na carreira, hoje voltada para assessoria e consultoria em comunicação em parceria com a filha, a também jornalista Luiza Coan Machado, que acompanhou a entrevista.
À pergunta final sobre o tema do qual falaria se fosse dar uma aula a jovens jornalistas, refletindo sobre a própria trajetória, Linete mencionou o trecho de uma entrevista feita por ela com o educador Paulo Freire para o Diário da Manhã, de Pelotas. Acompanhe agora.
A fachada do Teatro da Ubro, no Centro de Florianópolis, foi o local escolhido para a quinta entrevista do Projeto Repórteres SC, realizada nesta terça-feira (4) com a jornalista Linete Martins. Nascida na cidade de Santana do Livramento, fronteira com Rivera, no Uruguai, Linete experimentou as lidas no jornalismo ainda na escola, e a paixão pela profissão a levou a iniciar o curso em Pelotas e, mais tarde, reiniciar em Florianópolis, onde já chegou com experiência na área.
Na entrevista, Linete conta como foi a histórica greve dos jornalistas no jornal O Estado, em 1989, provocada por atraso nos salários. Sobre a cobertura política, em que atuou como jornalista e assessora da imprensa, ela recordou de um episódio marcante: a participação em uma coletiva com o então candidato a presidente da República Fernando Collor de Mello na qual, em sua pergunta, apareceu a luta sindical em defesa da categoria.
Linete também falou sobre colegas que foram importantes em sua trajetória e abordou as mudanças na carreira, hoje voltada para assessoria e consultoria em comunicação em parceria com a filha, a também jornalista Luiza Coan Machado, que acompanhou a entrevista.
À pergunta final sobre o tema do qual falaria se fosse dar uma aula a jovens jornalistas, refletindo sobre a própria trajetória, Linete mencionou o trecho de uma entrevista feita por ela com o educador Paulo Freire para o Diário da Manhã, de Pelotas. Quer saber qual o conteúdo? Não deixe de conferir o programa com Linete, que será divulgado nos próximos dias!
Foi cercado pelas personagens do boi-de-mamão, que nos espiavam na sala tomada de empréstimo no Mercado Público de Florianópolis, que o jornalista Paulo Clóvis Schmitz, o PC, nos concedeu a quarta entrevista do projeto Repórteres SC.
O lugar, com os janelões de madeira aparando o sol e o vento, não poderia ser mais adequado! PC falou sobre ele em um de seus livros, “Mercado Público e suas histórias” (2013), com o fotógrafo Danísio Silva, obra ampliada a partir da anterior, de 2007, com situações e personagens de um dos mais emblemáticos pontos de encontro da capital catarinense.
Com o caderno de anotações no colo, PC falou sobre a infância em Quilombo, no oeste do estado, onde, na Biblioteca da Prefeitura, descobriu o mundo das histórias. Em Florianópolis, cursando Letras, começou a trabalhar no jornal O Estado, onde ficou por uma década, e nas décadas seguintes foi afinando a experiência como repórter, colunista, editor, editorialista, cronista, assessor de imprensa e também escritor, além de ter atuado como professor.
Na entrevista, PC analisa a cobertura de cidade pela imprensa e avalia o atual cenário jornalístico da capital e do estado e as consequências para a produção de reportagens. Ele fala ainda sobre as coberturas que fez na área de cultura, tendo entrevistado artistas de diferentes áreas, e relembra as matérias nascidas de acontecimentos imprevistos ocorridos em lugares onde ocasionalmente ele estava de passagem. Como diziam na redação, é um desses repórteres que a notícia procura.
PC, que bom para o jornalismo catarinense que tu existas!
Foi cercado pelas personagens do boi-de-mamão, que nos espiavam na sala tomada de empréstimo no Mercado Público de Florianópolis, que o jornalista Paulo Clóvis Schmitz, o PC, nos concedeu a quarta entrevista do projeto Repórteres SC.
O lugar, com os janelões de madeira aparando o sol e o vento, não poderia ser mais adequado! PC falou sobre ele em um de seus livros, “Mercado Público e suas histórias” (2013), com o fotógrafo Danísio Silva, obra ampliada a partir da anterior, de 2007, com situações e personagens de um dos mais emblemáticos pontos de encontro da capital catarinense.
Com o caderno de anotações no colo, PC falou sobre a infância em Quilombo, no oeste do estado, onde, na Biblioteca da Prefeitura, descobriu o mundo das histórias. Em Florianópolis, cursando Letras, começou a trabalhar no jornal O Estado, onde ficou por uma década, e nas décadas seguintes foi afinando a experiência como repórter, colunista, editor, editorialista, cronista, assessor de imprensa e também escritor, além de ter atuado como professor.
Na entrevista, PC analisa a cobertura de cidade pela imprensa e avalia o atual cenário jornalístico da capital e do estado e as consequências para a produção de reportagens. Ele fala ainda sobre as coberturas que fez na área de cultura, tendo entrevistado artistas de diferentes áreas, e relembra as matérias nascidas de acontecimentos imprevistos ocorridos em lugares onde ocasionalmente ele estava de passagem. Como diziam na redação, é um desses repórteres que a notícia procura.
PC, que bom para o jornalismo catarinense que tu existas!
Com uma trajetória iniciada em Tubarão, desenvolvida em Florianópolis e hoje alcançando diferentes regiões do estado, através da Central de Imprensa das Federações Esportivas de Santa Catarina (Cifesc), o jornalista Júlio Castro é o terceiro entrevistado do Projeto Repórteres SC.
Ainda no colégio em Tubarão, Júlio se envolveu com uma equipe que fazia a Gazeta Estudantil. E foi na juventude, ouvindo rádio, que se apaixonou pelo fazer dos narradores e comentaristas, em especial do esporte, e começou a atuar na área. Laçou uma oportunidade que apareceu e se mudou para Florianópolis, onde trabalhou em diferentes veículos e funções, entre elas o rádio esportivo. A entrevista, que começou na Praça XV, se completou na Travessa Ratcliff, pertinho da sede da Rádio Guarujá, onde Júlio trabalhou em duas ocasiões, com endereço na Rua Nunes Machado, Edifício Tiradentes.
Na entrevista, ele falou sobre as coberturas marcantes das quais participou, citou colegas que marcaram sua trajetória, analisou a cobertura do esporte amador e relembrou a passagem de Pelé por Santa Catarina, que noticiou quando integrante da equipe de jornalistas de A Notícia durante a cobertura dos Jogos Abertos de Santa Catarina em São Bento do Sul, em 1996.
Na equipe, Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu na entrevista, Felipe Maciel Martínez na gravação e a repórter fotográfica Rosane Lima no making of.
Com uma trajetória iniciada em Tubarão, desenvolvida em Florianópolis e hoje alcançando diferentes regiões do estado, através da Central de Imprensa das Federações Esportivas de Santa Catarina (Cifesc), o jornalista Júlio Castro foi o terceiro entrevistado do Projeto Repórteres SC.
Ainda no colégio em Tubarão, Júlio se envolveu com uma equipe que fazia a Gazeta Estudantil. E foi na juventude, ouvindo rádio, que se apaixonou pelo fazer dos narradores e comentaristas, em especial do esporte, e começou a atuar na área. Laçou uma oportunidade que apareceu e se mudou para Florianópolis, onde trabalhou em diferentes veículos e funções, entre elas o rádio esportivo. A entrevista, que começou na Praça XV, se completou na Travessa Ratcliff, pertinho da sede da Rádio Guarujá, onde Júlio trabalhou em duas ocasiões, com endereço na Rua Nunes Machado, Edifício Tiradentes.
Na entrevista, ele falou sobre as coberturas marcantes das quais participou, citou colegas que marcaram sua trajetória, analisou a cobertura do esporte amador e relembrou a passagem de Pelé por Santa Catarina, que noticiou quando integrante da equipe de jornalistas de A Notícia durante a cobertura dos Jogos Abertos de Santa Catarina em São Bento do Sul, em 1996.
O vídeo estará disponível em breve! Na equipe, Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu na entrevista, Felipe Maciel Martínez na gravação e a repórter fotográfica Rosane Lima no making of.
Jornalista Elaine Tavares é a primeira entrevistada
Por Míriam Santini de Abreu
A equipe da Pobres & Nojentas inicia em março de 2023 mais um projeto, o Trajetórias e Histórias. O objetivo é conversar com pessoas cuja história de vida se entrelaça com as lutas populares em Santa Catarina. Eu e Elaine Tavares faremos as entrevistas, com gravação e edição do jornalista Rubens Lopes de Souza.
A primeira entrevistada é a jornalista Elaine Tavares, cujo fazer profissional é narrar as sucessivas rebeliões do vivido no cotidiano dos e das trabalhadoras. Desde pequena, nascida na fronteira, a guriazinha de Uruguaiana vive para continuamente fazer coisas.
Elaine já viveu em quatro estados, atuou em todas as áreas e funções pelas quais um jornalista pode passar (tevê, rádio, jornal, assessoria de imprensa, assessoria parlamentar, sindical, docência) tanto na mídia tradicional quanto no jornalismo independente.
Ela trabalha no Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA/UFSC), tem um programa semanal na Rádio Comunitária Campeche, cuida do blog da Pobres & Nojentas e também do próprio blog, o Palavras Insurgentes, no qual a primeira postagem foi em outubro de 2007. Ali está a lista dos livros escritos por Elaine, nove, fora os capítulos publicados em coletâneas.
Ela já andou muito pelos pagos do mundo, afiou seus sortilégios nas terras da Andaluzia, da China, da Rússia, do Egito, da Pátria Grande Latino-Americana, mas ama Florianópolis do fundo do peito; saltita Centro afora feito uma lebre vendo as tendências com nossa querida amiga em comum Jussara Godoi e faz poema das veredas arenosas do Campeche, onde uma coruja dourada a aguarda todas as noites.
Conheci Elaine em agosto de 2000, quando assumi como jornalista no Sindicato dos Trabalhadores da UFSC, o Sintufsc, em plena greve dos servidores técnico-administrativos. Ela foi coordenadora de Comunicação do Sindicato e por ela e pela também coordenadora e jornalista Raquel Moysés conheci a obra dos jornalistas Adelmo Genro Filho e Marcos Faerman, para mim desencadeadores de epifania jornalística. Já estou na segunda carteira profissional e posso afirmar que não houve lugar de trabalho mais importante na minha própria trajetória do que o Sintufsc.
Particularmente, ao longo de 23 anos de convivência com a Elaine, a quem chamo de Cabecinha, a imagem que melhor define nossa caminhada é a cena final do filme "Anahy de las Misiones", de 1997. Ela é fronteiriça, eu sou serrana, e seguimos juntas em marcha rumo ao vasto e inevitável abismo, nas nossas carroças já rangentes, do embornal caindo projetos maravilhosamente fadados a prejuízos financeiros, mas movidas pelo contentamento e encantamento mútuo de fazer coisas.
Rumo ao nascente, Anahy, minha amiga, ao levante, sempre pra frente!!! Abra-se o maldito abismo!
EM TEMPO! Gravamos a entrevista na Praça XV, de frente para a Figueira. A Elaine está para publicar um novo livro chamado "Mentindo para a Figueira". Mas, na entrevista, só trouxe verdades!
O projeto Repórteres SC apresenta hoje o repórter fotográfico Sérgio Vignes, entrevistado na frente da Kibelândia, na Victor Meirelles, uma das ruas que expressa a boêmia urbana no Baixo Centro de Florianópolis.
Vignes contou como foi o primeiro contato dele com a fotografia, ainda menininho. Ao longo da entrevista, ele detalhou a atuação na FATMA, hoje IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) e narrou os fatos que levaram aos belos registros fotográficos que fez de Franklin Cascaes, pesquisador do folclore ilhéu, em 1982. Vignes falou ainda sobre o trabalho desenvolvido para o Instituto Observatório Social, ligado à CUT, suas experiências no fotojornalismo e também a prática da fotografia urbana no Centro de Florianópolis, que divulga pelas redes sociais, documentando assim o cotidiano urbano do Centro de Florianópolis.
Essa segunda entrevista contou com o trabalho do cinegrafista Felipe Maciel Martínez, da repórter fotográfica Rosane Lima, que fez as fotos dos bastidores, e de Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu na entrevista.
O projeto iniciou em fevereiro com a entrevista do repórter Edson Rosa.
Gravado no histórico Largo da Alfândega, no Centro de Florianópolis, o primeiro episódio do projeto Repórteres SC está na nuvem, trazendo a belezura da história e do trabalho do repórter Edson Rosa. Nascido na capital, Edson fala sobre sua infância e juventude, o primeiro trabalho, ainda muito jovem, lidando com jornal, a passagem por jornais de Santa Catarina, a parceria com colegas nas coberturas e a relação com a vida e as pautas que pululam na cidade, prontas para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir.
Entre outras premiações, em 2016 Edson recebeu o Prêmio Dakir Polidoro de Imprensa, uma das principais homenagens a comunicadores no Estado, em sessão solene na Câmara Municipal de Vereadores. Ele é reconhecido por suas matérias sobre a cidade e o meio ambiente, tendo especial apreço por tudo que envolve a pesca, os pescadores e o mar.
Na conversa aparecem histórias deliciosas, como a da “isca” ele que usou para convidar à reportagem uma família de gaviões carcará que habitava as copas das árvores da Praça 15. O texto, com as fotos de Daniel Queiroz, pode ser lido em https://ndmais.com.br/noticias/em-extincao-familia-de-gavioes-carcara-reina-entre-as-copas-das-arvores-de-florianopolis/
A costura da memória trouxe, pela fala de Edson, outros e outras repórteres, repórteres fotográficos e cinegrafistas, pauteiros, editores e também motoristas que fizeram história no jornalismo catarinense e que serão entrevistados no decorrer do ano.
A equipe do projeto, que já gravou a segunda entrevista (aguardem!) é composta por Míriam Santini de Abreu – jornalista; Elaine Tavares – jornalista; Rubens Lopes – jornalista; Rosane Lima - repórter fotográfica; Leonardo Antônio – músico; Leopoldo Paqonawta – design; Felipe Maciel Martínez – cinegrafista; Paulo Renato Venuto – músico.
E assim vai se constituindo a memória dos fazeres e saberes dos e das trabalhadoras do jornalismo catarinense. Sigamos!
O projeto Repórteres SC segue agregando gente
disposta a contribuir para que o trabalho fique bonito. Esta semana terminamos
de gravar a trilha sonora que acompanhará os vídeos de entrevista, dando belezura
para a vinheta de abertura e colorindo as passagens. O trabalho musical é dos
músicos Paulo Renato Venuto e Leonardo Antônio. A parte técnica da gravação foi
conduzida por Rubens Lopes com o apoio de Uaná Lopes.
Com o sol de janeiro esbravejando, no histórico Largo da Alfândega, fizemos nesta quarta-feira (25) a primeira gravação do projeto "Repórteres SC". O repórter Edson Rosa abriu os trabalhos, falando sobre sua infância e juventude, o primeiro trabalho, ainda muito jovem, lidando com jornal, a passagem por jornais de Santa Catarina, a parceria com colegas nas coberturas e a relação com a vida e as pautas que pululam na cidade, prontas para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir.
Histórias deliciosas, como a da "isca" que usou para convidar à reportagem uma família de gaviões carcará que habitava as copas das árvores da Praça 15. O texto, com as fotos de Daniel Queiroz, pode ser lido em https://ndmais.com.br/noticias/em-extincao-familia-de-gavioes-carcara-reina-entre-as-copas-das-arvores-de-florianopolis/
A gravação ficou com o jornalista Rubens Lopes de Souza, e a repórter fotográfica Rosane Lima fez o making-of, capturando lindamente a alegria que foi essa primeira conversa do projeto. A costura da memória trouxe, pela fala de Edson Rosa, outros e outras repórteres, repórteres fotográficos e cinegrafistas, pauteiros, editores e também motoristas que fizeram história no jornalismo catarinense.
Feita a entrevista, rimos muitos de pautas e coberturas antológicas lembradas por Edson e Rosane, que trabalharam juntos. Em meio às recordações de tantos apuros para trazer notícias, os dois vieram com uma tirada das boas: "Pensa na roubada que rende!"
As jornalistas Miriam Santini de Abreu e Elaine Tavares falam sobre como surgiu a ideia do projeto que contará a história de vida e as práticas dos repórteres de Santa Catarina.
As jornalistas Elaine Tavares e Míriam Santini de Abreu estiveram reunidas para o planejamento do projeto Repórteres SC. A primeira fase da proposta tem sido o levantamento dos nomes dos profissionais de texto, foto, imagem e rádio que serão entrevistados. A intenção é buscar os repórteres nas diversas regiões do estado visando também garantir espaço para o pessoal que trabalha no interior e que, geralmente, fica mais invisibilizado. É um trabalho de longo alcance que deve se estender por bastante tempo, afinal, como é comum no jornalismo independente, os meios materiais para dar concretude às ideias são sempre ínfimos. Ainda assim as pobrinhas estão dispostas a caminhar, descortinando a memória do jornalismo catarinense, eternizando as histórias pessoais e coletivas, além de plasmar na memória uma forma de fazer jornalismo que não existe mais.
A primeira fase do projeto consiste de entrevistas aprofundadas com os repórteres e a segunda fase buscará, nos colegas e amigos, a memória daqueles e daquelas que já partiram desse plano. Por fim, a intenção é deixar registrada a caminhada desses profissionais e, nelas, a história do fazer jornalístico no nosso estado.
Na próxima semana a ideia começa a andar, com a primeira entrevista já marcada. Aguardem... Construiremos juntos esse largo e luminoso caminho...
Ainda que o jornalismo seja uma prática que parece estar em hibernação, não são poucos os grandes repórteres – homens e mulheres - que fazem e fizeram a história do jornalismo em Santa Catarina. Gente da melhor qualidade, comprometida com o jornalismo de verdade, esse que investiga, que observa, que enxerga a realidade, que contextualiza, que interpreta, que narra com bossa, seja na palavra ou na luz.
E é para eternizar a história desses profissionais que a Pobres e Nojentas começa neste ano de 2023 um projeto novo chamado “Repórteres SC”, através do qual vão contar, em vídeo, a história de vida e a caminhada profissional de cada um e cada uma que escolheu narrar a realidade dos catarinenses.
A ideia é montar um banco de informações para que estas histórias se eternizem garantindo assim a memória viva do jornalismo do nosso tempo. Na produção estaremos as pobrinhas: eu e Míriam Santini de Abreu, contando também com a parceria de Rubens Lopes. Um projeto modesto, mas que tem por ambição plasmar a memória do que há de melhor no jornalismo catarinense.
Aguardem, que já chega. Estamos já em produção... O janeiro começa quente...
Canções, palavras de ordem, bandeiras e pessoas em luta rasgaram a manhã nublada da capital catarinense na manhã desta segunda feira (24.10). Foram os representantes de mais de 600 famílias que hoje estão batalhando pelo seu direito de morar, lutando contra o despejo. A ameaça está sob a cabeça porque as comunidades nas quais moram são consideradas ilegais pelo poder público, ainda que algumas delas existem há mais de 20 anos. A verdade mesmo é que elas ocupam espaços que hoje está sob a cobiça da especulação imobiliária que tudo o que quer é "tirar os pobres da sala". Não bastasse isso, em Palhoça, por exemplo, a prefeitura define obras que atravessam comunidades sem a realização de audiências públicas, sem ouvir as famílias, sem diálogo e ainda ferindo a lei ambiental.
A marcha pela Moradia contra o Despejo começou no estreito, bairro continental de Florianópolis e veio em direção à ilha, passando pela ponte Hercílio Luz, o cartão de visitas da capital. Desde 1986 que a "velha senhora" não via a marca de uma manifestação popular - no campo da moradia - sob suas vigas. Foi bonito de ver a mistura dos núcleos das bandeiras com o céu azul e o cinza brilhante da ponte. O espaço, que desde sua reinaupulação tem servido de cenário para fotos e visitas turísticas, sentiu a vibração das famílias locais, como que vivem e sofrem a cidade real, trabalhadores e trabalhadores que muitas vezes não tem o dinheiro da passagem para uma visita aos domingos com a família. Por isso, em meio à luta, foi com alegria que as famílias cruzam o caminho, com crianças, velhos e jovens vivendo esse momento pela primeira vez.
A reivindicação principal da marcha é a manutenção da ADPF 828, uma normativa que proíbe despejos na pandemia e que tem seu prazo de validade até o dia 30 deste mês. Na semana passada os movimentos que estão na luta junto com as comunidades já realizaram uma visita à Assembleia Legislativa, onde arrancou uma Audiência Pública sobre o tema, que vai acontecer no dia 8 de novembro. O foco mais urgente é as ações de despejo e o projeto da Avenida Beira-Rio em Palhoça, que deveria atingir imediatamente 300 famílias das comunidades Benjamin e Fé em Deus. Mas, outras comunidades também estão ameaçadas.
A intenção do movimento foi justamente ocupar o "cartão postal" da cidade para chamar a atenção das autoridades acerca da questão da moradia, visto que na capital, por exemplo, há anos que inexiste qualquer projeto de construção de moradias populares, tema que também é pouco discutido nos municípios mais demais da região metropolitana. E é justamente por isso que não resta alternativa às famílias que não conseguem pagar os altosomus, a não ser ocupars vazios que não cumprem com sua função social.
A meia caminhadasou o Estreito, cruzou a ponte e seguiu para o centro de Florianópolis. Além da movimentação na rua, para dar visibilidade ao momento de luta, foram entregues documentos referentes à Campanha Despejo Zero no Ministério Público Estadual e Federal, nas prefeituras dos municípios da região e da capital, no Tribunal de Justiça e também aos representantes da Diocese da Igreja Matriz, onde a marcha descansou. Na fala do padre Vilson Groh, ficou o compromisso de levar para as paróquias o debate sobre o tema da moradia. O mesmo documento deveria ser entregue aos candidatos a governador e presidência da República, já que o tema moradia não aparece nas campanhas.
São presentes famílias das ocupações Vale das Palmeiras, Contestado, Anita Garibaldi, Marielle Franco, Vila Esperança, Benjamin, Fé em Deus, Beira Rio, Mestre Moa, Carlos Marighella, Fabiano de Cristo, Vila Aparecida e Elza Soares. Uma coluna com adultos, velhos e crianças, que sabe muito bem que só a luta garante direitos à classe e trabalhadora que, por mesmo isso, não se furta ao corajoso ato de reivindicar. Foi assim para encontrar um espaço onde erguer a casa, foi assim para construir as moradias sem apoio algum, e é assim que se unem para defender um direito que é de todos os brasileiros: morar com dignidade.
No dia 30 de outubro, além de marcar as eleições, será um momento de tensão para as famílias que vivem a ameaça de despejo. E isso não é coisa só do nosso entorno, está em todo o país, pois com o fim do prazo para o despejo zero, muitas ações deverão acontecer no sentido de tirar as famílias de sua morada. Por isso esse movimento precisa estar de pé.
A luta segue e se fará presente outra vez na Alesc, dia 08 de novembro.
Apresentei artigo no 31º Simpósio Nacional de História que examina
como operam os mecanismos da ideologia na cobertura jornalística das ocupações
urbanas e das remoções na pandemia de Covid-19. O material de análise é
composto por dez reportagens, sendo oito do jornalismo tradicional e duas do
jornalismo independente brasileiro. Analisa-se também como a alienação urbana
aparece nas reportagens,
que revelam o agravamento, pela pandemia, do processo que leva do aluguel
instável à ocupação, e da ocupação à remoção e à situação de rua. Para milhares de pessoas, a cidade paulatinamente encolhe,
restando tendas, barracas e pisos de viadutos.
As coberturas jornalísticas
trazem à tona relatos das faces cada vez mais perversas da alienação urbana sob
a crise econômica, o desemprego e a pandemia: a miséria se alastrando do centro
para as periferias das cidades, a busca da rua para saciar a fome mesmo pelos
que têm moradia e as omissões e coerções institucionais nos abrigos, nas
arquiteturas excludentes e na criminalização de formas consideradas ilegais de
sobrevivência. Um aspecto importante nos textos é a abertura à fala de quem
experimenta, no cotidiano, o desespero e o abandono à espera de soluções que
não aparecem. Faltam, porém, abordagens mais aprofundadas do papel do estado
nesse processo, em especial sob o governo de Jair Bolsonaro.
Das análises destaca-se a posição
do grupo de mídia catarinense ND, que desde 2018 – e de forma ainda mais
intensa a partir do início da pandemia – sistematicamente criminaliza as
ocupações urbanas e seus moradores em Florianópolis e cidades vizinhas. A
ideologia posta em funcionamento credita aos empobrecidos a responsabilidade
pela destruição da paisagem da cidade, valorizada como mercadoria turística,
legitimando o discurso dos grupos dominantes e ocultando o papel deles nos
processos ambientalmente insustentáveis provocados pela expansão do setor de
turismo.
Na foto, pintura no prédio onde
está a Ocupação Anita Garibaldi, no bairro Capoeiras, em Florianópolis, onde, desde o
dia 17 de setembro, estão cerca de 100 famílias sem-teto. Trata-se de uma
ocupação organizada por moradia inédita em Florianópolis, e talvez no estado,
por ser em prédio abandonado. Historicamente, as ocupações organizadas na
capital catarinense foram em terrenos.